A última atualização realizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) aponta para 84 cidadãos portugueses e luso-descendentes mortos na sequência dos sismos na Venezuela. O número, no qual se integram 72 pessoas que também tinham nacionalidade venezuelana, distribui-se por 69 adultos e 15 crianças como vítimas mortais.
De acordo com os dados do MNE, existem ainda 63 portugueses ou luso-descendentes desaparecidos.
O balanço revisto do duplo sismo de 24 de junho na Venezuela ascende agora a 2.595 mortos, anunciou esta quinta-feira à noite a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, garantindo que “ninguém será colocado em valas comuns”.
O número de feridos devido aos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que ocorreram na região norte da Venezuela ascende a, pelo menos, 12.400, anunciou ainda Delcy Rodríguez, em conferência de imprensa. As Nações Unidas estimam que este número possa ascender a 50.000.
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Rodríguez, que destacou a presença na Venezuela de equipas de resgate de 33 países, revelou os dados durante uma conferência de imprensa, oito dias após o duplo terramoto que afetou Caracas e outros seis estados do norte do país.
A Presidente interina, que compareceu ao lado do irmão, presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, e do ministro do Interior, Diosdado Cabello, defendeu o trabalho do Governo venezuelano e garantiu que há um total de 6.462 pessoas resgatadas.
“O Estado venezuelano, no seu conjunto, mobilizou-se imediatamente. A primeira medida que tomámos, poucas horas após a ocorrência, foi emitir um decreto para dar resposta a esta situação de emergência. O sistema de proteção civil e o sistema de defesa pública foram mobilizados de imediato”, afirmou Rodríguez.
A presença de equipas de resgate internacionais ascendia, na quinta-feira, a 3.000, segundo dados da ONU. A Presidente interina informou ainda que está em negociações com o Departamento de Estado norte-americano e com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para “recuperar recursos” que permitam a reconstrução das infraestruturas afetadas pelos sismos.
Delcy Rodríguez afirmou, por outro lado, que o Governo venezuelano tem estado em contacto com o Banco Interamericano e o Banco Mundial, que “já ofereceram cooperação não reembolsável para apoiar o processo de recuperação”, além de “linhas de crédito” para a Venezuela.
Rodríguez recordou que criou um fundo inicial no valor equivalente a 200 milhões de dólares (174,7 milhões de euros) e uma conta no CAF — Banco de Desenvolvimento da América Latina e das Caraíbas — para “as doações em dinheiro internacional”, que serão destinadas à construção de habitações e que contarão com “todos os mecanismos de auditoria”.
A mandatária deu ainda conta da chegada recente a Caracas de um grupo “muito especializado e profissional” de Israel para a recuperação das infraestruturas e para a “avaliação da situação” das construções que não ruíram completamente, mas que ficaram danificadas.
Os danos causados em habitações e bens económicos, como carros, edifícios ou estabelecimentos comerciais, na sequência dos dois sismos, ascendem a um valor preliminar de 6.700 milhões de dólares (5.681 milhões de euros), de acordo com uma avaliação por satélite baseada na Análise Digital Rápida do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O Governo de Caracas estimou em cerca de 12.800 o número de pessoas que perderam as suas casas, enquanto o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) registou 16.000 cidadãos que tiveram de procurar um local alternativo para viver.
A Presidente afirmou que, nas primeiras horas após os terramotos, recebeu telefonemas de 72 chefes de Estado e de Governo, a quem garantiu que o “principal objetivo” da Venezuela era “salvar vidas”, pelo que o país precisava de “equipas de resgate, sem objeções, sem considerações políticas”.
Delcy Rodríguez agradeceu expressamente o apoio do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do chefe do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e do Presidente de El Salvador, Nayib Bukele.