Descrito pelo jornal desportivo espanhol AS como “o Figo egípcio” e pelo argentino La Nación como “o faraó rebelde”, o médio Emam Ashour, de 28 anos, tem sido um dos principais destaques da seleção do seu país, juntamente com o ex-jogador do Liverpool Mohamed Salah. No entanto, o seu histórico é preenchido com polémicas desportivas, mas também legais.
É considerado uma das promessas do Egipto e tem um valor de mercado de quatro milhões de euros, segundo dados da Transfermarkt, sendo o quarto jogador mais valioso da seleção. O seu estilo de jogo é descrito como “individualista” pelo La Nación e Ashour é caracterizado como tendo uma “grande potência física, velocidade nas transições ofensivas e defensivas e um chuto preciso de média e longa distância”, algo que fez com que, no Mundial 2026, tivesse um aproveitamento dos passes de 89%, segundo a FIFA.
Tem-se destacado pela “capacidade de atrair a marcação e criar espaços sem a bola”, algo que possibilitou a vitória contra a Nova Zelândia e o empate frente à Bélgica. No Mundial 2026, marcou dois golos, o que fez dele um dos três egípcios a marcar mais do que uma vez num campeonato do mundo, juntamente com Abdelrahman Fawzy e Mohamed Salah.
Suspensões, multas milionárias e agressão a segurança
Em 2021, quando era jogador do Zamalek SC, um dos principais clubes do Egito, Ashour foi suspenso até ao final da época por ter sido apanhado a agredir Walid Soliman, jogador da equipa rival Al Ahly. No entanto, acabaria por ser suspenso apenas por dez jogos e condenado ao pagamento de uma multa de 100 mil libras egípcias (1.788 euros).
Dois anos depois, o jogador assinou com o clube dinamarquês Midtjylland, por três milhões de euros, mas acabaria por aproveitar uma licença médica para regressar ao Egipto no mesmo ano, após desentendimentos com o treinador Thomas Thomasberg, que o impedia de jogar, e por ter sofrido uma lesão. Acabaria por ser vendido ao Al Ahly, rival do clube onde jogou até 2023, algo que foi um “choque para o futebol egípcio”, refere o AS.
No Al Ahly, clube onde joga atualmente, conquistou o campeonato nacional e a Liga dos Campeões da África, além de ter marcado nove golos e feito nove assistências. No entanto, a sua carreira no clube também foi marcada por incidentes disciplinares e um julgamento em tribunal. Em junho de 2024, foi condenado a seis meses de prisão por ter agredido um segurança de um centro comercial, porque, de acordo com Ashour, não protegeu a sua companheira, que tinha sido assediada por um grupo de homens.
“Reagi daquela forma porque recebi uma chamada da minha esposa, Yasmine, a dizer que estava a ser assediada por um grupo de jovens e que os seguranças não faziam nada”, esclareceu à época. Acabaria por não cumprir pena após ter pagado uma indemnização ao segurança.
Regressado ao clube, foi alvo de multas milionárias por problemas disciplinares: um milhão de libras egípcias (17.882 euros) após ter tido uma forte discussão com o capitão da equipa, Mohamed El-Shenawy, por ter sido colocado no banco dos suplentes durante um jogo da Liga dos Campeões; e 1,5 milhão de libras (26.823 euros) por não ter comparecido no aeroporto para jogar uma partida da Liga dos Campeões da África, na Tanzânia.
No primeiro incidente, que aconteceu em novembro de 2024, “foi suspenso pelo clube [e] obrigado a treinar sozinho”, refere o AS, enquanto no segundo caso, ocorrido em janeiro de 2026, não deu qualquer explicação para a sua ausência. Além da multa, foi suspenso durante duas semanas.
Apesar das polémicas, foi um dos convocados pelo selecionador Hossam Hassan para este Mundial, tendo contribuído para que o Egipto chegasse aos oitavos de final, e está na mira dos sauditas, havendo também rumores de interesses por parte da Premier League inglesa, segundo o AS. O interesse do clube saudita Neom SC foi noticiado no Egito, “mas o Al Ahly está à espera de pelo menos dez milhões de euros para o vender”, refere o jornal espanhol.