Na noite de 16 de outubro de 2025, uma bomba explodiu em frente à casa de Sigfrido Ranucci, jornalista de renome e apresentador do programa de investigação Report, da televisão pública italiana RAI, nos arredores de Roma, destruindo dois automóveis e parte do muro da residência. Cerca de nove meses depois, a investigação levou à detenção de quatro suspeitos e passou a apontar para Valter Lavitola, antigo jornalista e atualmente proprietário de um restaurante de marisco, que terá alegadamente planeado o atentado. O empresário, segundo o Corriere della Sera, está a ser investigado por suspeita de tentativa de homicídio em massa.
Os investigadores, de acordo com o jornal italiano, ainda não conseguiram apurar o motivo do ataque, mas acreditam que Lavitola recrutou os alegados autores do atentado, a quem terá pago vários milhares de euros para colocarem a bomba. Para comunicar com os suspeitos, terá recorrido a um empregado de mesa como intermediário, enviando-o posteriormente para os Camarões.
Na semana passada, a polícia desencadeou uma operação que levou à detenção dos alegados autores do atentado contra Sigfrido Ranucci. Os suspeitos ficaram sujeitos a prisão preventiva por posse de explosivos e dano agravado por métodos mafiosos. As autoridades prosseguem agora as buscas para identificar outras pessoas que possam ter fornecido os explosivos ou prestado apoio logístico ao grupo, noticiou a agência de notícias ANSA.
“Estou chocado. O Lavitola e eu somos amigos: não consigo acreditar”
Ranucci e Lavitola tornaram-se amigos em 2019, na sequência de uma investigação jornalística realizada pelo primeiro sobre o passado do empresário, que esteve envolvido em vários processos judiciais e foi condenado, em 2014, por extorsão ao antigo primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. “Estou chocado. O Lavitola e eu somos amigos: não consigo acreditar”, admitiu o apresentador do programa Report ao jornal italiano. “Fiquei muito surpreendido com esta reviravolta na investigação”.
O jornalista afirmou ainda que “nunca escondeu” a amizade com Lavitola, dono de um restaurante em Roma onde costumava jantar, e revelou que o último contacto entre ambos ocorreu quando a polícia realizava buscas à casa do empresário. “Ele estava agitado”, disse Ranucci ao Corriere della Sera.
Uma bomba artesanal, mas de grande potência, explodiu em frente à casa de Ranucci, nos arredores de Roma, destruindo quase por completo o seu automóvel e o da filha. Ninguém ficou ferido na explosão, que ocorreu pouco depois do jornalista — há vários anos sob proteção policial devido a ameaças — ter regressado a casa nessa noite.
As investigações de Ranucci para o programa Report, segundo o The Guardian, centram-se em alegados casos de corrupção e criminalidade, envolvendo frequentemente figuras de destaque da política italiana. Ao longo dos anos, vários membros do Governo processaram o programa, enquanto o jornalista se destacou também pelas críticas à alegada interferência política na RAI por parte do executivo liderado por Giorgia Meloni. Autor de um livro sobre a máfia italiana, o jornalista revelou, em 2021, que um antigo recluso lhe contou que elementos da máfia tinham recebido ordens para o matar na sequência da publicação da obra.