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Príncipe William aposta na construção de milhares de casas para combater a crise de habitação no Reino Unido

Ducado da Cornualha, pertencente ao príncipe William, quer construir até 12 mil casas até 2040. Cerca de um terço das habitações prevista destinado a habitação acessível, incluindo nas Ilhas Scilly.

Margarida Vieira dos Santos
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O Ducado da Cornualha, a propriedade histórica criada em 1337 e pertencente ao príncipe William, anunciou um investimento de 500 milhões de libras (cerca de 585 milhões de euros) em habitação e projetos ambientais na Cornualha, em Dartmoor, Bath, Kennington e nas Ilhas Scilly, planeando construir entre 10 e 12 mil casas até 2040. O plano, segundo o The Telegraph, coloca o herdeiro do trono na linha da frente do combate à crise habitacional no Reino Unido, uma causa que tem defendido ao longo dos anos e para a qual considera essencial aumentar a oferta de habitação acessível.

“Não somos proprietários de terras tradicionais… queremos ser mais do que isso. Há muito bem que podemos fazer. Estou a tentar garantir que estou a dar prioridade a coisas que vão melhorar a vida das pessoas que vivem nestas áreas”, afirmou William, citado pela BBC.

Cerca de um terço das habitações previstas — o equivalente a 4 mil casas — será destinado a habitação acessível. A iniciativa reflete a aposta do príncipe no combate à crise da habitação, uma causa que tem promovido também através do Homewards, projeto destinado a reduzir o número de pessoas em situação de sem-abrigo.

Do investimento total, o Ducado da Cornualha pretende canalizar 123 milhões de libras (aproximadamente 144 milhões de euros) para a criação de emprego, o reforço das oportunidades económicas nas zonas rurais e o apoio às energias renováveis. Entre as medidas previstas está a expansão da instalação de painéis solares em telhados no sudoeste de Inglaterra, com o objetivo de produzir energia suficiente para abastecer cerca de 40 mil habitações, de acordo com o The Telegraph.

As Ilhas Scilly, que têm pouco mais de 2 mil habitantes e onde o Ducado controla cerca de 75% das terras, registam algumas das piores estatísticas habitacionais do país. Entre 2012 e 2022, o número de casas diminuiu todos os anos, uma vez que foram demolidos mais imóveis do que aqueles que foram construídos. No ano passado, foram concluídas apenas sete novas habitações — o valor mais elevado em 14 anos, mas ainda assim o mais baixo entre todas as autoridades locais do país.

Para Will Bax, diretor executivo do Ducado da Cornualha, o projeto evidencia as dificuldades crescentes de construir no Reino Unido. O início da construção de novas casas caiu 17% em 2024-25, para o nível mais baixo em 12 anos, enquanto o número de aprovações para novos empreendimentos recuou para valores comparáveis aos registados após a crise financeira. “Em toda a minha carreira, nunca foi tão difícil construir”, afirmou, citado pelo jornal britânico.

Apesar do reduzido retorno financeiro, os responsáveis políticos defendem que o objetivo passa por responder à grave escassez de habitação nas ilhas. Bax reconhece que muitos destes projetos não são financeiramente viáveis de forma isolada, mas acredita que o impacto social justifica o investimento. A mesma ideia é partilhada por Anthea Harries, responsável pela área imobiliária do Ducado, que descreve a iniciativa como um investimento nas comunidades locais e no seu desenvolvimento a longo prazo.

A aposta, segundo o The Telegraph, surge num momento de escrutínio sobre a gestão do património da Família Real britânica.