Era um contrarrelógio por equipas, tornou-se sobretudo uma “guerra” individual. Devia ser uma das edições mais competitivas de sempre, teve o melhor arranque possível e ainda com mais 20 dias pela frente. O Tour não começou com o favorito de amarelo – mas foi pelo triunfo do maior opositor ao favorito que ficou ainda mais interessante para o que se segue, apesar da vantagem mínima de apenas 12 segundos com que Jonas Vingegaard terminou os menos de 20 quilómetros com a Visma-Lease-a-Bike à frente de Tadej Pogacar e uma UAE Team Emirates que terá um papel chave para nivelar a luta entre os dois melhores corredores da atualidade. A partir de agora, tudo contava, todas as etapas com bonificações eram possíveis momentos para surpreender, todas as inclinações podiam servir para arriscar um “golpe”. E a segunda etapa da prova, numa ligação ainda em Espanha entre Tarragona e Barcelona de 168,5 quilómetros, era o primeiro desafio.
https://observador.pt/2026/07/04/jonas-soltou-se-quando-o-esforco-coletivo-se-tornou-num-duelo-individual-vingegaard-vence-primeira-batalha-com-pogacar-no-inicio-do-tour/
“Diria que é o início perfeito. O Tour ainda é longo, mas os meus companheiros fizeram um trabalho incrível hoje, estiveram muito fortes. Para ser honesto, não tive de fazer quase nada”, destacara Vingegaard depois do triunfo num contrarrelógio por equipas com um modelo diferente daquele que é habitual, onde o primeiro da equipa acabava por ditar depois o resultado de todo o coletivo, ao contrário do que acontecia antes onde o tempo era estabelecido pelos três primeiros de cada formação. Foi assim que, em menos de 20 quilómetros, a Visma conseguiu não só vencer como alcançar vantagens importantes não só para Pogacar mas para outros potenciais adversários pela corrida e pelo pódio, casos de Remco Evenepoel, Paul Seixas e Juan Ayuso.
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“Foi um desempenho super bom. Claro que queremos sempre ganhar mas fizemos um excelente trabalho de equipa. Podemos estar satisfeitos e muito motivados para os próximos dias. Estou também contente que o dia tenha terminado. Um dia como este é longo. A preparação para o contrarrelógio por equipas demora o dia todo, para apenas 20 minutos de competição, é muito stressante. Já não fazia um contrarrelógio por equipas há muito tempo”, apontara Tadej Pogacar, que ficou também com a camisola da montanha por ter sido o mais rápido a subir: “Tenho pernas para a montanha. A subida era bastante curta. O Isaac [Del Toro] fez um trabalho incrível. Todos foram além dos limites. E é graças à equipa que tenho esta camisola”.
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Em paralelo, e apesar dessa pequena desvantagem para Vingegaard, Pogacar colocava já o foco na segunda etapa entre Tarragona e Barcelona por todos os desafios que poderia trazer pela frente. “O meu foco não é a camisola da montanha. Penso que amanhã [domingo] teremos uma etapa bastante complicada. Acho que será para os puncheurs e o final vai ser muito caótico. Temos de ter cuidado. Vamos ver se conseguimos ganhar no final”, destacara. Queria ele, queria todos. Era mais um dia em aberto que prometia.
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A fuga do dia, já depois de uma queda que afetou corredores como Biniam Girmay (NSN Cycling Team), Silvan Dillier (Alpecin) e Robbe Dhondt (Picnic PostNL), teve como protagonistas Frank van der Broek (Picnic PostNL), Alex Molenaar (Caja Rural) e Felix Engelhardt (Jayco AlUla), com Baptiste Veistroffer (Lotto) a tentar ainda fazer o ataque saindo do pelotão mas sem sucesso. A vantagem chegou a estar acima dos 3.30 minutos, havendo essa espécie de “linha” de entrada no circuito de Barcelona, com a passagem por Montjuïc ainda mais complicada do que é normal na Volta à Catalunha, para diminuir esse avanço e manter viva a aspiração de vencer a etapa. A 100 quilómetros do final, a desvantagem ia nos três minutos.
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Era mesmo uma questão de tempo. Com as equipas no topo da perseguição a rodarem, com a Emirates e a Decathlon a mostrarem-se na parte final da subida antes do circuito, a desvantagem já tinha caído de forma abrupta para 30 segundos, o que aniquilava por completo a ambição do trio da frente em lutar por mais do que esses pontos pela camisola da montanha já depois do triunfo de Alex Molenaar no sprint intermédio que se viria a repetir nessa contagem de montanha. Por esta altura, sabia-se também que a terceira etapa, esta segunda-feira, poderia ser mudada ou mesmo cancelada, tendo em conta os incêndios perto da meta na zona dos Pirinéus Orientais que colocavam em risco a possibilidade de alterações no programa e/ou traçado.
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O trio passava a ser dupla, com Alex Molenaar e Felix Engelhardt a perderem a companhia de Frank van de Broek a cerca de 75 quilómetros, mas seria uma mera questão de tempo, com os corredores a começarem a sentir a presença do pelotão cada vez mais perto pelo ruído das pessoas e dos carros de apoio que estava logo ali atrás. Ainda demorou, com um encher do balão do principal bloco antes de chegar aos fugitivos de vez a 40 quilómetros do final e perto da entrada no circuito de Barcelona, com Isaac del Toro a ter problemas com a sua bicicleta mas a tempo de recuperar ao contrário de Paul Seixas, que estava quase a entrar no início da fase decisiva com a bicicleta de um companheiro sem se perceber se conseguiria ainda recuperar uma sua, como viria a acontecer mais tarde mas a obrigar o corredor francês da Decathlon a esforço extra.
Chegava a fase decisiva, com um circuito de três voltas com uma subida duríssima antes da descida, estrada plana e uma nova subida menos íngreme de 700 metros que iria terminar com a meta. Os corredores foram caindo e ficando cortados por cada passagem mais a subir do circuito, com os últimos três quilómetros a terem quase todos os principais protagonistas com mais ou menos dificuldades apesar de todo o trabalho que a Emirates foi fazendo, fazendo prever um ataque de Pogacar que acabou por não acontecer também pela marcação cerrada que Vingegaard fazia ao esloveno. Só no final houve mexidas mais a sério, com Isaac del Toro a atacar, Vingegaard a não aguentar e Pogacar a acabar a ceder a vitória ao seu companheiro.
Essa foi a principal notícia negativa para Vingegaard. Apesar de manter a camisola amarela da liderança, ficando com uma vantagem menor para Pogacar por causa das bonificações, o dinamarquês viu o adversário direto “abdicar” dos segundos a mais que podia ter ganho para coroar aquele que é o seu principal escudeiro entre o grande trabalho de Brandon McNulty e Adam Yates, naquele que foi um sinal deixado pelo corredor esloveno que está confiante para o que se segue na prova.