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(A) :: No ADN do galo continua a haver um suspeito que insiste em aparecer quando alguém quer fazer história (a crónica do Paraguai-França)

No ADN do galo continua a haver um suspeito que insiste em aparecer quando alguém quer fazer história (a crónica do Paraguai-França)

Pela primeira vez neste Mundial, o Paraguai ousou contrariar o poderio francês, aguentou mais de uma hora, mas caiu de penálti. Mbappé e Doué apareceram no momento certo e apuraram França (0-1).

Tiago Gama Alexandre
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É amplamente (re)conhecida como a melhor seleção do torneio e os 16 avos de final acabaram por confirmar esse estatuto, ainda que apenas na teoria e numa fase precoce. Enquanto os outros candidatos ao título passaram por dificuldades e até chegaram a ser eliminados logo no arranque da fase a eliminar, França deu mais uma lição de superioridade e goleou a Suécia, naquele que foi o triunfo mais expressivo dessa fase, a par da vitória de Espanha frente à Áustria (também por 3-0). Agora era altura de os bleus enfrentarem uma das sensações da eliminatória anterior: o Paraguai, que não se vergou perante a grandeza da Alemanha e venceu nos penáltis, com Orlando Gill a assumir o papel de herói. Para além disso, este era o primeiro teste francês frente a uma seleção sul-americana, que se tem mostrado intensa e difícil de superar, principalmente pelas formações europeias.

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“Estamos a sentir-nos bem. Os jogadores estão a disputar o seu primeiro Mundial. Tivemos de aprender depressa. É um privilégio disputar um jogo como o de amanhã [sábado], contra uma das melhores seleções do mundo. Só o facto de termos chegado até aqui já é uma vitória para nós. Já estamos livres de pressão. Queremos continuar a fazer história. Estamos habituados ao calor. No entanto, o calor faz-se sentir. Que jogo decisivo se joga no Paraguai às cinco da tarde? Nenhum. Talvez tenha acontecido uma vez e tenha havido uma derrota. Não se joga a essa hora. Mas o calor vai afetar ambas as equipas. E a altitude elevada também afeta ambas as equipas. Quem tem uma ligeira vantagem são aqueles que conseguiram preparar-se para essa situação”, explicou Gustavo Alfaro.

“Tal como todas as seleções sul-americanas, o Paraguai tem muita garra. Está no seu ADN. Vão lutar do primeiro ao último minuto, jogando de forma agressiva. Mas não foi só a agressividade que lhes permitiu derrotar a Alemanha. Quando se chega aos oitavos de final num Mundial, não é por acaso. Sem talento, não se chega tão longe. Não têm nada a perder e vão dar o seu melhor. Estive com o Guy Stephan [adjunto] na final e na meia-final do Mundial de Clubes. Estávamos no estádio. Vimos que estava bastante calor e pudemos trocar algumas ideias. E isso teve, de facto, impacto. Agora, será que isto é bom para a saúde dos jogadores assim que surgem condições extremas, quer seja calor, frio ou um relvado difícil? Não é o ideal. Mas não fomos nós que escolhemos, por isso adaptamo-nos e antecipamo-nos”, frisou Didier Deschamps.

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Como anunciado previamente, o 250.º aniversário da independência dos EUA não escapou ao futebol, com a FIFA a preparar uma cerimónia 25 minutos antes do pontapé de saída, que atirou o início do aquecimento para 65 minutos antes do apito inicial. A cerimónia de Filadélfia contou com pirotecnia, exibições temáticas nos ecrãs gigantes, Idina Menzel a interpretar Star Spangled Banner, bem como a atuação musical dos The Roots com a participação do Coro e Coral de Rapazes de Filadélfia e de Stephanie Skinner, a Miss Pensilvânia. Por fim, houve uma exibição aérea de acrobacias com aviões, o voo dos esquadrões VFA-11 e VFA-81 da Base Aérea Naval de Oceana.

Apesar do esforço elevado frente à Alemanha, Alfaro apresentou apenas três alterações no seu onze, com Gustavo Velázquez, Omar Alderete e Diego Gómez a regressarem à equipa, de onde saíram José María Canale, Damián Bobadilla e Gabriel Ávalos. Com Aurélien Tchouaméni a apresentar-se como baixa de última hora — embora tenha estado no banco —, Deschamps estava forçado a mexer no seu onze, optando por colocar Manu Koné ao lado de Adrien Rabiot no meio-campo. Como seria de esperar, a seleção do galo teve uma entrada dominante frente a uma albirroja determinada em fechar a sua baliza com um 5x4x1 bastante compacto. A primeira oportunidade apareceu a meio da primeira parte, com Koné a desferir um remate em zona frontal que acabou por ser cortado (22′). Já depois da pausa para hidratação, Rabiot tentou de longe, mas a bola saiu por cima (33′). Na parte final, Ousmane Dembélé tentou com um remate em arco que voltou a ser desviado (38′).

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Ao intervalo houve tempo para uma espécie de halftime show protagonizado pelo DJ Jazzy Jeff e, no recomeço do jogo, França mostrou outra velocidade de processos no ataque, tendo ficado perto de marcar num canto cobrado rapidamente e que surpreendeu os paraguaios. Dembélé recebeu na área, rodou, mas atirou ao lado de ângulo apertado (52′). No lance seguinte, Koné aproveitou o espaço para armar um grande pontapé de longe para a primeira grande estirada de Orlando Gill, que negou o golo com a mão direita (54′). Os bleus acabaram por desbloquear o jogo com a entrada de Doué, com o avançado a conquistar um penálti num lance individual em que acabou tocado em falta por Diego Gómez. Na cobrança do castigo máximo, Mbappé atirou rasteiro e colocado para a direita, inaugurando o marcador (70′). Na fase final do desafio, o capitão voltou a criar perigo, mas Gill evidenciou-se com nova intervenção (89′). Na resposta, Maurício ganhou espaço à entrada da área, rodou, mas o remate acabou nas mãos de Mike Maignan (90′). Pouco depois, Doué foi lançado na esquerda, conduziu e deixou para o remate de Mbappé à entrada da área, Gill defendeu para a frente e ainda foi a tempo de travar a recarga do avançado, que estava isolado (90+6′).

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A estrela

  • Campeonato do Mundo sem Kylian Mbappé já não é a mesma coisa. Pode não ter tanto impacto durante a época ou em outras competições, mas sempre que a conversa muda para o Mundial, Mbappé diz presente… e de que maneira. Ao 19.º jogo na competição, o capitão de França apontou o 19.º golo e igualou Leo Messi no topo da lista de melhores marcadores desta edição, com sete golos. Para além disso, está apenas a um tento de igualar o recorde de golos do argentino na prova, tendo feito o 10.º golo nos últimos seis jogos no Mundial. Resolveu o jogo sozinho, ainda que de penálti, e levou o seu país aos quartos de final.

https://twitter.com/BBCSport/status/2073538808193417367?s=20

O joker

  • Não foi titular, mas acabou por mudar o jogo depois de ter entrado. Désiré Doué saiu do banco aos 61 minutos e agitou de tal maneira o lado esquerdo do ataque francês que, com pouco mais de cinco minutos em campo, bailou na área perante três defesas e conquistou o penálti que acabou por resolver o jogo. É certo que a concorrência é forte, mas o extremo do PSG voltou a ganhar pontos no capítulo da titularidade.

https://twitter.com/RMCsport/status/2073535496391684224?s=20

A sentença

  • Pela quarta edição consecutiva, França está no lote das oito melhores seleções da prova, continuando em busca de repetir a presença na final de 2018 e 2022. Ainda assim, o caminho não vai ser fácil, estando reservado para a próxima fase o escaldante reencontro com Marrocos. No Qatar o duelo pendeu para o lado francês (2-0), mas os marroquinos têm mais experiência e prometem complicar a tarefa gaulesa. Quanto ao Paraguai, a albirroja despede-se nos oitavos de final com uma das suas melhores prestações de sempre. Na retina fica a eliminação da Alemanha e as dificuldades colocadas a França.

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A mentira

  • Não está confirmado de forma oficial, mas a imprensa francesa relata que este Paraguai-França passou a ser o jogo mais quente de sempre de toda a história do Campeonato do Mundo, com a temperatura a superar os 40ºC em Filadélfia durante o jogo. Nos bancos, a TF1 chegou a registar quase 70ºC, ao passo que a temperatura do relvado aproximou-se dos 50ºC, de acordo com as medições da RMC Sport. Apesar do alerta de calor extremo lançado pelo Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) norte-americano, a FIFA decidiu manter o pontapé de saída para as 17 horas, apanhando inclusivamente um período em que se esperavam… tempestades. Durante os 90 minutos, essa probabilidade fixou-se entre os 10% e os 20%, passando para 30% a 50% a partir das 19 horas locais (meia-noite em Lisboa).

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