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(A) :: Empresário suspeito de planear atentado com bomba em frente à casa de jornalista italiano de quem é amigo

Empresário suspeito de planear atentado com bomba em frente à casa de jornalista italiano de quem é amigo

Atentado aconteceu em 2025. Foram detidas quatro pessoas na semana passada. Sigfrido Ranucci considerava Valter Lavitola, condenado por extorsão contra Silvio Berlusconi em 2014, como um "amigo".

Margarida Vieira dos Santos
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Na noite de 16 de outubro de 2025, uma bomba explodiu em frente à casa de Sigfrido Ranucci, jornalista de renome e apresentador do programa de investigação Report, da televisão pública italiana RAI, nos arredores de Roma, destruindo dois automóveis e parte do muro da residência. Cerca de nove meses depois, a investigação levou à detenção de quatro suspeitos e passou a apontar para Valter Lavitola, antigo jornalista e atualmente proprietário de um restaurante de marisco, que terá alegadamente planeado o atentado. O empresário, segundo o Corriere della Sera, está a ser investigado por suspeita de tentativa de homicídio em massa.

Os investigadores, de acordo com o jornal italiano, ainda não conseguiram apurar o motivo do ataque, mas acreditam que Lavitola recrutou os alegados autores do atentado, a quem terá pago vários milhares de euros para colocarem a bomba. Para comunicar com os suspeitos, terá recorrido a um empregado de mesa como intermediário, enviando-o posteriormente para os Camarões.

Na semana passada, a polícia desencadeou uma operação que levou à detenção dos alegados autores do atentado contra Sigfrido Ranucci. Os suspeitos ficaram sujeitos a prisão preventiva por posse de explosivos e dano agravado por métodos mafiosos. As autoridades prosseguem agora as buscas para identificar outras pessoas que possam ter fornecido os explosivos ou prestado apoio logístico ao grupo, noticiou a agência de notícias ANSA.

“Estou chocado. O Lavitola e eu somos amigos: não consigo acreditar”

Ranucci e Lavitola tornaram-se amigos em 2019, na sequência de uma investigação jornalística realizada pelo primeiro sobre o passado do empresário, que esteve envolvido em vários processos judiciais e foi condenado, em 2014, por extorsão ao antigo primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. “Estou chocado. O Lavitola e eu somos amigos: não consigo acreditar”, admitiu o apresentador do programa Report ao jornal italiano. “Fiquei muito surpreendido com esta reviravolta na investigação”.

O jornalista afirmou ainda que “nunca escondeu” a amizade com Lavitola, dono de um restaurante em Roma onde costumava jantar, e revelou que o último contacto entre ambos ocorreu quando a polícia realizava buscas à casa do empresário. “Ele estava agitado”, disse Ranucci ao Corriere della Sera.

Uma bomba artesanal, mas de grande potência, explodiu em frente à casa de Ranucci, nos arredores de Roma, destruindo quase por completo o seu automóvel e o da filha. Ninguém ficou ferido na explosão, que ocorreu pouco depois do jornalista — há vários anos sob proteção policial devido a ameaças — ter regressado a casa nessa noite.

As investigações de Ranucci para o programa Report, segundo o The Guardian, centram-se em alegados casos de corrupção e criminalidade, envolvendo frequentemente figuras de destaque da política italiana. Ao longo dos anos, vários membros do Governo processaram o programa, enquanto o jornalista se destacou também pelas críticas à alegada interferência política na RAI por parte do executivo liderado por Giorgia Meloni. Autor de um livro sobre a máfia italiana, o jornalista revelou, em 2021, que um antigo recluso lhe contou que elementos da máfia tinham recebido ordens para o matar na sequência da publicação da obra.