Foi em Fevereiro de 2023 que escrevi pela primeira vez sobre Pedro Schacht, um português que dá aulas na Universidade de Ohio. Depois dessa data, referi-o de raspão por três ou quatro vezes. Volto agora a olhar com mais atenção e demora para o que Schacht escreve porque ele defendeu recentemente, na sua página de Facebook, a tese de que os jornais deviam pôr fim às caixas de comentários, ou seja, e por outras palavras, que deviam cancelar esse espaço de expressão das opiniões dos seus leitores. E por que razão, segundo Schacht, deviam os jornais fazer tal coisa? Porque no seu entendimento as caixas de comentários serviriam “apenas de pasto para o racismo/fascismo/populismo”, e porque as “interacções (entre comentadores) e os likes”, que os jornais e os autores de artigos valorizam, não poderiam valer tanto como “a democracia, a liberdade e a paz” (sic).
Estas ideias foram, claro está, apoiadíssimas pela gente que frequenta a página do dito Schacht e que — há gostos para tudo — o aplaude e incensa. No espaço de algumas horas perto de 200 pessoas acorreram a louvá-las e houve mesmo uma senhora aparentemente próxima do Bloco de Esquerda — Maria Freire, de seu nome — que escreveu que a eliminação das caixas de comentários “seria uma atitude democrática” (sic).
A página de Pedro Schacht é aberta ao público, é seguida por quase seis mil pessoas e eu estou certo de que muitas delas sabem perfeitamente o autêntico vazadouro de insulto, escárnio e maldizer que aquilo é. Saberão também, muito provavelmente, o que aí se escreve sobre pessoas de direita, entre as quais figuro. Parte desses seguidores saberá, ainda, que apesar da sua prosápia e do seu engraçadismo, Pedro Schacht nunca teve coragem de enfrentar em campo aberto as pessoas que critica. No que me diz respeito preferiu — e essa sua cobarde preferência dura de forma continuada há mais de nove anos — ficar a intrigar, a mentir e a insultar nas redes sociais. Apenas por uma vez, no seguimento do tal artigo de 2023 em que eu o desmascarei, Schacht apareceu num jornal, o Observador, para, com intenções desinfectadas, mãos enluvadas e falas angélicas, jurar que nunca tentara difamar-me e cancelar-me e que só escrevera a meu respeito para perguntar há quanto tempo eu, como historiador e investigador, não me sujeitava a escrutínio científico.
É claro que se tratava de uma rematada mentira pois não só escrevera sobre mim a respeito de muitos outros assuntos, como continuou impune e frequentemente a fazê-lo ao longo do tempo e até aos dias de hoje, saltando da intriga para a graçola e daí para a difamação ou o insulto. Através desses escritos — e são centenas de textos, apreciações, comentários na sua própria página e nas de outros —, Schacht pôs de pé uma campanha injuriosa e difamatória que acima de tudo visava e visa abalar a minha reputação como historiador. Mais concretamente, acusou-me de forma reiterada de ser um “moedeiro falso”; “alguém que vive no domínio da aldrabice”; um “impostor”; “um autoproclamado historiador”; “um charlatão”; “um autodidacta que se dedica ao estudo nas horas vagas”; alguém que vende “banha da cobra”; etc.
Mas o mais interessante é que para além de escrever no Facebook estes e outros lixos de igual quilate e do mesmo fedor a esgoto, Schacht também o fez nas caixas de comentários dos jornais como poderão verificar, por exemplo, aqui. Ou seja, fez exactamente o mesmo que agora quer vedar a outros. Ora, essa é desgraçadamente, mas de forma muito típica, a ideia que muitas pessoas de esquerda têm da democracia. Elas e os amigos podem dizer e escrever o que lhes apetecer. Podem insultar, difamar, inventar, mentir, agredir, cuspir ódio, etc. Porém, se coisas equivalentes ou parecidas forem feitas à direita, então essas mesmas pessoas defendem, com o maior cinismo, com a maior desfaçatez, que se amordacem essas vozes, que se silenciem esses “racistas/fascistas/populistas”, que se classifique o que dizem como “discurso de ódio” e que se sancione esse seu “discurso” do ponto de vista criminal e penal.
É por este escandaloso duplo critério, pela manifesta desonestidade intelectual e pelo recurso aos escabrosos métodos de intervenção na esfera pública em que a esquerda é useira e vezeira — e que o senhor Pedro Schacht tão bem ilustra —, que eu faço votos de que os partidos dessa área política, enquanto não virem profundamente renovada a massa humana que actualmente os compõe, fiquem longe do poder. Seria um grande favor que fariam ao país se permanecessem longamente em desintoxicação de ideias e numa cura de oposição. É que convém não esquecer que o próprio PS tem no seu seio várias pessoas preocupadas com o “discurso de ódio” nas redes sociais, pessoas essas que também gostariam de as suprimir, censurar ou algemar. Oiçam, por exemplo, a partir do minuto 22, as declarações de Alexandra Leitão sobre o assunto. Convém não esquecer, também, que ainda há poucas semanas o grupo parlamentar do PS votou em bloco — com a honrosa excepção do deputado Neto Brandão — a favor da proposta que visava entre outras coisas, criminalizar certas expressões ou discursos que pudessem ser tidos por “racistas”. Felizmente, essa iniciativa foi barrada na Assembleia da República, mas é garantido que, regressando ao poder, esta esquerda voltará à carga nessa matéria porque boa parte da massa de que é feita é justamente aquela que frequenta, com júbilo, as páginas de Pedro Schacht e dos seus sósias mentais. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.