Portugal vai enviar para a Venezuela, previsivelmente no início da próxima semana, dois aviões carregados de medicamentos e outros meios de assistência humanitária e duas ambulâncias, anunciou esta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Os dois aviões da Força Aérea Portuguesa “levarão seis toneladas de medicamentos, 15 toneladas de material de higiene, material de conforto e de saneamento e duas ambulâncias completamente equipadas para darem assistência naquilo que nós chamamos agora o médio prazo, enfim, é um curto-médio prazo, mas esta era a operação de emergência e agora passamos para uma segunda fase”, disse o governante, à margem de uma visita do Presidente da República à sede da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, em Lisboa.
Nas declarações aos jornalistas sobre a ajuda à Venezuela, no seguimento do sismo que ocorreu naquele país com uma forte presença da comunidade portuguesa, Paulo Rangel acrescentou que as duas organizações não governamentais “Oikos e Cáritas vão fazer projetos de apoio a 1.500 famílias e, para isso, têm um orçamento de 400 mil euros”.
Paralelamente, segundo Paulo Rangel, serão canalizados 250 mil euros para organizações locais prestarem assistência psicológica e de médio prazo, agora que está a terminar a fase de ajuda no salvamento.
“A situação anímica e psicológica de muitas pessoas e de muitas famílias é obviamente motivo de grande preocupação; portanto, há cuidados imediatos do ponto de vista físico, a nível da prevenção de doenças, a nível da alimentação, do alojamento, de cuidados médicos, nomeadamente pela escassez de medicamentos, mas há também uma dimensão psicológica muito, muito preocupante e, portanto, nós estamos já a trabalhar nestas várias frentes”, concluiu o governante.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 2.595 mortos e 12.400 feridos, segundo o mais recente balanço oficial. Entre os mortos, há pelo menos 84 portugueses e lusodescendentes, e outros 63 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela. A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais afetadas.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.