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(A) :: "Quando acontece tantas vezes, não pode ser sorte...": as reações dos jogadores à vitória de Portugal (e ao golo de Gonçalo Ramos)

"Quando acontece tantas vezes, não pode ser sorte...": as reações dos jogadores à vitória de Portugal (e ao golo de Gonçalo Ramos)

Avançado confidenciou, Bernardo Silva confirmou: quando estava no banco, prometera marcar se entrasse. Cumpriu. E até deixou um novo lema: "Se precisarem de um golo no final, chamem o Gonçalo Ramos".

Bruno Roseiro
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Leve, descontraído, com aquele sorriso nos lábios de quem tem a vida decidida fora do Mundial (tornando-se a maior transferência de sempre do AC Milan de Ruben Amorim, por 74 milhões de euros) mas que tem mais para dar ainda neste Mundial. À mesma hora em que os adeptos da Suíça se preparavam para a partida com a Argélia, aquele nome também não lhes passava ao lado – Gonçalo Ramos. O Gonçalo Ramos que marcou um hat-trick aos helvéticos nos oitavos do Mundial de 2022, o Gonçalo Ramos que saltou agora do banco para dar de novo a vitória a Portugal nos descontos para qualificar a equipa nacional para os oitavos.

O avançado tinha todas as razões para ter aquele semblante de alegria no final da partida. Não recebeu o prémio de MVP, que se pensava estar entre ele e Diogo Costa mas foi parar a Cristiano Ronaldo, nem por isso mudou uma vírgula no que tinha para dizer: quando precisarem dele, está sempre presente. “Foi um jogo complicado. Começámos a perder e acabou por ser um bocadinho no desespero e no sofrimento, mas o mais importante é que ganhámos. Passámos à próxima fase e mostrámos a força da nossa equipa. Agora já passou, é focar no próximo. Golo? Foi quase um golpe de instinto. Sei que neste tipo de momentos costumo aparecer, costumo marcar e resolver os jogos. Gosto de me focar nisso e focar as minhas energias nisso”, frisou.

“É especial, é uma competição especial, mas a verdade é que quem me conhece já sabe que nos últimos minutos, quando é preciso um golo, eu estou lá. Já não é a primeira, a segunda, nem a terceira vez. E sempre que precisarem de um golo nos últimos minutos podem chamar o Gonçalo Ramos. Foi uma resposta muito importante da equipa. É sinal de que está a crescer dentro da competição e isso é importante. É uma competição curta, mas para nós não é. É muito tempo de trabalho, horas de treino, tempo juntos. Parece que já estamos aqui há imenso tempo e isso também pesa. Acho que a mensagem que passámos hoje foi a força do nosso grupo e a partir de agora é mata ou morre e nós mostrámos a nossa força”, acrescentou Ramos.

“Aposto que a minha namorada chorou. É uma noite especial porque ela não tinha estado no último Mundial e de certeza que se vai recordar desta noite para sempre. Também estava cá o meu filho que não se vai lembrar de certeza, mas é uma história para contar. É importante estar sempre preparado. Eu acho que estou sempre focado e trabalho no meu limite. Dou sempre tudo e acho que isso é o mais importante. Depois o trabalho acaba por recompensar e quando acaba por acontecer tantas vezes, não pode ser sorte…”, disse depois o avançado na zona mista, revelando que trocou a camisola com o ex-companheiro Petar Musa.

“Foi difícil. Tratou-se de um jogo em que perdemos o controlo  emocional e não o devíamos ter feito. Começámos bem mas depois entrámos no jogo que eles queriam. O mais importante está feito que é a passagem aos oitavos de final, mas partimos demasiado o jogo e pagámos por isso. Depois quando tivemos de arriscar fizemo-lo de uma forma boa mas, posteriormente, baixámos as linhas quando não devíamos. Esta é uma competição difícil pois representamos toda uma nação e perdemos a parte racional. Já aconteceu com a Colômbia e podia ter custado caro. Quando é assim o jogo fica no 50/50. Conseguimos a qualificação mas temos de melhorar pois espera-nos um adversário difícil”, comentou também Bernardo Silva.

Estava sentado ao lado dele no banco e o Gonçalo tem sempre uma fé muito grande no que pode fazer se entrar. Disse-me para não me preocupar, porque, se entrasse, ia fazer golo. E fez.”

Já Rúben Neves destacou o triunfo de Portugal com um reparo… ao tempo de compensação. “É difícil explicar aqueles momentos. Queríamos evitar o prolongamento e acabámos por jogar uma parte… Os 17 minutos de descontos são injustificáveis. A equipa bateu-se muito bem e defendemos como tínhamos de defender. No final ainda houve aquele golo que, felizmente, foi anulado. Eles estavam a chegar com frequência à nossa área e entrei para equilibrar defensivamente a equipa de forma a ficarmos mas tempo com a bola. Conseguimos vencer e agora é descansar para preparar a próxima fase”, salientou o médio do Al Hilal, sem esquecer a força de Diogo Jota no dia em que faz um ano do acidente com o irmão onde perdeu a vida.

“Se esperava um jogo assim? Esperava. Como capitão já passei por estes momentos. Disse que tínhamos que saber sofrer. Para ganhar uma competição desta magnitude temos que saber sofrer. Tocou hoje. Acho que foi um jogo bastante interessante para os espectadores. Controlámos bastante a primeira parte, na segunda o jogo foi um bocadinho caótico mas é normal. O futebol é isto. Eles marcaram e nós entrámos um bocadinho em stress, em pânico. Mas depois houve o desbloqueio emocional quando marcámos o penálti. A partir daí o jogo foi mais fácil. Depois tivemos mais um pouquinho de dificuldade, mas a competição é isto. Temos que estar preparados e continuar. Camisola do Diogo Jota? É um dia especial por aquilo que vocês sabem, do nosso Jota que está lá em cima a iluminar-nos. É um momento especial. Todos nós sentíamos que ele está presente connosco e só fazia sentido hoje ganhar para homenageá-lo da melhor maneira”, recordou também Cristiano Ronaldo, que assegurou que Portugal estará preparado para o duelo com Espanha.