O Mundial de futebol tem retirado grande parte dos holofotes que os principais torneios de ténis teriam nesta fase mas, na semana passada, e de forma muito discreta, Nuno Borges voltou às meias-finais de uma prova ATP em Maiorca com um percurso muito positivo onde bateu jogadores como o francês Adrian Mannarino, o gigante alemão Jan-Lennard Struff ou o italiano Luciano Darderi, que já se encontra nesta fase no top 20 do mundo. Aí, numa espécie de penúltimo passo, tudo falhou. Do serviço às direitas, passando pelas tentativas de amortie, não houve nada que corresse bem no encontro com o norte-americano Ethan Quinn (que viria a perder a decisão com o espanhol Alejandro Davidovich Fokina). No entanto, e depois das prestações mais discretas em ‘s-Hertogenbosch e Halle, o português dava sinais de um crescendo a jogar em relva.
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Seguia-se Wimbledon, seguia-se mais um Grand Slam, seguia-se uma espécie de terreno sagrado onde surge a melhor versão do maiato no court, que chegara à terceira ronda em seis dos últimos sete Majors, incluindo uma inédita presença na relva londrina no ano passado, onde venceu o argentino Francisco Cerúndolo e o britânico Billy Harris antes de cair frente ao russo Karen Khachanov no tie break do quinto e último set. Agora, a entrada voltou a prometer, com um triunfo diante do norte-americano Tristan Boyer em apenas três sets com os parciais de 6-3, 7-5 e 7-5. Contudo, e num calendário que desta vez foi tudo menos “amigável”, seguia-se já um duelo com o número 1 do ranking ATP e campeão em título, Jannik Sinner.
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“Para já, vou desfrutar da vitória e não stressar muito com isso. De qualquer maneira, tenho bem presente que a pressão está do lado dele. Está a defender o título. Vou tentar jogar com isso a meu favor e tentar desfrutar de jogar num estádio grande. Pode ser que faça um bom encontro. Se ele fizer um bom jogo também pode ser difícil, mas pode ser que consiga causar algum desconforto e, eventualmente, alguns estragos mas sem grandes expectativas. Vou tentar focar-me em mim e jogar o meu melhor. Estou muito orgulhoso de poder estar na segunda ronda. Nos últimos torneios do Grand Slam, tenho tido a felicidade de ganhar as primeiras rondas. Acho que ganhei um bocadinho o gosto pelo jogo à melhor de cinco sets, em vez de três. E, desde que encontrei esse gosto, os resultados também têm sido melhores”, frisara à agência Lusa.
https://observador.pt/2025/07/04/a-mao-de-nuno-tremeu-quando-ia-agarrar-outro-feito-historico-borges-perde-maratona-de-3h45-e-cai-na-terceira-ronda-de-wimbledon/
“Às vezes é preciso ter um bocadinho de sorte também no sorteio dos quadros. A cinco sets dá-me sempre mais oportunidades, se calhar ajuda-me. Acho que não fiz um jogo espetacular mas ganhar em três sets é muito positivo. O objetivo principal era ganhar e, portanto, estou muito contente com isso. Claro que há uma ou outra coisa que gostava de melhorar e não sair deste encontro [frente a Boyer] com um feeling negativo. É só porque na próxima ronda sei que vou ter de jogar um bocadinho melhor, a começar logo pela percentagem de primeiros serviços”, acrescentara o jogador maiato de 29 anos, que iria tornar-se apenas o quarto jogador português de sempre com honras de Centre Court, depois de Neuza Silva (2009, Serena Williams), Michelle Larcher de Brito (2010, Serena Williams) e João Sousa (2015, Stan Wawrinka e 2019, Daniel Evans). Melhor palco do que o court principal para um encontro de superação era impossível.
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Havia algo na antecâmara que dava um pouco mais de asas ao sonho de Nuno Borges voar para um encontro histórico: não deixando de ser o melhor, Jannik Sinner não era agora “a mesma coisa”. Além de não ter Carlos Alcaraz em prova, o que ainda colocava mais pressão sobre o campeão em título, a forma como caiu na segunda ronda de Roland Garros frente a Juan Manuel Cerundolo e a ausência nos habituais torneios de relva de preparação para Wimbledon deixavam algumas dúvidas em relação ao momento que o jogador transalpino atravessava, algo adensado pelo triunfo em cinco sets diante do sérvio Miomar Kecmanovic. O único encontro entre ambos, há quatro anos no ATP de Sófia, caiu para o italiano mas muito mudou daí para cá, tendo em conta que Sinner nem sequer estava ainda no top 10 quando venceu o português nesse jogo.
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“Ele conseguiu quebrar o meu serviço nos dois sets, eu não andei sequer perto. Ele não era o que vemos hoje mas na altura já impressionava, apesar de achar que não chegaria a número 1 e com tantas vitórias em Grand Slams. Aí como agora, espero que, não sendo favorito, consiga criar algum stress no seu jogo como conseguiu fazer o Kecmanovic. É um bocadinho estranho mas foi a primeira vez em que me senti bem na semana antes de Wimbledon. Não temos muitos torneios em relva e, quando perdemos nas rondas inaugurais, ficamos com menos tempo de preparação mas agora consegui fazê-lo. Vou tentar desligar ao máximo do jogo, embora seja bom e útil ver o jogo que fez”, salientara Nuno Borges ao site oficial do ATP, mais uma vez com aquela esperança nas entrelinhas de que este podia ser um jogo mais equilibrado do que se poderia pensar na teoria. Podia e foi mesmo. Mais do que tudo, o português soube aproveitar o momento com várias caras conhecidas nas bancadas, a começar logo pela habitual Martina Navratilova na primeira fila.
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O encontro começou com aquela natural ansiedade de Nuno Borges que seria complicada de controlar mas que teve um ponto positivo: resistiu sempre no seu serviço. O primeiro jogo de serviço ainda passou pelas vantagens, o segundo esteve a 40-30, o terceiro já foi “limpo” em branco. Jannik Sinner agarrava-se a uma primeira pancada quase perfeita para conseguir passar sem problemas nos seus jogos de serviço, onde o jogador português teve poucas ou nenhumas possibilidades de espreitar um break, mas percebia-se que o passar dos minutos trazia um Nuno Borges cada vez mais confiante que respondia na mesma moeda aos tiros de canhão do italiano a servir, algo que se via também nas manifestações descontraídas que tinha a pontos mais vistosos ganhos com amorties ou bolas mais insólitas como uma resposta de Sinner que ficou presa na cadeira do árbitro. O que falhou? O pormenor, aquele que levou a um mini break na pior altura e que fez pender o tie break de um primeiro set muito equilibrado para Jannik Sinner com o parcial de 7-4.
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O segundo set tinha condições para mostrar uma versão melhor do italiano, o segundo set acabou por trazer uma versão ainda melhor do português. Após ter levado o primeiro jogo de serviço de Sinner às vantagens, Nuno Borges conseguiu mesmo fazer o break na primeira oportunidade de todo o encontro e chegou ao 3-1, confirmado com um jogo de serviço em branco. O número 1 do mundo fazia mais erros diretos do que é habitual, não conseguia dar resposta à versatilidade de jogo do português e, até mesmo quando ameaçou o contra break no oitavo jogo com um 0-30, Nuno Borges agarrou-se como nunca ao primeiro serviço e fez o 5-3, servindo para fechar o parcial na décima partida e tendo um set point… antes de sofrer o break, com um ponto fulcral a bater na tela e a trair o português que não mais superou esse azar. Borges respondeu, fazendo o 6-6 em 70 segundos, começou o tie break na frente mas perdeu seis pontos seguidos até ao 7-2.
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Nuno Borges passou pelos balneários mas, logo a abrir, foi às vantagens no seu serviço e sofreu mesmo o break. Fim de história? Ainda não: o português reagiu logo de imediato, beneficiando de duas duplas faltas de Sinner para fazer o contra break. Voltava tudo à estaca zero… por breves minutos, tendo em conta que o transalpino voltou a ganhar o serviço ao português para fazer o 2-1 que confirmou de seguida no seu jogo de serviço. Apesar de grande resistência ao longo da partida, Nuno Borges começava a dar alguns sinais de resignação, mantendo o serviço por uma questão de resiliência mas sentindo grandes dificuldades para ir buscar um novo break que o recolocasse na partida. Em contrapartida, o tal “stress competitivo” que queria colocar no jogo de Sinner começava a diluir-se com o tempo, com o número 1 mundial mais confiante nas suas pancadas apesar do número superior de erros “anormais” até fechar o triunfo no terceiro set por 6-4.
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