Acompanhe o nosso artigo em direto sobre os sismos na Venezuela
Um grupo de operacionais portugueses esteve durante esta semana empenhado no resgate de um sobrevivente em La Guaira, a região mais afetada pelo sismo duplo que abalou a Venezuela na semana passada. A vítima, Hernán Alberto Gil Flores, um homem de 44 anos, passou sete dias soterrado nos escombros do terceiro piso do estacionamento de um centro comercial em Playa Grande, onde trabalhava como segurança. Ficou preso na guarita de segurança onde trabalhava — e a sua história foi um dos casos que mobilizaram mais recursos e também mais atenção mediática.
As imagens das televisões mostraram uma multidão a festejar a retirada de Hernán após um longo e complexo resgate que envolveu vários operacionais portugueses. Minutos antes do resgate, o comandante da Força Operacional Conjunta (FOCON) portuguesa, Hugo Santos, explicou que as equipas já tinham conseguido “ter contacto físico com a vítima” e já tinham instalado “equipamentos de mobilização”, pelo que o resgate já se encontrava na fase final. “Está estável, não apresenta risco de vida e, por si só, já é uma excelente notícia.” As autoridades portuguesas divulgaram um vídeo do resgate.
Na terça-feira ainda decorriam “trabalhos de desobstrução na tentativa de chegar à vítima”, relatou à Lusa o sargento da GNR Filipe Rocha, pouco depois das 7h00 locais (12h00 em Lisboa), numa altura em que a equipa portuguesa já estava a realizar a operação há cerca de 20 horas. Segundo o militar, na noite de segunda-feira “foi possível enfiar um tubo num buraco e dar-lhe água”.
O homem, adiantou, “está consciente e tem respondido constantemente à chamada dos operacionais de resgate”. Sete operacionais portugueses estiveram envolvidos no resgate. A missão integra elementos da GNR, Proteção Civil, Bombeiros Sapadores de Lisboa e INEM. Na operação, além de Portugal, participam ainda equipas de resgate da Venezuela, Costa Rica, El Salvador e México, entre outras.
Hernán foi alimentado através de um tubo
Na quarta-feira, o Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, divulgou na rede social X uma atualização sobre o resgate, que já durava há 58 horas. “A dificuldade é que Hernán se encontra preso dentro de uma estrutura de nove pisos muito instável e o túnel que escavámos já sofreu várias derrocadas”, escreveu Bukele.
Uma vez que o túnel inicialmente aberto não resistiu, foi tomada a decisão de abrir um novo túnel. “Ainda assim, toda a estrutura continua a correr o risco de colapsar e não descartamos retomar o túnel original”, acrescentou ainda. “Apesar de tudo, não perdemos a comunicação com Hernán e continuamos a dar-lhe líquidos para o manter hidratado.”
https://twitter.com/nayibbukele/status/2072468585927119115
Através do Facebook, os bombeiros sapadores de Lisboa, que integram a Força Operacional Conjunta Portuguesa (FOCP) presente na Venezuela, também têm divulgado detalhes sobre o resgate.
“Recorrendo a tecnologia portuguesa, através de um sensor capaz de detetar os batimentos cardíacos da vítima e identificar a sua localização, foi possível localizar um sobrevivente e estabelecer uma rota de acesso. As operações de resgate mantêm-se em curso, numa intervenção de elevada complexidade”, anunciou esta quarta-feira a FOCP.
“Este é um resgate de elevada exigência técnica, marcado pela enorme quantidade de escombros e pela difícil localização da vítima. A nossa equipa conseguiu estabelecer contacto com Hernán Gil, de 44 anos, que permanece preso nos destroços há cerca de uma semana. Desde então, revezam-se, sem descanso, para lhe garantir água, alimentação e medicação, enquanto prosseguem os trabalhos para o retirar em segurança”, tinham explicado antes os bombeiros.
Salvar este homem, sete dias depois dos sismos, é “um milagre”, resumiu à Lusa o porta-voz da missão da Costa Rica, Ricardo Árias. A equipa costa-riquenha detetou ainda no domingo que havia um sobrevivente no local, mas foi graças a um “sensor de alta tecnologia” dos portugueses que foi possível identificar “com precisão” a sua localização sob os escombros.
“Isso deu-nos ímpeto e vontade para continuar a trabalhar”, comentou, afirmando que os operacionais se sentem “honrados por trabalhar lado a lado com muita gente”. Árias destacou o “trabalho importante” com Portugal, que “trouxe um impulso, quando muitos já tinham descartado a possibilidade de retirar” o sobrevivente.
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Dezenas de pessoas, incluindo familiares do sobrevivente, encontram-se no local, onde os militares colocaram baias e estão a impedir o acesso. A mulher do segurança, Gusbimar Gonzalez, disse à AFP que o trabalho para resgatar o homem é um “verdadeiro milagre”. “Estou completamente maravilhada, porque é a primeira vez que vejo tantos países a unirem-se assim para salvar uma única pessoa”, afirmou.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.719 mortos e 5.034 feridos, segundo o mais recente balanço oficial. Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, pelo menos 60 portugueses e lusodescendentes morreram e 87 estão desaparecidos.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
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Com Felipe Gouveia, da Agência Lusa