Várias localidades do concelho de Almada continuam esta terça-feira com interrupções do fornecimento de água da rede pública, confirmou o Observador junto de vários moradores e comerciantes das localidades da Costa de Caparica, Charneca de Caparica e Lazarim. Esta tarde, a presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica informa na sua página no Facebook que está a ser “disponibilizada água para apoio à população” em articulação com os Bombeiros Voluntários de Cacilhas.
“Todos os munícipes da Costa de Caparica que necessitem de água podem dirigir-se ao quartel dos Bombeiros da Costa de Caparica, onde estará disponível o respetivo abastecimento”, informa a autarca nas redes sociais. Apela ainda à “compreensão e à utilização responsável deste recurso, dando prioridade a quem dele mais necessita”. E alerta: “Esta água é para uso higiénico e não para consumo.”
O Observador questionou a Câmara Municipal de Almada e os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS de Almada) sobre os dados dos residentes no concelho que estão sem água esta terça-feira. Pediu ainda uma estimativa para a reposição da normalidade no abastecimento, mas até ao momento não obteve resposta. No entanto, em declarações à Lusa depois de uma reunião com o SMAS, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), a presidente da câmara revelou que a autarquia vai proibir alguns gastos de água não essenciais para restabelecer reservas, esperando que no prazo de “duas a três semanas” seja possível ultrapassar sucessivas falhas de abastecimento no município.
“Vamos ter que ser ainda mais rigorosos e proibir mesmo qualquer rega, não é apenas a pública, a privada, para ver se no espaço de duas semanas, três, conseguimos recuperar alguma folga”, afirmou Inês de Medeiros, reforçando ainda que já está “em marcha todo um sistema de distribuição de água por cisterna para as zonas mais críticas, para poder fornecer água às populações, naturalmente garantindo sempre o fornecimento de água aos equipamentos mais frágeis”. Isto acompanhado do lançamento de “uma grande campanha de fiscalização” a tudo o que seja “desvio indevido de água”, que “também aumentou muito”, acrescentou.
Recorde-se que, num comunicado emitido na segunda-feira, o município de Almada informou que, além do “aumento acentuado das temperaturas a par do crescimento da população sazonal no concelho” que fizeram aumentar o consumo de água para máximos históricos, algumas zonas de Almada registaram um “aumento muito expressivo” do consumo de água que “não teve correspondência na faturação, indicando situações de utilização irregular da rede”.
“Em resposta, foram constituídas equipas conjuntas dos SMAS de Almada e da Câmara Municipal de Almada que já se encontram no terreno, desenvolvendo ações de fiscalização e sensibilização, incluindo intervenções porta a porta nas zonas mais críticas”, informou ainda a autarquia.
Até ao momento, a autarquia e os SMAS de Almada não responderam ao Observador sobre a localização e forma destas “situações de utilização irregular” da rede pública de abastecimento.
Centro de Saúde da Costa da Caparica fechou portas devido à falta de água
A Unidade de Saúde Familiar (USF) Costa do Mar, na Costa de Caparica, no concelho de Almada, distrito de Setúbal, encerrou na tarde desta terça-feira devido à falta de água na região, segundo fontes oficiais.
Segundo a ULS Almada-Seixal (ULSAS), a USF Costa do Mar encerrou às 13h00, tendo sido garantida toda a atividade assistencial até essa hora. As consultas programadas e tratamentos de enfermagem previstos para a parte da tarde foram reprogramados, acrescenta.
O PSD, na oposição no município e na presidência da junta de freguesia da Costa de Caparica, anunciou que vai apresentar uma moção de censura à presidência da autarquia, liderada por Inês de Medeiros (PS). A moção de censura não é vinculativa e, por isso, não terá qualquer efeito prático na continuidade do executivo.
O Chega vai acompanhar a moção de censura do PSD ao executivo socialista da câmara de Almada, na sequência das falhas no abastecimento de água no concelho, anunciou esta terça-feira André Ventura.
“Para além do trabalho autárquico de fiscalização que já está a ser feito e das questões que estão a ser colocadas, o Chega vai acompanhar a moção de censura apresentada pelo PSD ao executivo de Almada, através dos seus autarcas”, anunciou o líder do partido, em declarações aos jornalistas na sede do Chega, após uma reunião do “governo-sombra” do partido.
O partido acusa também o Governo de falta de “proatividade” e de não “garantir que os meios nacionais estavam à disposição para colmatar falhas de natureza local”, nomeadamente através das Forças Armadas.
“Se estamos numa zona intensamente povoada, com intensa atividade económica nesta altura do ano, este falhanço é um falhanço da liderança da Câmara Municipal de Almada, que não tem nenhuma desculpa, e, por isso mesmo, talvez ontem nem sequer tenha querido dar a cara na reunião de Câmara em Almada, mas também do Governo da República, que deve assumir a sua responsabilidade, por numa das zonas situadas nas maiores bacias hidrográficas do país, haver falhas regulares de abastecimento de água”, defendeu Ventura.
Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição não tem registo de ruturas de stock de água engarrafada
Vários moradores do concelho de Almada têm relatado nas redes sociais situações de escassez de água engarrafada em várias superfícies comerciais. Residentes ouvidos pelo Observador dizem ter dificuldade em encontrar garrafões de água nos supermercados locais.
Questionada pelo Observador, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) diz não ter até agora “registo de ruturas de stock de água engarrafada” nas lojas dos seus associados.
“Na sequência da recente onda de calor, as empresas reforçaram respetivamente os seus stocks, tanto em loja como nos entrepostos, por forma a responder a um eventual aumento da procura”, informa ainda a associação.
A APED garante que vai continuar a “acompanhar de perto a evolução da situação, em articulação com os seus associados, esperando que as condições de abastecimento de água sejam restabelecidas com a maior brevidade possível em todo o concelho”.