A seleção brasileira foi eliminada do Mundial-2026 nos oitavos de final. No MetLife Stadium, em Nova Jersey, a Noruega venceu por 2-1 com dois golos de Haaland aos 79 e 89 minutos, na pior campanha do Brasil num Campeonato do Mundo desde 1990. Neymar descontou de grande penalidade no tempo suplementar — e depois ajoelhou-se, orou e caiu em lágrimas. “Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”, disse à geTV, numa referência ao facto de ter sido precisamente naquele estádio que fez a estreia pela seleção em 2010. Raphinha foi quem o foi amparar no relvado.
Carlo Ancelotti não foi à flash interview. Com o apito final, ajudou Vinicius a levantar-se do chão e encaminhou-se diretamente para o balneário. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) colocou no seu lugar Davide Ancelotti, filho e adjunto do técnico, que esquivou a pergunta sobre a ausência do pai: “Não sei, será pelo momento do jogo agora, não é uma pergunta para mim”.
Davide assumiu a tarefa com frieza: “É uma decisão predefinida, como em todos os jogos. Sempre definimos na preleção e passamos aos jogadores quem vai bater o penálti. É uma decisão da comissão. Os penáltis erram-se, acontece no futebol. Hoje, aconteceu”. Sobre Haaland, disse ser “um jogador de nível mundial”. “Podemos pagar por pequenos erros numa competição destas. E hoje aconteceu connosco. Estamos muito em baixo”, acrescentou.
Carlo Ancelotti acabaria por aparecer na conferência de imprensa. Reconheceu que a estratégia de ceder a posse de bola foi condicionada pela forma como a Noruega se organizou: “Era mais complicado fazer pressão alta, porque a Noruega baixava muito Odegaard, então era um risco para a velocidade de Haaland no um contra um. Acho que o Brasil com este plantel poderia competir”.
Considerou que o Brasil não merecia perder: “Acho que pelo esforço de hoje não se merecia perder, mas também temos que avaliar que a equipa rival tem jogadores muito bons, que fizeram a diferença. Acho que o jogo por uma parte foi bom. Tivemos muitas oportunidades na primeira parte. Na segunda também, quando estava 0-0”.
E projetou o futuro sem hesitar: “Óbvio que estamos todos profundamente tristes. Porque acho que fizemos até agora não um Mundial especial, um bom Mundial. Acho que também o jogo de hoje merecia ganhar e quando passa um momento assim tem que pensar que uma derrota é o começo de uma nova aventura. Temos que seguir melhorando, encontrar novas ideias. Não é um fim, é o início de um novo ciclo esta derrota”. O técnico tem contrato com a CBF até 2030.
Marquinhos foi o primeiro jogador a aparecer diante dos microfones, à CazéTV. O capitão não fugiu às responsabilidades: “Inexplicável, é difícil falar. Pecámos muito nas ocasiões que criámos, penáltis e outras chances. É o Campeonato do Mundo, quem erra menos avança à próxima fase”. E pediu paciência com a nova geração: “Assumir a culpa, eu como capitão, os jogadores mais velhos, para que a próxima geração possa ter tranquilidade para trabalhar. Peço desculpas ao povo brasileiro, aprender com os erros e trabalhar para que as próximas gerações conquistem grandes feitos no próximo Mundial”.
“É difícil encontrar palavras neste momento. É o sonho de qualquer brasileiro ganhar um Mundial. Era a minha terceira tentativa e eu sou realmente um privilegiado. Mas a vida segue. Agora só quero estar com a minha família e com os meus filhos“, afirmou à CazéTV Casemiro, entre lágrimas, mais de uma hora depois, quando o tempo sugeria mais calma e ponderação.
A imprensa brasileira foi implacável. O Terra escreveu que “a eliminação expõe falhas da CBF e do planeamento da seleção”, apontando que “o Brasil parece não ter absorvido as lições” do 7-1 de 2014, diante da Alemanha. A CNN Brasil titulou “Brasil é eliminado do Mundial pela Noruega e chega ao maior jejum sem títulos”. O ND Mais foi mais direto: “Fim do DNA”. O Nexo Jornal recordou que “a equipa norueguesa nunca perdeu para a brasileira”. Já a Forbes Brasil apontou que o Brasil “entrou em campo como favorito — com 54,3% de probabilidade de vitória — mas não conseguiu converter o favoritismo em resultado”.
Mauro Cézar Pereira, um dos comentadores mais influentes do Brasil, foi ao ponto: afirmou que a seleção, sob Ancelotti, “rejeita a bola” e que a entrada de Neymar “coincidiu com o momento em que o adversário tomou o controlo do jogo”. Juca Kfouri, renomado colunista desportivo, classificou a atitude do avançado como “inadequada diante da situação de busca pelo empate”. Arnaldo Ribeiro, por sua vez, catalogou a eliminação como a mais marcante desde o 7-1, chamando-lhe a queda “mais definitiva” do futebol brasileiro moderno.
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