Os gastos dos hospitais portugueses com medicamentos oncológicos mais do que triplicaram nos últimos dez anos, noticia esta segunda-feira o jornal Público, que adianta ainda que estes medicamentos já representam mais de um terço do valor que é gasto pelos hospitais portugueses em medicamentos.
De acordo com os dados preliminares citados por aquele jornal, só nos primeiros quatro meses de 2026, os hospitais gastaram 915,1 milhões de euros em medicamentos, dos quais 320,1 milhões foram gastos em medicamentos oncológicos (35% do total).
Em todo o ano de 2016, diz ainda o Público, os gastos dos hospitais portugueses com medicamentos oncológicos foram de cerca de 250 milhões de euros — e, na altura, representaram menos de um quarto da totalidade dos gastos em medicamentos. Numa década, estes gastos mais do que triplicaram: em 2025, estes gastos situaram-se nos 864,4 milhões de euros, representando mais de um terço do total.
Há dois fatores que explicam este aumento, disse o Infarmed em declarações ao Público.
Por um lado, a subida do número de casos de cancro, tanto pelo aumento da incidência como também pelo aumento dos diagnósticos, que faz com que aumente o número de doentes que necessitam de tratamento; por outro lado, tem-se registado nos últimos anos um grande investimento das farmacêuticas no desenvolvimento de novos medicamentos que permitem aumentar de forma significativa a vida dos doentes com cancro, havendo, portanto, mais medicamentos disponíveis no mercado.
O aumento destes custos, mesmo devendo-se, em parte, a um fator positivo — a inovação na área — acarreta preocupações para o sistema de saúde. O Infarmed garante que os contratos de aquisição destes medicamentos por parte do sistema público são negociados com base “na evidência disponível” e à luz da evolução científica, dos benefícios clínicos esperados e do impacto orçamental no SNS.