O Grande Prémio da Áustria, apenas há uma semana e na sequência do triunfo de Lewis Hamilton no circuito de Barcelona 686 dias depois da última vitória, trouxe uma série de “novas premissas” para aquilo que se vai seguir na parte europeia da temporada. Kimi Antonelli, apesar da frustrante desistência na Catalunha, ainda continua no topo, mas muito do que está à volta mudou, do companheiro de equipa George Russell à Ferrari (mais Lewis Hamilton), da Red Bull aos próprios carros da McLaren. Agora, na Grã-Bretanha, tudo começou como tem sido habitual em 2026, com o italiano da Mercedes a conseguir superar Hamilton na sprint antes de assegurar a pole position de seguida. No entanto, todos queriam ainda ter uma palavra.
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Na Ferrari, enquanto Charles Leclerc assumia que há muito tempo não se sentia tão bem no carro, o que fez com que terminasse a qualificação na segunda posição para sair da primeira linha da grelha de partida, Lewis Hamilton apontou para problemas no motor. “Hoje não estávamos tão rápidos. Fizemos algumas alterações no carro, nada de muito importante, mudanças mínimas, mas não me senti tão à vontade quanto na véspera. As minhas duas voltas foram boas, mas tive um problema com a energia. Tive mais dificuldade com o carro. Mas, mesmo assim, estou feliz por estar aqui”, frisara o britânico após o terceiro lugar na grelha.
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Já na McLaren, as queixas de Lando Norris sobre a equipa, depois dos pedidos para que conseguisse poupar combustível durante a sprint, causaram impacto interno e mostravam também que a equipa papaia tinha ainda muito que trabalhar na perspetiva de poder voltar a um pódio em corrida. “Sim, precisávamos de comprometer um pouco o ritmo porque estávamos a gerir o combustível, e o Lando deu-nos um bom aviso, porque é a segunda vez consecutiva que pedimos ao piloto para gerir o combustível. Não é bom, precisamos de fazer melhor como equipa”, assumiu Andrea Stella, diretor da formação britânica, depois do terceiro lugar do campeão mundial na sprint mas pressionado de perto por George Russell – sem que tudo voltou a correr pior na qualificação, com Lando na sexta posição e Oscar Piastri a partir apenas de oitavo.
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Por fim, e depois das boas indicações deixadas na Áustria com Max Verstappen a fechar no segundo lugar e Isack Hadjar a fazer o quarto top 6 consecutivo, também o antigo campeão mundial admitia que não estava a ter vida fácil. “Na sprint tivemos dificuldades de velocidade de reta e, mesmo depois de algumas mudanças antes da qualificação, continuámos lentos nas retas e com problemas de equilíbrio. Não encontrámos nada que fizesse a diferença, então existe um problema”, referiu o neerlandês, apesar da visão diferente do companheiro de equipa francês, que admitiu problemas na sprint em termos de ritmo e de ultrapassagens antes das melhorias que permitiram que ficasse em quinto na grelha, dois lugares à frente de Max Verstappen.
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Kimi Antonelli voava, George Russell tinha esperança de chegar no mínimo ao pódio apesar de partir atrás dos Ferrari, todos os outros aproveitavam o trabalho entre sprint, qualificação e corrida para terem ainda algo a acrescentar ao Grande Prémio da Grã-Bretanha. No entanto, o arranque iria mudar por completo esse cenário, com o Mercedes de Antonelli a ficar a patinar ligeiramente no início e a permitir que Leclerc e Lewis Hamilton assumissem os dois lugares da frente, com Hadjar a atacar sem sucesso a quarta posição de George Russell e Max Verstappen a assumir o sexto lugar à frente de Oscar Piastri, que com um toque ficou com toda a corrida comprometida, antes de passar o companheiro de equipa na terceira volta. A formação italiana tinha o que queria no início, Antonelli não descolava, o fosso para trás ia aumentando.
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Começavam também as primeiras sanções da corrida, com uma penalização a Alexander Albon pelo toque que levou a que Oliver Bearman perdesse várias posições e mais cinco segundos de castigo também para o Ferrari de Lewis Hamilton por falsa partida. O inglês foi tentando servir de “tampão” a Antonelli na segunda posição mas a resistência acabou por cair na 11.ª volta, com o italiano a partir para a corrida contra Charles Leclerc com quatro segundos de desvantagem. Mas havia mais pontos de interesse, da perseguição de Russell a Hamilton após descer a terceiro à tentativa de ataque de Max Verstappen a George Russell tendo em vista um lugar no pódio. Mais atrás, os Red Bull Racing de Liam Lawson e Arvid Lindblad continuavam certinhos como um relógio em oitavo e nono, tendo então Gabriel Bortoleto a fechar o top 10.
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A meio da corrida, quase todos tinham parado menos os dois primeiros, Leclerc e Antonelli. E, não fosse a presença de Lando Norris também ainda sem qualquer passagem pelas boxes, Verstappen estava em termos virtuais no pódio, à frente de Russell e de Hamilton, que com o cumprimento da penalização baixou para a sexta posição. Também os Racing Bull andavam a “entalar” Hadjar, com Lawson na frente e Lindblad atrás do francês ainda sem paragens. Na 26.ª volta, Leclerc foi o primeiro na frente a parar, entrando na mesma à frente de Norris e dos restantes perseguidores. Faltava apenas Antonelli, com outra má notícia para a equipa da Mercedes com a ultrapassagem de Hamilton a Russell na 30.ª volta. Enquanto o italiano não parava, para se perceber quem ficaria na primeira posição, a grande luta era entre a terceira e quinta posições.
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Russell voltou a responder da melhor forma a Hamilton, voltando a quarto, e com isso era Max Verstappen que estava a ganhar, mesmo sem uma vantagem substancial que lhe permitisse disparar na frente até que um atraso de Russell na luta com o neerlandês deixou o britânico em sétimo até atrás de Lando Norris e Isack Hadjar. Antonelli tentou ao máximo mas quando parou não teve margem para manter a liderança, longe disso, reentrando na 36.ª volta a mais de sete segundos de Leclerc. Ainda houve uma ameaça de safety car que não passou disso mesmo, com bandeiras amarelas depois do abandono de Nico Hulkenberg, e as últimas 12 voltas chegavam com um atraso já inferior a cinco segundos entre os dois na frente com Lewis Hamilton de forma sólida no terceiro lugar, passando Max Verstappen que depois foi também às boxes.
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Foi aí que houve novo golpe de teatro, com Kimi Antonelli a sentir que havia algo de errado na parte da frente do carro que levou a nova passagem não programada pelas boxes para reentrar em quinto, atrás de George Russell e até de Lando Norris. A corrida do italiano estava de vez estragada, com os Ferrari a terem a oportunidade de fazerem a primeira dobradinha desde outubro de 2024 nos EUA (quando Carlos Sainz Jr. era companheiro do monegasco) que acabou por sair gorada com a passagem de Hamilton pelas boxes depois da saída de pista de Max Verstappen a quatro voltas do final, que recolocou Russell em segundo. Ainda assim, a vitória de Leclerc estava mesmo garantida, a primeira 623 dias depois dessa corrida nos EUA. Já Kimi Antonelli, com todas as dificuldades e uma nova paragem, ainda foi aos pontos com um nono lugar, numa corrida que, ao contrário do que parecia estar a desenhar-se, teve mesmo o seu final com safety car.
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Com este triunfo, a Ferrari reduziu a desvantagem para a Mercedes no mundial de construtores (333-255), com a McLaren em terceiro (179), a Red Bull em quarto (128) e a Alpine na quinta posição, desta vez colocando os dois pilotos, Colapinto e Pierre Gasly, nos pontos (60). Já nos pilotos, Kimi Antonelli voltou a ver o avanço na frente reduzido para os adversários diretos, tendo agora 179 pontos contra 154 de George Russell e 147 de Lewis Hamilton. Charles Leclerc passou para quarto com 108 pontos, mais 11 do que Lando Norris, 26 do que Oscar Piastri e 32 do que Max Verstappen, que tem agora Isack Hadjar mais perto (82-76).
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