Duas etapas, dois finais decididos pelos homens da geral. O início da 113.ª edição da Volta a França deverá ser em tudo semelhante ao final, com Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) a dominarem as duas primeiras etapas, realizadas em Barcelona, num percurso que favoreceu a luta pela geral. Depois de a formação neerlandesa ter vencido o contrarrelógio coletivo, a equipa do Médio Oriente respondeu na primeira etapa em linha, assumiu o ritmo nas três passagens por Montjuïc e levou Isaac del Toro ao triunfo, depois de o esloveno lhe ter “oferecido” a vitória numa etapa em que o mexicano teve problemas mecânicos, perdeu mais de dois minutos porque os dois carros da sua equipa não o viram — foi assistido por Visma e Netcompany Ineos —, recuperou e protegeu o líder até ao fim. Com este resultado, Pogacar reduziu para metade a desvantagem para Vingegaard, com os dois a chegarem a França separados por meros seis segundos.
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“Foi uma vitória coletiva, isto é de todos. Ainda não consigo acreditar que tudo tenha corrido tão bem na nossa primeira tentativa de conquistar uma vitória de etapa. Esta vitória significa tudo para mim. No último quilómetro, tudo aconteceu muito depressa. Na última subida ao castelo, nem sequer estava entre os dez primeiros. Consegui recuperar posições para alcançar o [Mattias] Skjelmose. Tínhamos um plano traçado para o Tadej e executámo-lo tão bem que conseguimos chegar à linha de chegada com uma margem maior do que o previsto e o Tadej ofereceu-me a vitória num grande gesto. Este tipo de oportunidades não surge com muita frequência e estou muito contente por ter aproveitado. Estar na mesma equipa que o Tadej e na melhor equipa do pelotão faz-me sentir muitas emoções únicas. Nem imaginam o que tudo isto significa para mim”, confidenciou o mexicano, que deu uma vitória no Tour ao seu país 36 anos depois — só Raúl Alcalá tinha vencido (duas vezes, em 1989 e 1990).
“Estou mesmo muito satisfeito, para ser honesto. Como disse ontem [sábado], vou simplesmente desfrutar de cada dia que passar com a camisola amarela. Um circuito como este não é o que faço melhor, não é o final que prefiro. Por isso, penso que posso ficar satisfeito por salvar a camisola amarela e vou desfrutar do dia de amanhã [segunda-feira] também. Estou muito contente com o rumo que a classificação geral está a tomar. Batalha tática com a Emirates? Sim, é totalmente verdade. Eles têm uma dupla extremamente forte. Será muito interessante ver como vão jogar as cartadas ao longo da corrida e é um dado que teremos imperativamente de ter em mente para o futuro”, perspetivou Vingegaard.
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Para esta segunda-feira estava reservada a incursão em França, com o pelotão do Tour a partir de Granollers e a chegar à estância de esqui de Les Angles 195,9 quilómetros depois, com o local localizado nos Pirenéus a acolher pela primeira vez uma chegada da Grande Boucle. Com praticamente 4 mil metros de desnível positivo acumulado, o terceiro dia era favorável, na teoria, à fuga, dependendo daquilo que as equipas da geral quisessem fazer, em particular a Visma. Destaque para a subida final, com 1,7 quilómetros a 7% de inclinação. Devido aos incêndios que assolam o departamento dos Pirenéus Orientais, a organização determinou que os últimos 40 quilómetros, feitos naquela região, não tivessem público e caravana publicitária, “com o objetivo de reduzir os riscos de acidentes ou incidentes que possam exigir a intervenção das forças de segurança e de emergência, que atualmente estão totalmente envolvidas no combate ao incêndio”.
Na primeira fase da etapa, Toms Skujins (Lidl-Trek) teve um problema mecânico ainda antes da partida oficial, ao passo que Alex Molenaar (Caja Rural-Seguros RGA) e Magnus Cort (Uno-X Mobility) foram os primeiros a atacar, embora só o dinamarquês tivesse conseguido integrar a fuga que vingou, com a presença de mais 17 ciclistas, entre eles Nelson Oliveira (Movistar), o luso-francês Clément Braz Afonso (Groupama-FDJ United) e Alex Baudin (EF Education-EasyPost), que assumiu virtualmente a liderança. Nessa fase, Mathias Vacek (Lidl), Bruno Armirail (Visma), Tobias Foss, Thymen Arensman, Joshua Tarling e Michael Kwiatikowski (Netcompany), e Matthew Riccitello (Decathlon CMA CGM) protagonizaram uma dura queda na frente do pelotão. Já sem os sprinters no grupo principal, Mads Pedersen (Lidl) foi o primeiro no sprint intermédio de Campdevànol e assumiu a liderança da camisola verde, ainda que de forma virtual. A 80 quilómetros da meta registou-se nova queda, que afetou principalmente Anders Halland Johannessen (Uno-X).
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A subida para o Col de Toses acabou por partir a fuga e reduzir o pelotão, onde Nils Politt (Emirates) também sofreu problemas mecânicos, mas sem grande impacto. Já em território francês, a Emirates continuou a controlar a fuga, algo que não mudou com os furos de Harold Tejada (XDS Astana) e Brandon McNulty (Emirates). No início da longa subida para o Col du Calvaire, Baudin isolou-se, ganhando depois a companhia de Nicolas Prodhomme (Decathlon), mas acabou por ser alcançado em solitário, a 11 quilómetros do alto de Les Angles, já como novo líder da montanha. Na subida final, Sepp Kuss (Visma) aumentou o ritmo, com Del Toro a responder à entrada para o último quilómetro. O mexicano aguentou até aos últimos metros, partiu o grupo e lançou Pogacar para a vitória, que voltou a mostrar mais explosão que Vingegaard, que não conseguiu responder e ficou à procura de um companheiro que conseguisse reduzir o espaço.
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No final, o campeão do mundo ganhou dois segundos na estrada ao grande rival e passou para a liderança por… 720 milésimos. Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard estão empatados, com os milésimos de segundo do contrarrelógio coletivo a servirem de desempate. Em terceiro da geral mantém-se Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe), que está agora a 23 segundos. O quarto é Isaac del Toro, a 24, ao passo que Juan Ayuso (Lidl-Trek) completa o top 5, a 27. Paul Seixas está no sexto posto, a 48.