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(A) :: De excedentário a indispensável na Luz e na Noruega: Schjelderup dá-se melhor nos invernos e nas primaveras, mas está a brilhar no verão

De excedentário a indispensável na Luz e na Noruega: Schjelderup dá-se melhor nos invernos e nas primaveras, mas está a brilhar no verão

Entrou como super promessa na Luz, mas foi emprestado pouco depois. Schmidt nunca pareceu apreciar o norueguês, um golo ao Sporting convenceu Lage e um jogo de Champions fez Mourinho reconsiderar.

Manuel Conceição Carvalho
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Esteve a um passo de deixar o Benfica no mercado de transferências de janeiro. Agora, fez as duas assistências para os golos de Erling Haaland que acabaram por eliminar o Brasil, adiando outra vez o sonho do hexa e conduzindo a quarta presença da Noruega na história dos Mundiais até, pelo menos, aos quartos da prova. Agora, se Schjelderup saísse dos encarnados, não seria como excedentário, mas por começar a aproximar-se das promessas que o seu futebol fazia quando o Benfica o contratou no inverno de 2023.

O norueguês chegou à Luz na companhia do dinamarquês Casper Tengstedt, ambos provenientes do norte da Europa: o primeiro vindo dos dinamarqueses do Nordsjaelland, o segundo dos noruegueses do Rosenborg. Schjelderup chegou ao Benfica com um estatuto de super promessa, ao passo que o seu companheiro vinha como projeto de jogador. A verdade é que os papéis inverteram-se e o projeto de jogador, Tengstedt, transformou-se em real solução para a equipa principal em 2023/2024, quando fez 31 jogos pelo clube da Luz. Ao mesmo tempo que Roger Schmidt preferia Tengstedt, preteria Schelderup, que, na mesma época, voltou aos dinamarqueses por empréstimo, onde marcou dez golos e fez 11 assistências em 38 jogos. Sim, à sua frente, no plantel das águias, estavam João Mário, Di Maria, Rafa Silva e David Neres. Mas também estavam Rollheiser, Tiago Gouveia e um Gonçalo Guedes muito fustigado por lesões.

O bom regresso às origens levantava as suas esperanças para a época 2024/2025 no Benfica, mas Roger Schmidt nunca pareceu olhar para o norueguês, que chegou durante a estadia do técnico na Luz, como olhava para outras promessas. Nem se tratava de um jogador que outro treinador solicitou antes de ser despedido. O início dessa época, em agosto, não trouxe qualquer minuto para o extremo, mas também ditou a saída do treinador alemão. Schjelderup voltou a ter minutos de águia ao peito com o substituto de Schmidt: Bruno Lage. O começo não foi uma via aberta para o onze que, ainda assim, já tinha menos concorrentes de peso para a posição do norueguês. Já não estavam David Neres, João Mário nem Rafa Silva. Rolheiser também acabou por sair em janeiro. Mesmo assim, feitas as contas, no final de dezembro, Schjelderup tinha apenas 122 minutos: pouco mais de um jogo completo em meia época, agora na sombra de Amdouni e de Kerem Aktürkoğlu.

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A história estava prestes a mudar para o norueguês no início de janeiro. A dias de entrar em campo na Final Four da Taça da Liga, o Benfica perdeu por 2-1 diante do Sp. Braga na Luz, para o Campeonato. Eram precisamente os bracarenses os adversários dos encarnados na meia-final em Leiria, quatro dias depois. Bruno Lage tinha de mudar algo para alterar um desfecho similar ao do jogo para a Liga. Uma das mudanças foi precisamente a entrada de Schjelderup no onze titular. O Benfica venceu esse duelo por 3-0 e o norueguês esteve bem o suficiente para agarrar um lugar na titularidade na final da prova, contra o Sporting. Aos 29′ do dérbi, vindo do corredor esquerdo, cortou para o meio e bateu Franco Israel.

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O Benfica acabou a vencer a partida nas grandes penalidades, depois de uma igualdade a uma bola nos 90 minutos, e conquistou a Taça da Liga. A segunda metade da época foi diametralmente oposta à primeira, com Schjelderup a somar 1.398 minutos numa época em que se despediu a marcar no Mundial de Clubes, na vitória inédita do Benfica diante do Bayern em jogos oficiais, nos EUA, onde agora está com a seleção norueguesa.

A saída de Bruno Lage e a chegada de José Mourinho, em setembro, não trouxeram um novo começo para Schjelderup – trouxeram mais do mesmo. Com apenas 483 minutos até janeiro, pouco mais do que cinco jogos completos, o norueguês voltava a ser um jogador sem futuro definido na Luz. Em janeiro, a contratação de Sidny Lopes Cabral parecia confirmar o que muitos já suspeitavam: o fim de linha estava próximo. O Club Brugge era dado como destino certo, mas a Serie A e a Liga turca também foram faladas. Dévy Rigaux, diretor desportivo dos belgas, chegou a confirmar que o entendimento estava praticamente fechado – proposta de oito milhões de euros, mais três milhões por objetivos, e até um acordo com o próprio jogador.

O que ninguém esperava era o que aconteceu a 28 de janeiro, na última jornada da fase de liga da Champions. Mourinho, condicionado por lesões e ausências, lançou Schjelderup de início. A noite ficará sempre marcada pelo cabeceamento de Trubin, que segurou o 4-2 nos instantes finais e garantiu ao Benfica o passaporte para os playoffs – mas Schjelderup foi uma das grandes figuras durante os 90 minutos, com dois golos apontados. Nessa mesma noite, às 6h da manhã, o jogador enviou uma mensagem ao dirigente belga: a transferência não ia avançar.

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“Se não tivesse bisado contra o Real Madrid, poderia ser jogador do Club Brugge”, admitiu Rigaux, sem rodeios. Mourinho voltou atrás na sua decisão. E Schjelderup somou 2.085 minutos pelo Benfica desde o início de 2026 – parecia estar sempre mais talhado para os invernos e para as primaveras do que para os outonos.

O epílogo escreveu-se nos oitavos de final do Mundial-2026, no verão. Com a Noruega a precisar de fazer a diferença frente ao Brasil, Schjelderup entrou em campo e voltou a fazer o que já tinha feito tantas vezes: aparecer quando menos se esperava. Primeiro, cruzou da esquerda para Haaland cabecear e fazer o 1-0, aos 79 minutos; depois, aos 90′, colocou novamente a bola nos pés do avançado do Manchester City, que rematou forte e rasteiro por entre as pernas de Danilo para o 2-0. Haaland chegava aos sete golos no torneio.

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“Esta química com Haaland não se aprende. Ou tens ou não tens”, afirmou Stäle Solbakken, selecionador norueguês, depois do triunfo. “Vejo as qualidades dele todos os dias. Entrou em campo e fez exatamente o que esperávamos. Não dá para pedir mais. O balneário acredita nele porque já o viu criar momentos como este inúmeras vezes”, concluiu.

A Noruega, pela primeira vez na sua história, está nos quartos de final de um Mundial. E Schjelderup está agora no centro de uma boa “dor de cabeça” para Solbakken, que agora tem de decidir para o jogo diante da seleção inglesa, no próximo sábado, entre o extremo do Benfica e Antonio Nusa, que joga na mesma posição e apontou um golo importante na vitória frente à Costa do Marfim (1-2), nos 16 avos.