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(A) :: Do tabu desfeito ao Leão na cartola. No novo Mundial, Martínez aprendeu a mexer

Do tabu desfeito ao Leão na cartola. No novo Mundial, Martínez aprendeu a mexer

Foi preciso um susto para Martínez acordar. O plano que tinha estava certo mas só deu resultados sem CR7. Da revolução dos 61' à vontade de mexer ainda mais, analisámos a prestação de Martínez à lupa.

Miguel Cordeiro
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Os rostos que se viram no banco de Portugal ao minuto 55 do jogo com a Croácia vão ficar para a história do percurso de Portugal no Mundial-2026. A Croácia tinha marcado há três minutos e acabava de marcar novamente. Roberto Martínez teve certamente vontade de puxar os cabelos, mas perante a impossibilidade virou-se rapidamente para o banco, viu os rostos de choque e mandou chamar todos os homens que estavam a aquecer.

Depois de ter dominado a primeira parte, Portugal estava à beira de ficar a perder por 2-0 logo no arranque da segunda parte. Martínez lançou também Nélson Semedo e foi aí que se confirmou que o golo foi anulado. Acontece tudo num espaço de segundos, mas o selecionador já não ia mudar de ideias. Bernardo Silva, Francisco Conceição, Nélson Semedo e Gonçalo Ramos iam mesmo para o relvado.

Os quatro jogadores recebem indicações do mister e encaminham-se para a linha lateral. É daí que veem Cristiano Ronaldo a meter a bola no fundo da baliza dos croatas. Festejam efusivamente, mas não conta. Ronaldo estava fora de jogo por um ombro. A ascendência de Portugal naqueles minutos não muda a vontade de Martínez e aos 62’ entram quatro homens de uma só vez.

Sem espaço para “estrelas” e sem pensar em estatutos, Martínez tira do relvado Bruno Fernandes, Vitinha, Cancelo e Pedro Neto. Portugal assume o jogo, como tinha feito na primeira parte, e cinco minutos depois de mexer, começa a reviravolta. Num lance de pontapé de canto, Portugal ganha uma grande penalidade, por falta sobre Renato Veiga. Ronaldo bate e marca.

O acordar de Martínez não se ficou por aqui. Aos 81′, com o jogo empatado, o selecionador percebeu que a equipa não estava a operar o plano que tinha desenhado e queria voltar ao esquema inicial. A Croácia estava a ganhar o meio-campo e só João Neves corria cansado para tentar afastar as investidas à entrada da área. Só havia uma solução: retirar um avançado e povoar o miolo. Podia tirar Rafael Leão, mas iria perder um homem para atacar as linhas – e era isso que queria Martinez.

Aos 81’, pela primeira vez no Mundial-2026, o número 7 surgiu a vermelho na placa do quarto árbitro. Cristiano Ronaldo aceitou, entregou a braçadeira, saiu e cumprimentou Martínez. Foi uma decisão natural face ao plano que estava desenhado para o jogo.

Martínez arriscou e sorriu. O homem que quer jogar dois Mundiais em mês e meio finalmente acordou. Foi preciso o marcador já indicar 2-0 para a Croácia – apesar do 2º ter sido anulado. Em Toronto, o Observador colocou uma lupa sobre Roberto Martínez e vimos que, no primeiro jogo do novo Mundial, Portugal teve treinador.

Martínez tira um Leão da cartola

A mais de uma hora do início do jogo os telemóveis dos adeptos começam a vibrar. As notificações indicam que há mexidas no onze de Portugal. O regresso de João Neves já seria esperado, mas no ataque estava outra novidade. Rafael Leão ocuparia o lugar de João Félix. Percebeu-se assim o que pretendia Martínez. Afastar a bola do miolo e atacar as laterais. Esta ideia iria ser repetida pelo mister durante todo o jogo.

O selecionador sobe ao relvado depois da equipa. Atrás dele só sobra Austin MacPhee, o treinador de bolas paradas. Em frente ao banco de suplentes não há espaço para cantar o hino devido à zona dedicada aos fotografos, e por isso a equipa técnica canta o hino ao longo da linha lateral, já para lá da zona técnica. Depois do hino, Martínez troca cumprimentos com Zlatko Dalic, selecionador da Croácia. Trocam prendas e umas palavras amigáveis. Já na zona técnica, Martínez recolhe uma água e posiciona-se no seu local favorito – o vértice da zona técnica, do lado direito, o mais perto possível do centro do relvado. Assume a posição mais habitual durante todo o jogo, braços cruzados. Estará assim longos momentos durante a partida, mas o arranque da segunda parte irá mostrar um selecionador capaz de gesticular mais que um tradutor de língua gestual.

É da zona técnica que Roberto Martínez vê o abraço caloroso entre Cristiano Ronaldo e Luka Modric. Os dois acenam para as bancadas e tanto Dalic como Martínez aplaudem. Já com as equipas a postos para o inicio do jogo, Perisic entra no meio-campo de Portugal para cumprimentar o selecionador português. Já se fazia o countdown para o arranque da partida.

Um plano que Martínez teve de gritar

É nos primeiros minutos do jogo que se compreende plenamente a intenção do mister. Portugal cria o primeiro lance de perigo por Rafael Leão, que rasga a defesa croata e com espaço, cruza rasteiro para Bruno. O lance quase que dá em golo. Martínez aplaude efusivamente. Os jogadores estavam a executar o plano. O estádio grita efusivamente pela Seleção Nacional portuguesa, parece um jogo em casa e a equipa responde com oportunidades.

Rafael Leão é o homem mais solicitado e cria oportunidades de perigo para Portugal, mas Martínez percebe que os croatas vão reagir a essa tendência e por isso aponta várias vezes para o lado direito do ataque. Aos gritos, avisa os centrais e os médios que há um homem sempre desmarcado à direita. Neto é quase sempre o alvo do dedo indicador de Martínez quando fala com Dias, Veiga, Vitinha e Neves. Cancelo também é chamado pelo mister e Martínez só aponta para o corredor direito.

Aos 17’ surge a primeira grande discussão de Martínez com o quarto árbitro. Será mesmo o momento em que mais contesta uma decisão. No centro do relvado, Rúben Dias luta por uma bola e vai ao chão. Espen Eskas, o árbitro, vai ao bolso e mostra o cartão amarelo ao defesa português. Os jogadores levam as mãos à cabeça e Martínez faz o mesmo. Corre para o quatro árbitro e esbraceja efusivamente. Um cartão amarelo por falta sobre Budimir no circulo central, logo no inicio do jogo. É um lance que não se vê todos os dias, mas o árbitro norueguês não teve dúvidas na decisão. O selecionador português queria saber porquê.

Apesar deste lance, Portugal continua a instalar-se no meio-campo croata e já ocupa por largos períodos o terceiro terço do relvado. Mas não é isto que o selecionador quer. O plano não é esse. Portugal tem de dar espaço à Croácia, encosta-los às cordas retira terreno para as progressões de Leão e Pedro Neto. O selecionador aponta para os centrais e pede que corrigem o posicionamento, mas aponta também de forma constante para o lado direito do relvado. Os avisos começam a funcionam ao minuto 20, quando Pedro Neto cruza para uma boa oportunidade de Portugal que Ronaldo não consegue aproveitar.

A pausa para hidração acontece aos 23′, e Martínez tem finalmente tempo e proximidade para recordar o que quer. Chama Vitinha e Rúben Dias. Com os dois ao lado, mostra-lhes o quadro que tem na mão enquanto faz o desenho do que quer. Chega mesmo a virar-se para o lado direito do relvado e a apontar efusivamente para lá. Os dois jogadores acenam com a cabeça e mostram que percebem a mensagem. Depois, Martínez chama Pedro Neto e pede-lhe que corrija um pouco a posição. Quer que o jogador recue um pouco para dar linha de passe mais segura aos colegas de equipa. A seguir, chama João Neves, Cancelo e Veiga, mas acabam por deslocar-se todos os jogadores para essa zona – excepto Vitinha que fica à conversa com MacPhee.

Roberto Martínez dá as indicações sempre com o quadro na mão. Ronaldo não olha, prefere focar-se nas bancadas. A restante a equipa acompanha as indicações e Leão tira algumas duvidas. O tempo é pouco para tantas indicações.

O esforço de Martínez para corrigir o posicionamento atacante de Portugal resultou numa Croácia mais atacante no retomar da partida. Os croatas ocupam o ataque, criam lances de perigo e parecem mais confiantes, mas Portugal responder passados poucos minutos e acontece com o plano do selecionador. A bola deixa de estar tanto tempo no miolo e os laterais e os médios são rápidos a procurar os corredores.

Em cima do intervalo, dois lances que exemplificam a ideia do mister. Do lado esquerdo Leão chuta por cima, à direita, Pedro Neto corre desenfreadamente, mas não chega a uma bola que tinha sido lançada da defesa por Vitinha. Martínez aplaudiu efusivamente as duas ocasiões. Nenhuma deu em golo, mas a equipa já estava a executar de forma sustentada o plano. O árbitro apita para o intervalo e Martínez é o primeiro deixar o relvado.

O despertador tocou aos 55’

Descrever o que disse Roberto Martínez aos jogadores durante o intervalo seria um exercício de pura especulação. Ainda assim, o quer que tenha dito, ou foi errado, ou mal compreendido. Portugal começou a segunda parte a ver a Croácia jogar. Era uma nova partida. Os jogadores portugueses pareciam apagados e os croatas pareciam que tinham bebido o mesmo café que os colombianos.

Zlatko Dalic mexeu logo ao intervalo e deu sinal que queria frescura no ataque. Tirou Budimir, o ponta de lança, e colocou Matanovic, avançado que alinha pelo Friburgo. Esta frescura apanhou a seleção portuguesa desprevenida e, oito minutos depois do início do segundo tempo, os portugueses gelaram por completo. Golo da Croácia. Perisic, desmarcado por Josip Stanisic, remata em força para o canto inferior direito da baliza de Diogo Costa.

Começava a formar-se uma montanha no caminho de Portugal. Grande parte do estádio silenciou-se, mas a festa ruidosa dos croatas motivou os comandados de Zlatko Dalic, que não tiraram o pé do acelador. Dois minutos depois chegou o momento que serviu de faísca para Martínez. A Croácia volta a marcar por Igor Matanovic e é aí que o selecionador português acorda, para nunca mais adormecer.

Apesar de o banco português apontar todo para uma situação de fora de jogo, Martínez só se preocupou em gritar para a linha lateral. Queria todos os jogadores junto a ele. Depois, pediu a Nélson Semedo que fosse rapidamente aquecer. Aconteceu tudo num espaço de segundos. A bandeira está levantada e o VAR irá confirmar que o golo não conta, mas Roberto Martínez já não tira a ideia da cabeça. Pede que Bernardo Silva, Conceição e Ramos retirem os coletes e exige que sejam rápidos. Logo depois chama Nélson Semedo, que aqueceu menos de dois minutos. Rodeado pelos quatro jogadores, Martínez dá indicações enquanto todo o estádio começa a especular uma possivel saída de Ronaldo.

Enquanto isto acontece, Leão remata com violência à barra. Teria sido um golaço, um dos melhores do Mundial até agora. Portugal começa finalmente a responder, mas já nada move a vontade do mister que descruzou os braços. Martínez encaminha os quatro homens para a linha lateral e é aí que Portugal festeja. Cristiano Ronaldo coloca a bola no fundo da baliza, corre para a linha e festeja. Mas não conta. As imagens da FIFA vão acabar por mostrar que estava fora de jogo por um ombro.

Aos 61’, Bernardo, Nélson, Ramos e Conceição vão a jogo. O placar do quarto árbitro não mostra o número 7 em nenhuma das vezes que foi levantado. Em vez disso surge o 8, de Bruno Fernandes, o 23 de Vitinha, o 20 de Cancelo e o 18 de Pedro Neto. Não há espaço para estatutos. Martínez quer novas ideias. Precisa de um ataque com mais gente e de jogadores mais rápidos. O lado direito é completamente renovado. Estava há 55 minutos a pedir a bola daquele lado e não estava a funcionar.

Dois minutos depois da revolução operada por Martínez surge o lance que dá inicio à remontada. Canto para Portugal do lado direito, Rafael Leão remata ao lado, mas Renato Veiga sai do lance de braços abertos a correr para o árbitro. Mais ninguém da equipa portuguesa protesta. No banco de suplentes também não. O árbitro dá pontapé de baliza e Ronaldo pede apoio às bancadas.

Mas o jogo não é retomado. O árbitro pede ao guardião croata para esperar. Estava a receber informações do VAR que lhe pediam para ir rever o lance. Espen Eskas corre para o ecrã e pouco depois comunica ao estádio a decisão: grande penalidade para Portugal. Martínez festeja, Renato Veiga salta e o estádio aplaude efusivamente a decisão.

Aos 68’, Cristiano Ronaldo dá inicio à reviravolta. O capitão da Seleção Nacional remata em força para o fundo da baliza de Livakovic e iguala a partida. Todo o banco corre para Ronaldo. Martínez fica no seu vértice favorito a festejar. Braços no ar, mãos apertadas e dedos apontados à cabeça para que os jogadores se concentrem. Portugal empata mesmo em cima da pausa para hidratação.

Nessa curta pausa de três minutos, Roberto Martínez gesticula sem parar. Chama os jogadores, acerta posições, aponta para o quadro, chama mais jogadores e dá palmadas nas costas dos homens que entraram minutos antes. Fala com Rúben Dias e chama Neves e Bernardo. Cristiano  Ronaldo fala com Ramos enquanto Martínez procura mais jogadores. Tenta perceber se se está a esquecer de alguem. Dá a volta ao circulo formado pela equipa, mas já não diz nada. Quando a formação se desmonta olha para Ronaldo. Pede que jogue no apoio, para um lado e para o outro. Depois pergunta a Leão se está bem e o jogador responde que sim, Martínez dá-lhe uma palmada nas costas.

A equipa sobe toda ao relvado, mas Ronaldo fica para trás. Quer falar com o mister. Chama Martínez, diz-lhe algumas palavras ao ouvido, levanta o polegar e pergunta ‘Ok?’. Martínez acena com a cabeça. Não sabemos o que foi dito, mas foi notório que estavam em concordância.

O retomar da partida mostra um jogo partido. Há várias perdas de bola, mas Portugal recupera quase sempre com muita rapidez. Ainda assim, percebe-se que há uma zona do terreno com poucas camisolas portuguesas. João Neves joga no miolo apoiado por Bernardo Silva, mas em trabalho defensivo está quase sempre sozinho.

Aos 74′ vê-se um buraco autentico no meio-campo português. João Neves comete um erro, falha o passe e depois é ele que persegue sempre sozinho o adversário. A Croácia ataca bem depois de aproveitar o espaço livre no corredor central. Não deu golo, mas levou perigo. Pouco depois, super defesa de Diogo Costa. A Croácia volta a estar por cima e Martínez já está novamente de braços cruzados. O jogo estava empatado, mas a ideia inicial que tinha já não estava a dar frutos. Não podia dar. Tinha dois pontas-de-lança no terreno, faltava alguém no meio campo e por isso os laterais não podiam abrir como o selecionador queria.

O quebrar de um tabu

Aos 79′, Roberto Martínez quis mexer de novo e chamou Diogo Dalot e Ruben Neves. Pediu que tirassem os coletes, mas Dalot perguntou: “Quem?”. O selecionador disse que queria os dois, e Diogo explicou-lhe que não podia. Já tinha colocado quatro jogadores em campo de uma só vez. Nesse momento, Martínez pediu desculpa a Dalot e disse que afinal só queria o Rúben Neves. Enquanto o treinador dá indicações a Rúben, Ronaldo parece fazer de mister em campo, pede calma à equipa, pede que subam e explica que têm de ter mais bola. Martínez não vê, está preocupado em pedir músculo a Rúben Neves.

O estádio já se tinha conformado com o ataque a dois homens por parte da equipa portuguesa, mas Martínez sabia que com o resultado empatado, a Croácia não iria remeter-se à defesa. A indigência de Modric estava a guiar a equipa do leste europeu nas investidas pelo miolo português.

Aos 81’ surgiu a vermelho, no placar do quarto árbitro, um número que ainda não tinha aparecido. Martínez escolheu Cristiano Ronaldo para sair. O capitão ainda estranhou, mas percebeu o plano. Entregou a braçadeira, saiu do relvado, cumprimentou o selecionador e sentou-se ao lado do banco de suplentes. Estava desfeita a dúvida. Roberto Martinez é capaz de tirar Cristiano Ronaldo do relvado.

Portugal entra novamente no jogo. A Croácia continua a criar situações de perigo, mas já não são tão flagrantes. A seleção portuguesa começa a crescer e aos 89’ o selecionador grita para o relvado a pedir energia. O quarto árbitro tinha acabado de levantar a placa que indicava que o jogo iria ter mais dez minutos.

A revolução de Martínez estava a dar resultado e aos 90+4’ dá-se a concretização. Golo de Gonçalo Ramos! Passe perfeito de Rafael Leão para cabeceamento do homem que saiu do banco. 2-1 para Portugal. Martínez festeja e é abraçado por Ricardo, membro da equipa técnica e herói do Euro-2004. Depois dos festejos, Gonçalo Ramos dá um abraço apertado a Ronaldo e ao selecionador. Martínez chama Rúben Dias e falam efusivamente. Dias vai passar uma mensagem a Rúben Neves. O selecionador aponta para o relógio e com os dedos levantados indica: “Faltam cinco minutos”.

É neste momento que um adepto corre desenfreadamente para o banco de Portugal à procura de Ronaldo. É travado de forma aparatosa pelos seguranças, mas o selecionador português nem dá por isso. Está preocupado em acertar os posicionamentos. Grita, gesticula, chama os jogadores. São os cinco minutos mais importantes do jogo. O estádio está em festa, mas o treinador só quer concentração.

A Croácia carrega e Portugal não consegue mais que bombear a bola para longe. O sufoco acabou por levar os croatas a uma festa desmedida aos 90+13′, já para lá do tempo adicional mínimo dado pelo árbitro. A Croácia marca. Roberto Martinez fica imóvel. Tinha a vitória na mão e agora estava à beira do prolongamento. Naquela cabeça só lhe passavam ideias para dar resposta ao golo croata. O banco português estava incrédulo e a protestar. O golo aconteceu para lá do tempo dado pelo árbitro.

É quando os jogadores croatas já se estão a posicionar novamente no relvado que Martínez percebe que o árbitro está a escutar o VAR e aí desperta novamente. Grita para os jogadores, acerta posições, pede que se concentrem e antevê o que se vai passar. O árbitro é chamado ao ecrã e Martínez não pára por um minuto. O golo é anulado e o estádio festeja, mas o selecionador não. Quer apenas a equipa focada, porque o que foi anulado pelo árbitro pode mesmo acontecer se os jogadores não se concentrarem.

Dois minutos depois, o esforço compensou. Martínez é abraçado por toda a equipa técnica. Ricardo e João Vieira Pinto não largam o mister e trocam fortes abraços. Zlatko Dalic aguarda junto à linha. Martínez dá também um abraço ao croata. Trocam algumas palavras e o Dalic deseja boa sorte para Portugal. Martínez procura depois a família nas bancadas. Acena, envia beijinhos, faz corações com as mãos.

É um homem sorridente. Um homem despertado. Um treinador que apareceu no momento certo. Roberto Martínez foi ao banco procurar a vitória frente à Croácia e conseguiu avançar no “segundo Mundial” que idealizou para Portugal. Resta saber se continuará acordado.