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(A) :: A relação de "pai e filho" com Platini, a provocação a Ronaldo e as suspeitas de corrupção: Blatter, o mais polémico presidente da FIFA

A relação de "pai e filho" com Platini, a provocação a Ronaldo e as suspeitas de corrupção: Blatter, o mais polémico presidente da FIFA

Levou o Mundial a novos continentes, imitou Ronaldo em palco e defendeu calções justos para o futebol feminino. Sepp Blatter acabou por abandonar o cargo no meio da maior crise da história da FIFA.

Manuel Conceição Carvalho
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Zurique, 20 de julho de 2015. Joseph Blatter estava sentado atrás de uma mesa, na sede da FIFA, prestes a anunciar a data da eleição que viria a ditar o seu sucessor. Foi então que um homem se aproximou, colocou um maço de notas à sua frente e disse: “Aqui tens, Sepp. Isto é para a Coreia do Norte, em 2026”. Blatter chamou de imediato pela segurança. “Onde está a minha segurança? Vá lá”, disse, visivelmente incomodado. Quando os seguranças começaram a escoltar o intruso para fora da sala, este aproveitou para atirar as notas ao ar, que caíram sobre Blatter e a mesa à sua frente. O homem era o comediante britânico Simon Brodkin, conhecido pelo alter ego Lee Nelson. O gesto surgia poucos dias depois de as autoridades norte-americanas terem indiciado vários dirigentes e responsáveis de marketing da FIFA por corrupção. Blatter, transtornado, abandonou a sala enquanto funcionários limpavam o dinheiro falso espalhado pelo chão.

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Nascido a 10 de março de 1936 em Visp, uma pequena cidade suíça no cantão do Valais, Joseph “Sepp” Blatter fez o percurso académico em colégios suíços antes de se licenciar em Administração de Empresas e Economia pela Universidade de Lausanne, em 1959. Jogou futebol amador entre 1948 e 1971 e chegou a integrar a direção do clube helvético Neuchâtel Xamax, mas a sua carreira profissional começou longe dos relvados: foi responsável de relações públicas do gabinete de turismo do Valais e, mais tarde, trabalhou para a relojoeira Longines.

A ligação à FIFA começou em 1975, quando foi nomeado diretor do departamento técnico da organização, cargo no qual ajudou a criar o Mundial de sub-20. Em 1981, tornou-se secretário-geral, posição que ocupou durante 17 anos sob a presidência do brasileiro João Havelange. Foi nesse papel que, segundo o mesmo texto, transformou a FIFA – então com apenas 11 funcionários – numa organização global com centenas de colaboradores permanentes. A 8 de junho de 1998, no 51.º Congresso da FIFA, em Paris, Blatter foi eleito o oitavo presidente da organização, sucedendo a Havelange.

A chegada de Blatter à presidência ficou também associada a uma mudança profunda na dimensão financeira e política da FIFA. Ao longo dos anos seguintes, a organização multiplicou receitas através da venda de direitos televisivos, patrocínios e competições internacionais, ao mesmo tempo que reforçou a influência junto das federações mais pequenas. Em 1999, lançou o programa GOAL, destinado a financiar várias infraestruturas e projetos de desenvolvimento em países com menos recursos, uma iniciativa que permitiu construir centros técnicos, sedes federativas e campos de treino em dezenas de nações. Os apoiantes viam na estratégia uma democratização do futebol mundial; os críticos acusavam Blatter de utilizar os investimentos para consolidar a sua base eleitoral entre as mais de duas centenas de federações filiadas na FIFA – muitos anos depois, a mesma “tática” que também é apontada a Gianni Infantino.

O Mundial em novos continentes, tecnologia e os calções justos no futebol feminino

Foi também durante a sua presidência que o Campeonato do Mundo chegou, pela primeira vez, à Ásia, em 2002, através da organização conjunta entre Coreia do Sul e Japão, e, oito anos mais tarde, ao continente africano, com a edição de 2010, na África do Sul. Blatter defendeu repetidamente que levar o principal torneio da FIFA a África representava o pagamento de “uma dívida” para com o continente, que nunca tinha acolhido a competição e considerou esse um dos maiores legados da sua presidência.

O seu mandato ficou associado a uma expansão comercial sem precedentes do futebol. Sob a sua liderança, a FIFA lançou o Mundial de Clubes em 2000 e introduziu a tecnologia da linha de golo. A posição de Blatter sobre a utilização de tecnologia no futebol nem sempre foi a mesma. Durante vários anos, opôs-se à introdução de meios eletrónicos para auxiliar os árbitros, defendendo que o erro humano fazia parte do jogo. A postura alterou-se radicalmente após esse Mundial de 2010, quando um remate de Frank Lampard ultrapassou a linha de baliza frente à Alemanha, sem que o golo fosse validado pela equipa de arbitragem. Dias depois, Blatter reconheceu que seria “um absurdo não reabrir o debate sobre a tecnologia da linha de golo”, acabando por liderar o processo que resultaria na sua aprovação pelo International Football Association Board (IFAB) e posterior implementação nas principais competições organizadas pela FIFA.

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Joseph Blatter foi reeleito sem oposição em 2007, apesar de apenas 66 das 207 federações membros o terem nomeado formalmente, de acordo com o The Guardian. Mas o crescimento financeiro trouxe consigo escândalos sucessivos. Em 2002, o então secretário-geral da FIFA, Michel Zen-Ruffinen, acusou publicamente Blatter de ter vencido a eleição de 1998 à custa de suborno e disse haver uma gestão financeira danosa da organização. Foi também nesse ano que Blatter protagonizou um dos seus comentários mais controversos, ao afirmar, numa entrevista ao jornal suíço Sonntagsblick, que uma forma de aumentar a popularidade do futebol feminino seria através de calções mais justos, que tornariam o jogo mais “apelativo”.

Apesar do crescimento financeiro da FIFA, as suspeitas sobre a forma como a organização geria os seus contratos comerciais acompanhavam Blatter praticamente desde o início da presidência. Um dos casos mais mediáticos foi o da International Sport and Leisure (ISL), empresa suíça responsável durante anos pela comercialização dos direitos televisivos e de marketing das principais competições da FIFA.

A empresa declarou falência em 2001 e as investigações conduzidas pelas autoridades suíças revelaram posteriormente a existência de um esquema de pagamento de dezenas de milhões de francos suíços em subornos a altos dirigentes do futebol para garantir contratos comerciais. Os documentos judiciais identificaram, entre os beneficiários, o antigo presidente da FIFA João Havelange e Ricardo Teixeira, então presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Blatter nunca foi acusado de receber qualquer pagamento ilícito no âmbito do processo, mas enfrentou fortes críticas por ter integrado a direção da FIFA durante todo o período em que o esquema funcionou e por não ter promovido uma investigação interna mais profunda quando o caso se tornou público.

O bate-boca com Ferdinand e Ronaldo, que era “como um comandante em campo”

Em 2011, Blatter tornou a gerar polémica ao dizer que os episódios de racismo dentro de campo podiam ser resolvidos com um aperto de mão entre os jogadores envolvidos. O antigo defesa inglês Rio Ferdinand reagiu nas redes sociais dizendo estar “atónito” com as declarações, questionando: “Se os adeptos gritam cânticos racistas mas apertamos as mãos, está tudo bem?”. Pouco depois, acrescentou: “Sinto-me estúpido por ter pensado que o futebol estava a assumir um papel de liderança contra o racismo – parece que esteve apenas em silêncio durante uns tempos”.

A FIFA respondeu publicando no seu site uma declaração de Blatter acompanhada de uma fotografia do suíço a abraçar Tokyo Sexwale, ministro do Governo sul-africano e antigo prisioneiro de Robben Island – uma prisão de segurança máxima utilizada pelo Governo da África do Sul para isolar ativistas políticos que lutavam contra o regime de segregação racial – o que levou Ferdinand a ironizar de novo: “A FIFA esclarece os comentários de Blatter com uma foto dele a posar com um homem negro… preciso do emoji das mãos a tapar os olhos!”, publicou.

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Blatter viria a responder diretamente a Ferdinand: “O ‘homem negro’, como lhe chamas, tem um nome: Tokyo Sexwale. Ele fez um trabalho extraordinário contra o racismo e o apartheid em África. Fizemos várias atividades conjuntas para sensibilizar para a luta contra o racismo na África do Sul”, escreveu.

https://twitter.com/SeppBlatter/status/137113645392990208

O episódio mais conhecido que Blatter protagonizou com um atleta não foi o que teve com Ferdinand. Foi outro, anos mais tarde, com Cristiano Ronaldo. Em outubro de 2013, questionado num evento no Reino Unido sobre quem preferia entre o português e Lionel Messi para a Bola de Ouro desse ano, Blatter respondeu que ambos eram jogadores excecionais, mas de perfis distintos: Messi era “um bom rapaz, que qualquer pai e qualquer mãe gostariam de ter em casa”, enquanto Ronaldo era “como um comandante em campo” – e levantou-se da cadeira para imitar, de forma teatral, o andar do português. Acrescentou ainda que “um deles tem mais despesas de cabeleireiro do que o outro, mas isso não interessa”, numa observação que arrancou risos à audiência.

O gesto não caiu bem em Madrid: o presidente do Real, Florentino Pérez, escreveu à FIFA a pedir uma retificação, e o treinador Carlo Ancelotti classificou os comentários como “desrespeitosos para com um jogador muito profissional”, de acordo com o mesmo jornal. O próprio Cristiano Ronaldo respondeu com ironia nas redes sociais a todo esse episódio: “Este vídeo mostra claramente o respeito e a consideração que a FIFA tem por mim, pelo meu clube e pelo meu país”.

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Blatter viria a pedir desculpa, insistindo que não teve intenção de desrespeitar o avançado, que num jogo após as declarações, diante do Sevilha, fez uma continência como festejo – uma resposta clara aos comentários do presidente da FIFA.

Os dois milhões de francos suíços transferidos da FIFA para Platini

A época dourada da presidência de Blatter, contudo, escondia processos que se acumulavam nos bastidores. Em 2011, a candidatura do qatari Mohamed bin Hammam à presidência da FIFA foi interrompida por um escândalo de suborno que o levou a uma suspensão vitalícia, deixando Blatter a candidatar-se sozinho – e a vencer – a sua quarta reeleição. Foi nesse contexto que, de acordo com a France 24 e a Al Jazeera, Blatter terá aprovado um pagamento de dois milhões de francos suíços (cerca de 2,2 milhões de euros, ao câmbio atual) a Michel Platini, então presidente da UEFA e potencial adversário na corrida à liderança da FIFA, alegadamente referente a trabalho de consultoria prestado entre 1998 e 2002. O pagamento tornou-se o centro de um processo criminal que atravessaria a década seguinte.

A relação entre os dois homens remontava a décadas e tinha sido, nas palavras do próprio Blatter, de “pai e filho”. “Ele trabalhou para mim durante quatro anos na FIFA, depois do Mundial de 1998 em França. Juntos preparámos a sua entrada nos órgãos diretivos da UEFA e da FIFA. Em 2007, tornou-se presidente da UEFA, com o meu apoio direto”, contaria Blatter em 2015, citado pela France 24. Mas a relação azedou de forma dramática em 2015, quando Platini se recusou a apoiar a recandidatura de Blatter e o próprio confirmou a sua intenção de concorrer à presidência da FIFA. Blatter chegou a acusar Platini de ter ameaçado o seu irmão de 80 anos, dizendo-lhe para transmitir a Blatter que se não se retirasse da corrida “iria preso” – uma acusação que o campo de Platini classificou como “uma fabricação completa”. Dias depois, surgiu um dossiê anónimo, alegadamente com origem na sede da FIFA, intitulado “Platini – o esqueleto no armário”, com críticas duras ao francês. “Perdoo tudo, mas não esqueço”, disse Blatter.

A “má escolha” que foi o Qatar, a saída da presidência da FIFA e o “esgotamento físico”

Foi também nesse contexto de rutura que emergiu um dos episódios mais controversos de toda a presidência de Blatter: a votação, em dezembro de 2010, que atribuiu os Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar, respetivamente. Anos mais tarde, já afastado da FIFA, Blatter viria a admitir publicamente que a escolha do Qatar tinha sido um erro, por ser “demasiado pequeno” para receber um evento com a dimensão de um Campeonato do Mundo. “Foi uma má escolha. E eu fui o responsável por isso, como presidente na altura”, disse numa entrevista em novembro de 2022, sete anos depois de sair da presidência da FIFA e a semanas do início da prova.

Segundo Blatter, o comité executivo da FIFA tinha inicialmente acordado atribuir o Mundial de 2018 à Rússia e o de 2022 aos Estados Unidos – “um gesto de paz”, nas suas palavras – mas o plano mudou depois de o então presidente francês Nicolas Sarkozy ter reunido com Platini e o atual emir do Qatar, dias antes da votação. “Graças aos quatro votos de Platini e da sua equipa da UEFA, o Mundial foi para o Qatar em vez dos Estados Unidos. É a verdade”, afirmou Blatter, referindo-se ao resultado final de 14-8. Platini, em declarações à Associated Press em 2015, confirmara parcialmente o encontro em Paris, embora tenha negado que Sarkozy lhe tivesse pedido diretamente para votar no Qatar.

O momento decisivo da carreira de Blatter chegou a 27 de maio de 2015. Investigadores federais dos Estados Unidos revelaram uma investigação alargada a dirigentes do futebol internacional, e as autoridades suíças efetuaram detenções de madrugada em hotéis de Zurique, apreendendo registos financeiros da FIFA. Dias depois, a 29 de maio, e apesar do escândalo, Blatter venceu um quinto mandato como presidente da FIFA, depois de o seu único adversário, o príncipe Ali bin Al Hussein, se ter retirado da corrida após a primeira volta. Perante os apelos generalizados à sua demissão, Blatter disse aos delegados: “O futebol precisa de um líder forte e experiente”. A resistência durou apenas alguns dias: a 2 de junho de 2015, numa conferência de imprensa, Blatter anunciou a sua saída. “A FIFA tem sido a minha vida… o que mais importa para mim é a FIFA e o futebol em todo o mundo”, disse, citado pela Sky Sports.

A decisão surgiu num momento em que a pressão sobre a FIFA já extravasava o universo do futebol. Nos dias que antecederam o anúncio da demissão, vários dos principais patrocinadores da organização exigiram publicamente mudanças profundas na governação da instituição. A Coca-Cola defendeu uma reforma “rápida e credível” da FIFA, afirmando que a crise tinha manchado “a missão e os ideais” da organização, enquanto a Adidas considerou que a imagem negativa da entidade estava a afetar o futebol e apelou à implementação de reformas “sem demora”. Também a Visa admitiu reavaliar a relação comercial caso a FIFA não restaurasse a confiança na instituição. A crescente pressão exercida pelos patrocinadores foi apontadacomo um dos fatores que contribuíram para acelerar a saída da presidência.

https://observador.pt/2021/11/02/joseph-blatter-e-michel-platini-acusados-de-fraude-por-pagamento-de-18-milhoes-de-euros/

A pressão cobrou o seu preço fisicamente. Em novembro de 2015, poucos meses depois de ter sido provisoriamente suspenso das suas funções, Blatter foi hospitalizado na Suíça devido àquilo que a sua equipa descreveu como um colapso relacionado com stress – um “esgotamento físico” e um “pequeno esgotamento emocional”, segundo relatos citados pela Newsweek. O seu porta-voz, Klaus Stohlker, disse que o dirigente estava “sob uma enorme pressão”. Blatter recuperou e teve alta dias depois.

A queda ainda teria mais um capítulo. Em dezembro de 2015, a Comissão de Ética da FIFA baniu Blatter e Platini do futebol durante oito anos, pena reduzida a seis anos depois em recurso, confirmada pelo Tribunal Arbitral do Desporto. Em novembro de 2021, os procuradores federais suíços formalizaram uma acusação criminal contra ambos, indicando que o pagamento de 2011 tinha “prejudicado o património da FIFA e enriquecido ilicitamente Platini”.

Blatter foi acusado de fraude, de apropriação indébita, má gestão criminosa e falsificação de documentos. Platini foi acusado de fraude, de participação em apropriação indébita, participação em má gestão criminosa (como cúmplice) e falsificação de documentos. Originalmente, as partes haviam assinado um contrato escrito em 1999 que previa uma compensação anual de 300 mil francos suíços, valor que já tinha sido totalmente faturado por Platini e pago pela FIFA na época. No entanto, de acordo com a acusação, mais de oito anos após o fim da consultoria, Platini exigiu o pagamento milionário adicional que, com a conivência de Blatter, foi realizado sem que houvesse qualquer base legal para tal.

O julgamento, em Bellinzona, Suíça, terminou a 8 de julho de 2022 com a absolvição de ambos. “Não sou inocente na minha vida, mas neste caso, sou inocente”, disse Blatter ao entrar na sala do tribunal. O Ministério Público suíço recorreu da decisão, mas o desfecho manteve-se: a 25 de março de 2025, um tribunal de recurso em Muttenz confirmou a absolvição de Blatter e Platini, encerrando um processo que se arrastava havia praticamente uma década.

https://observador.pt/2025/08/28/platini-e-blatter-ex-presidentes-da-uefa-e-fifa-definitivamente-absolvidos-na-suica/

A vida de Sepp Blatter depois do processo e da presidência da FIFA

Blatter mantém-se ativo no debate futebolístico. Em janeiro de 2026, associou-se aos apelos de boicote ao Mundial-2026, disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, citando as políticas migratórias da administração Trump e recomendando aos adeptos que ficassem “longe dos EUA”. Mais recentemente, foi uma das vozes críticas da anulação da suspensão do norte-americano Folarin Balogun, que tinha visto um cartão vermelho num jogo contra a Bósnia, numa partida a contar para os 16 avos de final da prova.

Por isso, ficou disponível para o jogo da fase seguinte, diante da Bélgica, que acabou por vencer a partida por 4-1. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, terá telefonado a Gianni Infantino, atual presidente da FIFA, alegando que o lance “não foi falta” e exigindo uma reavaliação da decisão. Isso não agradou a Blatter: “Os cartões vermelhos não são anulados por telefonemas políticos. São anulados com base nas regras, nas provas e por órgãos independentes. Se um presidente dos Estados Unidos intervém junto do presidente da FIFA – e um jogador é subitamente ilibado antes de um jogo a eliminar do Campeonato do Mundo – a pergunta torna-se inevitável: Quo vadis [Para onde vais], FIFA? O futebol nunca deve tornar-se um campo de jogo para o poder político”, escreveu na rede social X.

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Joseph Blatter deixou a presidência da FIFA depois de cinco mandatos, 1,34 mil milhões de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros, em outubro de 2015) nos cofres da organização e um legado que continua a dividir opiniões: entre quem o recorda como o homem que globalizou definitivamente o futebol, levando o Mundial pela primeira vez à Ásia e a África – ou seja, colocando na prática o plano inicialmente traçado pelo antecessor, João Havelange –, e quem o associa a duas décadas de escândalos que mancharam a reputação do desporto-rei, alegadamente preterido pelo dinheiro.

Foi do cantão do Valais que saiu para conquistar a FIFA. Foi ao Valais que regressou depois de cinco mandatos, da maior crise da história da organização e de uma absolvição que encerrou quase uma década de batalhas judiciais. Agora reformado, com 90 anos, Sepp Blatter acompanha o futebol longe do centro do poder, praticamente onde a sua história começou.