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Havia lugar garantido para pelo menos um suíço nos oitavos de final do Campeonato do Mundo. Era esta a única certeza à partida para o duelo entre Suíça e Argélia, um confronto que ia colocar em evidência a disciplina tática e o jogo físico do futebol helvético. Afinal, Murat Yakin foi estagiário de Vladimir Petkovic no início da sua carreira, no Young Boys. No que concerne à formação europeia, a prestação na América do Norte até nem começou bem, com os suíços a desiludirem diante do Qatar, na estreia (1-1). Contudo, a retificação veio logo a seguir e as vitórias diante de Bósnia (4-1) e Canadá (2-1) carimbaram o apuramento para a fase a eliminar. Já os magrebinos também entraram com o pé esquerdo, sofrendo uma goleada frente à Argentina (3-0). Depois, venceram a Jordânia (1-2) e, a fechar a fase de grupos, empataram com a Áustria, num jogo em que estiveram à beira da eliminação na compensação, mas conseguiram garantir a passagem com um golo épico (3-3).
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“Num torneio tão longo também são necessários jogadores capazes de liderar a equipa. Porque uma coisa é certa: nem todos os 23 jogadores de campo serão utilizados de forma igual. Por isso, é ainda mais importante que os primeiros 16 a 17 jogadores sejam postos à prova nos treinos e que tenhamos suplentes experientes em caso de emergência. Johan Manzambi? Ele mostrou do que é capaz logo no seu primeiro treino connosco. Vive para o futebol e tem uma enorme vontade de marcar golos. Nesta época, tem vindo a melhorar jogo após jogo e acho que ainda não atingiu todo o seu potencial. Mereceu estar na final da Liga Europa. Isso não me dá dores de cabeça, dá-me alegria. O Johan é versátil: no Friburgo joga frequentemente no centro; connosco na ala. Mas também consigo imaginá-lo a jogar na frente. Estou contente por ter tantas opções com ele”, assumiu o líder da nati.
“Sou um profissional e concentro-me sempre na equipa que treino, tentando dar o meu melhor por ela. Antes e depois do jogo, estou aberto e atento à possibilidade de reencontrar pessoas que conheço, mas não quero misturar isso com os resultados. Passei momentos fantásticos nos meus sete anos a treinar a Suíça, a minha casa é lá e tenho orgulho nisso, mas sou o treinador da Argélia. A Suíça é a favorita para este jogo e nós somos os underdogs, mas temos uma grande vontade de chegar à fase seguinte e vamos dar tudo o que temos. Yakin? É um excelente treinador, com muitos aspetos positivos que trouxe para a equipa. Conseguiram bons resultados e vou ficar muito contente por voltar a encontrá-lo. No entanto, não é Petkovic contra Yakin, é a Argélia contra a Suíça. Claro que vivo lá e vejo todos os jogos deles. Trabalhei lá durante sete anos e foi um grande prazer. Mas o passado já é passado e o presente é outro dia”, recordou o comandante das raposas do deserto.
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Com Denis Zakaria e Dan Ndoye, juntamente com Luca Zidane, Ramiz Zerrouki e Rayan Aït-Nouri a saltarem para os respetivos onzes, a primeira parte até começou equilibrada, mas a Suíça não precisou de muito para chegar ao golo, aproveitando da melhor forma uma transição rápida. Manzambi abriu o livro na esquerda, arrancou em velocidade, driblou Aïssa Mandi dentro da área e, junto à linha de fundo, cruzou atrasado para o desvio certeiro de Breel Embolo (10′). No arranque da etapa complementar, os helvéticos voltaram a aproveitar a passividade defensiva da Argélia, com uma sequência de dois cruzamentos cortados a acabar nos pés de Ndoye, que atirou cruzado para o 2-0 (46′).
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Esse golo até acabou por melhorar as raposas do deserto, que quase reduziram logo a seguir, com o remate de primeira de Riyad Mahrez a terminar num grande corte de Zakaria (50′). Na reta final da partida, o defesa foi ao ataque desferir um cruzamento que deixou Fabian Rieder sozinho só com a baliza pela frente, mas o extremo do Augsburgo acabou por permitir a defesa de Zidane (81′).
A estrela
- Não há muitas dúvidas. Quem tem Johan Manzambi, tem tudo… ou perto disso. É daqueles craques que não enganam, que despontam como wonderkids no Football Manager e que garantem importantes pontos na Fantasy. Ainda assim, a qualidade do jovem de 20 anos vai muito para lá dos jogos e das métricas e sente-se em campo. Seja a jogar a partida da linha ou nas contas do ponta de lança, Manzambi é um autêntico vagabundo com velocidade, qualidade técnica e faro de golo. Saiu depois da pausa para hidratação a pensar nos oitavos de final, tal é a sua importância para Murat Yakin.
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O joker
- Denis Zakaria voltou ao onze para dar um recital na defesa e no ataque. O polivalente jogador de 29 anos foi outra das figuras do lado direito da Suíça, que criou muitos problemas à Argélia. Na defesa, Zakaria esteve imperial com cortes importantes, tendo inclusivamente impedido a reação africana no início da segunda parte. No ataque criou dificuldades com passes importantes, faltando apenas a assistência que Rieder “não” lhe quis dar.
A sentença
- Pela primeira vez, a Suíça venceu um jogo na era moderna do Campeonato do Mundo, regressando aos oitavos de final, onde tem sido constantemente eliminada. Curiosamente, a primeira e única vitória da equipa europeia na fase a eliminar tinha sido em… 1938, numa altura em que não havia fase de grupos. O próximo adversário é a Colômbia ou o Gana, de Carlos Queiroz, num duelo que vai acontecer na próxima terça-feira. Por sua vez, a Argélia despede-se da competição em que nunca ganhou um jogo da fase a eliminar.
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A mentira
- Pela décima vez, a Argélia tombou frente a equipas europeias em Mundiais, com a malapata a continuar. Ao décimo jogo, os africanos somaram a sexta derrota contra formações oriundas da UEFA, numa lista em que constam ainda quatro empates. Frente à Suíça, as raposas do deserto continuaram com os problemas defensivos, algo que Vladimir Petkovic vai demonstrando incapacidade para resolver. Com esta eliminação, o suíço não deverá estar muito mais tempo no comando técnico da Argélia, que se despede da América do Norte com poucos rasgos de qualidade.