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(A) :: Fila de cinco quilómetros para entrar em La Guaira uma semana após os sismos que mataram quase 2.000 pessoas na Venezuela

Fila de cinco quilómetros para entrar em La Guaira uma semana após os sismos que mataram quase 2.000 pessoas na Venezuela

Civis em motorizadas e carrinhas transportam comida, entulho e pás. Deslocam-se para procurar sobreviventes e desenterrar corpos da "família não é só a de sangue". Acessos a La Guaira congestionados.

Agência Lusa
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Cada vez mais automóveis e motorizadas congestionam diariamente as estradas entre Caracas e a cidade de La Guaira, dificultando o acesso ao estado da Venezuela que foi devastado pelos terramotos de há uma semana.

Os veículos com familiares das vítimas e não só misturam-se com os camiões que descem a serra para recolher entulho. Há carrinhas de caixa aberta atulhadas com sacos de comida, outras com pás, e até quem tenha atado uma pá à mochila e a leve às costas enquanto conduz a motorizada.

São venezuelanos, naturais de La Guaira, outros vizinhos de Caracas, alguns de outras partes do país, que querem responder ao apelo da população que clama por mais apoio para encontrar os sobreviventes que ainda possa haver, desenterrar os corpos dos escombros para que as famílias os possam chorar ou limpar os escombros para dar lugar a um recomeço.

O resultado é uma fila de pelo menos cinco quilómetros, de acordo com as informações transmitidas pelas autoridades venezuelanas. Todos querem passar para dar uma mão, ainda que seja de consolação, como disse à Lusa um condutor através da janela do seu automóvel, enquanto o trânsito não avançava.

“Como é que podíamos ficar em casa? Não sabíamos que estava tão mau, é como se estivessem aqui as nossas mães, irmãos e a família não é só a de sangue”, desabafou.

O exército venezuelano restringiu um dos acessos a La Guaira exclusivamente a equipas de socorristas, ambulâncias e elementos das forças de segurança e militares.

Contudo, muitas ambulâncias continuam a transitar pelas faixas designadas para os civis, assim como os camiões que transportam a pouca maquinaria disponível ou que vão ajudar na remoção de escombros.

“Podiam ter deixado tudo aberto como nos outros dias, [as autoridades venezuelanas] estorvam mais do que ajudam, assim ninguém avança”, criticou Nelson Rodríguez, um condutor a caminho de La Guaira.

Os sismos de 24 de junho causaram pelo menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos, há pelo menos 71 portugueses e lusodescendentes, e outros 71 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.