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(A) :: Elefante-marinho de uma tonelada causa constrangimentos na Tasmânia. Neil, de cinco anos, é uma "celebridade"

Elefante-marinho de uma tonelada causa constrangimentos na Tasmânia. Neil, de cinco anos, é uma "celebridade"

Neil regressa às cidades tasmanianas todos os anos desde que nasceu. Sem outros animais da mesma espécie para interagir, o gigante mamífero "luta" contra pilaretes, vedações e carros.

Larissa Faria
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Todos os anos, os elefantes-marinhos tasmanianos “vão de férias” em julho (no inverno do hemisfério sul) por cerca de seis semanas para a sua terra natal, as ilhas subantárticas geladas. Mas Neil, nascido em Salem Bay, na Península de Tasman, cresceu acostumado a ver carros, estradas e seres humanos. Casos como este não são comuns, mas biólogos daquela região acreditam que a mãe de Neil tenha errado o caminho para chegar à colónia ou estava tão exausta que acabou por parir naquela praia urbana. Os animais desta espécie costumam viver milhares de quilómetros mais a sul, nas ilhas subantárticas de Macquarie e Heard.

Neste período de regresso a casa, os elefantes-marinhos descansam e treinam as habilidades de luta com os seus pares. Como Neil não tem por perto outros da mesma espécie, acabou por considerar elementos da vida na cidade como os seus obstáculos. Carros estacionados, cones de trânsito, vedações e pilaretes tornaram-se não só os seus “adversários de batalha”, mas também os seus companheiros para dormir. É o que mostram as fotografias e vídeos publicados no perfil do Instagram Neil the Seal, onde estão reunidos os registos do animal feitos por habitantes daquela cidade australiana.

Na ausência de outros elefantes-marinhos, as barreiras de trânsito e tudo o que surgir no caminho acabam por fazer as vezes de oponentes. “Infelizmente, o pobre do Neil está provavelmente à procura dessas interações e não as está a encontrar”, lamentou o gestor de ciência e operações do Instituto de Ciências Marinhas de Sydney, Clive McMahon, ao The Guardian. “Muitas vezes, quando o vemos a dormir, ele está encostado a uma vedação, e isso deve-se provavelmente ao facto de querer sentir que está ali mais alguém“.

A proximidade de Neil com seres humanos não tem sido mal vista pela autarquia, que chegou a referir o animal como “uma espécie de celebridade, que continua a fazer por merecer esse estatuto”, disse ao mesmo jornal Rod Macdonald, presidente da Câmara de Tasman, região em que o elefante-marinho nasceu em 2020. “É o único tipo na Tasmânia que pode parar o trânsito, ignorar toda a gente e, ainda assim, ser adorado por isto“, afirma a senadora independente Jacqui Lambie.

Mas as autoridades e biólogos alertam que Neil, que já pesa 1.000 quilos, pode chegar a três ou quatro toneladas, o que é comum entre os mamíferos do seu grupo. O seu tamanho pode, portanto, tornar-se uma ameaça não só para as infraestruturas urbanas, mas também para pessoas que se aproximam. “Provavelmente não é rápido a mover-se, mas se bater contra um carro ou decidir pôr o focinho em cima do capô, a coisa não vai correr muito bem“, alertou Macdonald. Por isto, as autoridades recomendaram aos habitantes de Tasman que mantenham distância de pelo menos 20 metros de Neil — número que sobe para 50 metros nos casos de pessoas com outros animais, como cães. Não foi registado até ao momento nenhum incidente grave envolvendo Neil, mas uma coisa é certa: em cada uma das suas visitas anuais, continua a fazer sucesso nas redes sociais.