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(A) :: Revisão do castigo a Balogun foi negociada com a Casa Branca

Revisão do castigo a Balogun foi negociada com a Casa Branca

A estratégia revelada pelo Politico dá conta de um lobby entre a Casa Branca e a sede da FIFA. Houve um telefonema entre Trump e Infantino, bem como uma análise do histórico do árbitro.

Ricardo Reis
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A suspensão do castigo ao jogador norte-americano Folarin Balogun pode ter sido decidida através de uma “campanha” montada na Casa Branca logo após a expulsão do jogador. A revelação é feita pelo jornal Politico e pelo The New York Times, citando fontes anónimas da administração norte-americana e da Federação de Futebol dos Estados Unidos.

“Na noite de quarta-feira, a Casa Branca já se havia comprometido a tomar medidas em relação ao cartão vermelho a Balogun”, refere o Politico. O diretor executivo da Task Force do Mundial da Casa Branca, Andrew Giuliani, o secretário norte-americano do Comércio Howard Lutnick e altos representantes da Federação de Futebol dos Estados Unidos assistiram presencialmente ao jogo e “começaram a colocar em prática os planos para contestar a decisão do árbitro de campo de aplicar o cartão vermelho”.

Os planos incluíram “lobby coordenado, manobras legais e diplomacia que se estenderam da Sala Oval até à sede da FIFA em Zurique”, com Donald Trump a questionar o presidente da FIFA, Gianni Infantino, sobre as regras relativas ao cartão vermelho. O dirigente da associação não terá prometido nada em relação à reversão do castigo.

O Politico relembra que a amizade de quase oito anos entre Trump e Infantino, incluindo a presença frequente do presidente da FIFA na Casa Branca, pode ter tido peso no telefonema feito entre os dois.

Andrew Giuliani e Howard Lutnick ofereceram ajuda jurídica de advogados da própria Casa Branca à Federação de Futebol dos Estados Unidos, para preparar um recurso formal à FIFA para reverter a suspensão de Balogun.

O recurso alegava que a atribuição do cartão vermelho foi “indevida, pois a arbitragem não deveria ter utilizado a revisão em câmara lenta para determinar o penálti”, apesar de tal ser comum, refere o The New York Times.

Do lado da FIFA, o processo legal foi liderado por Emilio García, responsável pelos assuntos jurídicos, que terá sido “uma figura central, ao aconselhar Infantino sobre as opções processuais disponíveis, segundo pessoas familiarizadas com o processo”. A equipa de Garcia examinou as circunstâncias do cartão vermelho e e se o caso “atendia aos critérios rigorosos que permitiriam a revisão da decisão disciplinar”.

Durante o processo, o secretário do Comércio e o gestor Scott Goodwin, que, segundo o Politico “ajudou a pagar pessoalmente o salário do técnico norte-americano Mauricio Pochettino”, analisaram o histórico de Raphael Claus, o árbitro do jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina, mais concretamente “artigos que examinavam controvérsias anteriores”, para reforçar o recurso.

Claus foi várias vezes acusado de manipulação de resultados e de atribuição de cartões vermelhos irregulares, mas as alegações nunca foram confirmadas, como refere o The New York Times. No entanto, esse foi um dos pontos da chamada entre Trump e Infantino.

No domingo, a FIFA acabou por anunciar que o castigo ficaria suspenso “por um período probatório de um ano”, mas avisando Folarin Balogun de que a decisão pode ser revogada caso se verifique uma situação semelhante à que marcou o jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina. O jogador tinha sido suspenso no jogo contra a Bósnia-Herzegovina, após ter pisado a parte de trás da perna do jogador adversário Tarik Muharemović, obrigando-o a receber tratamento médico.

A decisão, segundo a FIFA, foi tomada pela Comissão Disciplinar da instituição, mas sem revelar se foi feita uma votação sobre o tema. Além disso, não foi publicado qualquer relatório sobre a decisão, à semelhança do que acontece com outros casos, refere o Politico.

Donald Trump ligou novamente a Infantino a agradecer pela decisão, de acordo com as fontes citadas pelo The New York Times, e também ligou ao selecionador norte-americano, Mauricio Pochettino, para desejar boa sorte.

(atualizado às 15h56, com a peça do The New York Times)