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Delcy Rodríguez pede suspensão das sanções para facilitar resposta

Dez dias após os terramotos de magnitude 7,2 e 7,5, Caracas acusa sanções de travar a resposta à crise. MNE confirma 58 portugueses desaparecidos ou incontactáveis.

Agência Lusa
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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu o fim das sanções impostas ao país, para facilitar a resposta aos terramotos de há dez dias, em que morreram quase três mil pessoas.

“É muito importante insistir para que cessem as sanções contra a Venezuela, para que possamos aceder com livre capacidade aos recursos do país, justamente para este processo de recuperação”, afirmou, no sábado, durante uma visita a um posto de comando na avenida Bolívar, em Caracas.

Rodríguez tinha anunciado no mesmo dia um pagamento mensal durante os próximos seis meses aos mais afetados pelos terramotos, assim como o contacto com o setor bancário venezuelano para ativar uma carteira de crédito hipotecário com subsídios de até 80%.

Entre o pacote de medidas para responder à situação que se vive no país está um fundo, criado a 25 de junho último, com dinheiro atualmente bloqueado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros organismos financeiros globais, denunciou a presidente.

“Esse fundo, chamado ‘Venezuela Renasce’, será para a reconstrução e recuperação das zonas afetadas pelos dois sismos”, assinalou.

Além disso, afirmou que, na próxima semana, vai estar pronto um plano para a recuperação do Aeroporto Internacional de Maiquetía, que serve Caracas, o qual inclui parcerias internacionais, que não especificou.

As medidas são anunciadas num momento de tensão. Um grupo de moradores bloqueou, no sábado, a via de acesso principal a Caraballeda, um dos epicentros do duplo sismo de magnitude 7,2 e 7,5, para pressionar o Governo a realojá-los, tal como foi prometido, no complexo hoteleiro de Las Caracas, situado a vários quilómetros da zona.

Outras famílias queixam-se de que já passam menos veículos a entregar comida, enquanto continuam à espera da recuperação dos corpos de familiares, numa altura em que já restam menos equipas de resgate no país.

O número de mortos aumentou para 2.954, enquanto o de feridos subiu para 16.592, de acordo com o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina.

Pelo menos 6.462 pessoas foram resgatadas e 16.309 ficaram sem casa. Há ainda um total de 157 pessoas desaparecidas, número que se mantém desde o dia seguinte aos sismos, enquanto um ‘site’ desenvolvido por técnicos e pela sociedade civil indica que mais de 31.000 pessoas não puderam ser contactadas pelos familiares.

Entre os mortos, há pelo menos 95 portugueses e lusodescendentes, e outros 58 estão desaparecidos ou incontactáveis, segundo números hoje divulgados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

O Governo venezuelano procura acelerar os trabalhos de remoção dos escombros e avalia os danos causados nas infraestruturas na sequência dos sismos.

Em La Guaira, prosseguem os trabalhos de asfaltagem e recuperação de pontes, bem como a avaliação de outras obras de infraestruturas rodoviárias, segundo indicou a ministra dos Transportes, Jacqueline Farías.

As operadoras de telecomunicações Digitel e Movistar Venezuela estão a trabalhar para restabelecer a conectividade em La Guaira com a ajuda da Starlink, bem como a disponibilizar pontos de ligação Wi-Fi gratuitos nos abrigos da região costeira.

A Digitel declarou em comunicado que conseguiu restabelecer 88,9% da infraestrutura na região, enquanto a Movistar refere 70,2%.

Rodríguez condecorou socorristas de sete países, incluindo de Portugal, com a distinção “Heróis da Venezuela” pelo trabalho após os recentes terramotos.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais afetadas.

A Universidade dos Açores (UAc) está a organizar uma campanha de recolha de bens essenciais para apoiar a população venezuelana atingida pelos sismos, foi divulgado.

A recolha decorre até segunda-feira, das 09:30 às 17:30 locais (mais uma hora em Lisboa), na sala da Academia das Artes, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

Segundo uma nota de imprensa da UAc, na recolha são prioritários medicamentos e material de saúde (‘kits’ de primeiros socorros, antissépticos e material de penso), material de contingência (rádios, lanternas, pilhas recarregáveis, tendas, sacos-cama e fraldas para criança e adulto) e ferramentas de trabalho (picaretas, pás, geradores, cordas, etc.).

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, no passado dia 24 de junho, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.