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Há quem use os dois primeiros jogos da fase de grupos para carimbar cedo o apuramento para a fase a eliminar, mas também há quem comece a desiludir e que tenha de usar a última jornada para retificar o que fez anteriormente. Este foi o cenário de Bélgica e Senegal que, apesar de não terem entrado no Campeonato do Mundo com o pé direito, deram uma boa amostra da sua competência e da sua qualidade no fecho da fase de grupos. Os diabos vermelhos até começaram a ronda no terceiro lugar, mas golearam a Nova Zelândia por números suficientes que permitiram a passagem no primeiro posto (1-5). Na mesma toada estiveram os leões de Teranga, que bateram o Iraque por números expressivos e garantiram o apuramento como um dos melhores terceiros classificados (5-0). Agora, europeus e africanos enfrentavam-se num dos duelos mais equilibrados, em teoria, destes 16 avos de final.
https://observador.pt/2026/06/27/a-fase-a-eliminar-chegou-mais-cedo-e-o-espirito-do-diabo-sobrepos-se-a-um-kiwi-verde-a-cronica-do-nova-zelandia-belgica/
“São jogos de alto nível no que diz respeito à gestão da pressão, bastante semelhantes a um jogo da Liga dos Campeões ou a um confronto contra uma equipa de topo do campeonato. A diferença é que já estamos aqui há muitos dias. Temos de jogar bem em conjunto e conviver bem uns com os outros. Até agora, tem sido um sucesso. O nosso hotel é bastante agradável, situado num ambiente tranquilo, e temos tempos de deslocação relativamente curtos. Estão 14 graus, não estamos a sofrer com o calor. Estes são fatores importantes para o treino e a preparação. Estou feliz por viver esta experiência com este grupo, sinto-me ligado aos meus jogadores. Espero que possamos chegar o mais longe possível. Temos de vencer o Senegal, é isso que importa para nós. Sabemos bastante sobre eles, conheço muitos jogadores. Estava no Saint-Étienne quando o Pape Thiaw iniciou a sua carreira profissional. São a melhor seleção africana, ganharam a CAN. São uma equipa bastante completa, tanto no ataque como na defesa”, perspetivou Rudi Garcia.
“Percorremos um longo caminho, recuperámos a nossa confiança e o nosso nível. Há aspetos a melhorar e temos de cometer menos erros contra a Bélgica. Terminaram em primeiro lugar no seu grupo, por isso, na minha opinião, estão a ter uma boa prestação. A Bélgica é uma equipa muito forte, com talentos individuais excecionais e um coletivo muito sólido. Mas conseguimos sair de um grupo muito difícil, por isso vamos tentar conquistar a vitória contra os diabos vermelhos. Viemos a este Mundial para deixar a nossa marca, apesar de termos passado por momentos muito difíceis. Mas superámos isso e uma nova competição está prestes a começar. Já não há margem para erros. Temos de vencer para nos mantermos na competição. Precisamos de mostrar que o Senegal tem outra cara”, garantiu Pape Thiaw.
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Ainda sem o lesionado Zeno Debast, que voltou recentemente aos treinos, Garcia optou por manter o onze inicial que defrontou a Nova Zelândia, embora contasse com o regresso de Nathan Ngoy após suspensão. Assim, Brandon Mechele e Arthur Theate continuaram a ser os centrais, com Hans Vanaken, Youri Tielemans e Kevin de Bruyne no meio-campo. Na frente de ataque, Charles de Ketelaere continuou à frente de Romelu Lukaku, que ainda não está no topo da sua condição física. Igualmente sem Édouard Mendy, que foi à Arábia Saudita fazer tratamento à sua lesão, Thiaw manteve Mory Diaw na baliza e apresentou três novidades na sua equipa, com Pathé Cisse, Iliman Ndiaye e Pape Gueye a saltarem para o onze em detrimento de Abdoulaye Seck, Lamine Camara e Ibrahim Mbaye.
Os leões de Teranga entraram melhor na partida frente a uns diabos vermelhos incapazes de ter bola, inferiores no meio-campo e que tiveram de baixar as linhas depois de terem tentado surpreender com uma pressão alta à procura do erro senegalês. Nesse sentido, a equipa africana esteve perto de inaugurar o marcador logo no início, com Ismaïla Sarr a acertar no poste com a baliza praticamente aberta depois de uma má saída de Thibaut Courtois (13′). Pouco depois, o Senegal voltou a desmontar os belgas com uma basculação rápida da direita para a esquerda, Sadio Mané recebeu de Ndiaye e cruzou para a baliza, Sarr voltou a cabecear ao poste e, na recarga, Habib Diarra encostou para o golo inaugural (25′). A Bélgica acabou por melhorar depois da pausa para hidratação e cresceu no fim do primeiro tempo, com Doku a ameaçar com um remate atabalhoado (43′), antes de Maxim de Cuyper obrigar Diaw a aplicar-se (45′).
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Ao intervalo, Rudi Garcia retificou o ataque lançando Lukaku no lugar do discreto De Ketelaere, mas a primeira oportunidade de perigo voltou a pertencer ao Senegal, com Sadio Mané a cruzar na esquerda para o remate para fora de Iliman Ndiaye (46′). Logo a seguir, o avançado do Al Nassr voltou a trabalhar bem e serviu Diarra para um remate de primeira que saiu ao lado (50′). Na jogada seguinte, Moussa Niakhaté isolou Ismaïla Sarr com um grande passe vertical, o ponta de lança recebeu orientado com o peito e atirou fora do alcance de Courtois (51′). A resposta de Garcia deu-se com as saídas de Kevin de Bruyne e Jérémy Doku para as entradas de Nicolas Raskin e do benfiquista Dodi Lukebakio, mas os diabos vermelhos continuaram muito inconsistentes. Já com Diego Moreira, que também passou pelo Benfica e pelas camadas jovens de Portugal, em campo, a ida para nova pausa para hidratação trouxe a revolta de Youri Tielemans contra Leandro Trossard, que levou o selecionador a entrar no relvado para separar os dois colegas.
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Na reta final do jogo, os diabos vermelhos estiveram muito perto de reentrar no jogo, com Lukebakio a deambular da direita para o meio e, bem ao seu estilo, a desferir um grande remate de pé esquerdo, em arco, que saiu a rasar o poste mais distante (78′). Na resposta, Mané desferiu um remate forte para grande estirada de Courtois (85′). Na outra baliza, uma jogada de insistência traduziu-se no empate, com Thomas Meunier a cruzar atrasado para o desvio certeiro de Lukaku ao primeiro poste (86′). Logo a seguir, Trossard cruzou para o segundo poste, Diaw saiu muito mal na baliza e, com a baliza aberta, Tielemans cabeceou para o empate, numa jogada entre as duas caras da frustração belga (89′). Com o jogo completamente virado do avesso, os belgas ainda carregaram em busca da reviravolta no tempo regulamentar, mas a decisão seguiu para o prolongamento (2-2).
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No início do prolongamento, Sadio Mané também saiu, com Nicolas Jackson a entrar, mas o desgaste acabou por se fazer sentir, ainda que Ibrahim Mbaye tenha ficado muito perto do golo com um remate de primeira dentro da área (109′). Na parte final do prolongamento, Diego cruzou rasteiro, Tielemans caiu numa disputa com Camara, Niakhaté cortou para a frente e, depois de dominar na área, Lukebakio atirou por cima, de pé direito (117′). Contudo, o VAR acabou por alertar o árbitro para a queda do camisola 8, num lance em que o 8 senegalês não acertou na bola. Assinalado o penálti, Tielemans assumiu a responsabilidade e completou a reviravolta já para lá da hora (120+5′). Ainda assim, houve tempo para o Senegal tentar responder, com Sarr a cobrar um livre frontal, à frente da área, por cima da baliza, na última jogada da partida (120+12′).
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A estrela
- Poucos acreditavam antes do jogo, mas Youri Tielemans acabou por ser o grande herói da Bélgica na passagem aos oitavos de final, mesmo depois de se ter pegado com o colega Leandro Trossard na parte final do primeiro tempo. Foi através de um cruzamento do jogador do Arsenal que o médio empatou a partida no final do tempo regulamentar, aparecendo, depois, no fim do prolongamento. Sofreu a falta de Lamine Camara e assumiu a conversão do penálti para carimbar o apuramento dos diabos vermelhos. Este foi o golo mais tardio da história dos Mundiais (124.44 minutos).
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O joker
- Só os recentes problemas físicos explicam a não titularidade de Romelu Lukaku, a principal figura da Bélgica neste Campeonato do Mundo. A cumprir, provavelmente, o seu último Mundial, o avançado do Nápoles entrou ao intervalo e foi a cara da reação belga na reta final da partida, reduzindo com um remate à ponta de lança. No prolongamento manteve-se como a grande ameaça dos diabos vermelhos, ainda ameaçou, mas não voltou a fazer o gosto ao pé.
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A sentença
- A Bélgica voltou a ser o espelho das dificuldades sentidas pelas seleções europeias nestes 16 avos de final, que, para já, tiveram “apenas” as passagens sofridas de belgas, Noruega e Inglaterra. Já França bateu a Suécia. Continua a cheirar a fim de ciclo, mas os belgas conseguiram seguir para os oitavos de final, onde vão defrontar o vencedor do duelo entre EUA e Bósnia. O Senegal cai na primeira ronda da fase a eliminar pela segunda edição consecutiva.
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A mentira
- Se não é inédito, para lá caminho. A vencer por 2-0 aos 85 minutos, o Senegal acabou por sofrer dois golos em três minutos e viu a Bélgica levar a discussão para o prolongamento, mesmo depois de toda a superioridade senegalesa durante o jogo e da incapacidade belga em conseguir criar perigo. O jogo acabou por ser bem mais equilibrado nos 30 minutos adicionais mas, de novo quando os africanos estavam por cima, os europeus sentenciaram a partida com um golo de penálti no fim.
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