Ainda o mês de Junho e toda a agitação LGBT que os grupos de activistas impuseram à parte civilizada do mundo. Cinquenta e sete anos depois de Stonewall, o desapontamento. Seria útil voltar a ouvir os líderes da época, cuja maior aspiração ultrapassava as leis e os desfiles, e rejeitava o confronto em torno da homossexualidade. Eles não queriam ser definidos por ela. Pediam à sociedade uma coisa mais simples e ambiciosa para os padrões dos anos seguintes: a liberdade de viver uma orientação sexual sem que ela os reduzisse a um boneco. No fundo, a liberdade de viver uma certa vida interior sem ter de abdicar das outras liberdades. Em larga medida, conseguiram. Essa chegou a ser a maior vitória dos homossexuais: deixarem de ser vistos, acima de tudo, como homossexuais. A sociedade prestava àquele ponto específico cada vez menos atenção. As velhinhas viúvas adoravam Goucha e o marido de Goucha. A pouco e pouco, a convivência quotidiana estava a banalizar a orientação sexual. Até que apareceram os activistas para negar e desfazer esta vitória.
O activismo LGBT fez pelos homossexuais aquilo que a sociedade nunca se atreveu a fazer abertamente, ou seja, negar-lhes uma personalidade própria. Para que o activismo se mantenha incómodo, é absolutamente indispensável colocar a orientação sexual no centro da identidade. Quem, além dos próprios activistas, gosta de ser reduzido à imagem de um palhaço que usa maquilhagem de circo e desfila em biquíni de látex avenida abaixo na caixa de uma camionete? Nunca a sociedade atribuiu aos homossexuais um estereótipo tão confrontacional. A representação pública da homossexualidade desceu ao grau mais pornográfico pelas mãos daqueles que se dizem seus defensores.
Não admira que a mistura entre homossexualidade e transexualidade seja cada dia mais agressiva e absurda. O activismo LGBT obriga pessoas muito diferentes a subscrever a mesma caracterização, e a reconhecerem-se numa única identidade política. Promovidos pelos partidos da esquerda – e respeitados pela direita do regime –, os activistas instalaram-se nas escolas, redes sociais, e meios ligados à medicina, com o propósito de pressionar adolescentes a mudar de sexo assim que a adolescência expressa os primeiros sinais de homossexualidade ou confusão. Todo o movimento LGBT se transformou numa espécie de tribunal dos sentimentos políticos certos, um sistema de invalidação que hostiliza os próprios homossexuais assim que eles se recusam a desempenhar o papel. Execraram Peter Thiel e Caitlyn Jenner. Para que alguém seja digno de apreço LGBT já não basta submeter-se ao absurdo da sigla. Tem de marchar pelo “progresso”.
O preconceito alimenta-se de estereótipos, e quanto mais esses estereótipos se afastam do senso comum mais eles servem a perpetuação do activismo no poder. No dia em que acabasse o preconceito, a sociedade chegaria à conclusão de que aquelas boas almas activistas eram dispensáveis. Por isso elas mesmas se encarregam de multiplicar preconceitos e aprofundar os que restam de outros tempos. Não, o activismo LGBT não defende os homossexuais. Prejudica-os. Desde logo porque os impede de dar à sexualidade a dimensão que eles escolherem. E que pode ser nenhuma.