A Grand Départ transformou-se numa espécie de Gran Partida. Três anos depois, a Volta a França vai voltar a sair de Espanha, com a Catalunha a suceder a Bilbau na lista de partidas da Grande Boucle em território espanhol, na qual consta ainda San Sebastián, igualmente no País Basco, em 1992. Esta é a 27.ª partida a acontecer fora de França e a etapa inaugural, que vai decorrer em Barcelona, vai ditar, desde logo, as primeiras diferenças entre os homens da geral. Afinal, a Amaury Sport Organisation (ASO), organizadora da principal corrida velocipédica do planeta, repescou o contrarrelógio por equipas e colocou-o logo ao primeiro dia, numa decisão que gerou mais críticas do que elogios, com os adeptos a lembrarem o que aconteceu há três anos na Volta a Espanha, quando o contrarrelógio coletivo de Barcelona inaugurou a prova no final de uma tarde de chuva, terminando de noite e sem condições de segurança para os ciclistas.
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Incontornavelmente, a lista de favoritos volta a incluir como maior nome Tadej Pogacar, ou não estivessemos a falar do vencedor das duas últimas edições e do nome que pode saltar para o primeiro lugar do álbum de ouro da Volta a França, igualando as cinco vitórias de Bernard Hinault, Eddy Merckx, Jacques Anquetil e Miguel Indurain. Quem promete ombrear com o esloveno é Jonas Vingegaard, bicampeão do Tour em 2022 e 2023, que está a andar como nunca e conta com uma grande equipa para voltar a subir ao primeiro lugar do pódio em Paris. Por outro lado, aquela que é considerada uma das melhores edições de sempre – pelo menos à partida –, conta ainda com a enorme expectativa em torno de Paul Seixas, que se vai estrear em Grandes Voltas em casa, aos 19 anos. Remco Evenepoel e Florian Lipowitz são os candidatos da super Red Bull-Bora-hansgrohe, havendo ainda em prova Isaac del Toro, Tom Pidcock, Juan Ayuso e Jai Hindley.
Esta Volta a França fica ainda marcada pelo aniversário redondo de diversos momentos marcantes na história da corrida francesa e do ciclismo. Foi há 100 anos que o Tour decidiu inovar e organizou a primeira partida fora da localidade em que se encontrava sediado o jornal que organizava a prova, o L’Auto, que estava em Paris. Essa 20.ª edição acabou por ser a mais longa de sempre, com 5.745 quilómetros entre Évian-les-Bains e Paris, distribuídos por 17 etapas. Só 41 dos 126 ciclistas terminaram o Tour, que acabou por ser ganho pelo belga Lucien Buysse. Já em 1976, Raymond Poulidor, avô de Mathieu van der Poel, despediu-se do Tour aos 40 anos e 14 participações depois com um terceiro lugar que lhe vale, até aos dias de hoje, o recorde de pódios (oito). Há 40 anos, a discussão entre Bernard Hinault e Greg LeMond, então colegas de equipa, parou o mundo, com o último a tornar-se no primeiro não-europeu a vencer o Tour, à frente do francês que venceu a competição em cinco ocasiões.
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De Montjuïc a Montmartre, com Pirenéus, Maciço Central, Vosges e Alpes pelo meio
O 113.º capítulo da Volta a França escreve-se ao longo de 3.321,2 quilómetros, oito etapas de montanha, cinco delas com final em alto, sete etapas planas e 45 quilómetros de contrarrelógio, embora apenas nove sejam percorridos em terreno plano. Os dois primeiros dias decorrem na Catalunha, com a corrida a entrar em França na segunda-feira, no final de uma etapa que percorre maioritariamente território espanhol. A abrir as hostilidades está o contrarrelógio por equipas de Barcelona, com um total de 19 quilómetros e duas subidas difíceis antes do final em Montjuïc, junto ao Estádio Olímpico que, até ao ano passado, foi a casa provisória do Barcelona. Ao contrário do que é habitual nas Grandes Voltas – e na maioria das provas por etapas –, os tempos na meta são tirados individualmente, não sendo obrigatório as equipas terminarem com um determinado número de ciclistas para fecharem o seu tempo. Este novo conceito tem vindo a ser testado no Paris-Nice e ganhou forma na última edição do Tour Auvergne-Rhône-Alpes, o antigo Critérium du Dauphiné.
No domingo, a capital da Catalunha volta a receber o pelotão do Tour, com a segunda etapa a partir de Tarragona e a terminar em Barcelona, 168,5 quilómetros depois, onde volta a estar reservada a passagem por Montjuïc, dessa feita num circuito de três voltas. Os últimos 30 quilómetros contam com as três passagens junto ao castelo local e, nos últimos cinco quilómetros, existem duas duras rampas que prometem ter implicações na luta pela vitória: a primeira com 9,3% ao longo de 1,6 quilómetros, e a segunda com 7% de inclinação média, nos últimos 700 metros. A terceira etapa arranca de Granollers, atravessa os Pirenéus e conta com um final inédito em Les Angles, na estância de esqui de Pla del Mir, que fica junto à fronteira entre os dois países. No total são 3.850 metros de desnível acumulado. As duas etapas seguintes são de transição, com a chegada a Foix a ser tradicionalmente marcada pelo triunfo da fuga, como aconteceu com Hugo Houle (2022), Warren Barguil (2017) e Luis León Sánchez (2012). Já em Pau prevê-se a primeira chegada ao sprint. As etapas sete – 83.ª passagem do Tour por Bordéus – e oito – chegada a Bergerac – devem terminar ao sprint antes de mais dois dias de média montanha.
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A etapa nove é a mais tranquila, atravessando o departamento de Corrèze com a ligação entre Malemort e Ussel. Depois do primeiro dia de descanso, no Dia da Bastilha, os ciclistas têm de enfrentar uma etapa difícil, com sete contagens de montanha e 3.800 metros de desnível acumulado. Foi em Le Lioran que, há dois anos, Vingegaard bateu Pogacar nos últimos metros, num final idêntico ao deste ano. As 11.ª, que termina em Nevers, e 12.ª etapas, com final em Chalon-sur-Saône, voltam a ser para os sprinters, e o 13.º dia, apesar de maioritariamente tranquilo, conta com mais de 200 quilómetros e uma contagem de primeira categoria a 30 quilómetros de Belfort, com 9,1 km a 6,8% em Ballon d’Alsace. A 14.ª etapa tem como obstáculos os Montes Vosges, numa viagem de 3.800 metros em pouco mais de 155 quilómetros até à estância de esqui de Le Markstein. A segunda semana termina com uma dura ligação entre Champagnole e Plateau de Solaison, com 3.950 metros de desnível e um final numa categoria especial (11,3 km a 9% em Brison).
Cumprido o último dia de descanso na Alta Sabóia, a derradeira semana arranca com o único contrarrelógio individual junto ao Lago de Genebra, que tem 26 quilómetros, sendo que os primeiros nove são a subir, os oito seguintes a descer e os últimos nove planos. A 17.ª etapa é a última oportunidade para os sprinters, ainda que haja a hipótese de a fuga triunfar. Depois, restam três finais em alto e a mítica chegada aos Campos Elísios. Já nos Alpes, a tirada 18 termina na estância de esqui de Orcières-Merlette, que fica no topo de uma subida constante de 7,1 km a 6,7%. A antepenúltima etapa é a mais exigente, abrindo as hostilidades no Alpe d’Huez (13,8 km a 8,1%). Já no sábado, os ciclistas têm que enfrentar o Col du Télégraph (11,9 km a 7,1%) e o Col du Galibier (17,7 km a 6,9%), sendo nesta última que está localizado o prémio Henri Desgrange, atribuído ao primeiro ciclista a atravessar o ponto mais alto do Tour (2.642 metros). Depois, a etapa volta a terminar no Alpe d’Huez, mas no lado do Col de Sarenne, num final com 3,8 km a 6,1%.
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Como manda a tradição, ainda que 2024 tenha sido exceção por conta dos Jogos Olímpicos, a Volta a França termina nos Campos Elísios, no tradicional percurso pelas ruas da capital francesa que integra a passagem pelo Louvre, o Arco do Triunfo e a Avenue des Champs-Élysées, onde está instalada a chegada em cima dos paralelepípedos. Contudo, os Jogos de Paris deixaram uma herança positiva na Grande Boucle, já que, desde o ano passado, a ASO decidiu incluir Montmartre no circuito final, que torna a 21.ª etapa num clássica, bem mais complicada para os sprinters. Foi ali que Wout van Aert e Tadej Pogacar protagonizaram um dos duelos mais memoráveis do último Tour, com vitória para o belga. Agora, a última subida de Montmartre está a 17 quilómetros da chegada, o que pode abrir ainda mais a discussão pela vitória.
Há quem procure a história, há quem queira a redenção e há quem carregue a esperança de um país aos 19 anos
A história desta Volta a França começou a ser escrita no final de janeiro, já depois de o percurso ter sido apresentado no final do ano passado. Com as 18 equipas WorldTour com entrada obrigatória, juntamente com as três melhores ProTour (Tudor, Cofidis e Pinarello Q36.5), a organização tinha na sua posse a atribuição dos dois últimos wildcards, que acabaram por ser entregues à francesa TotalEnergies e à espanhola Caja Rural-Seguros RGA, numa decisão polémica, já que a Unibet Rose Rockets ficou de fora. Para lá de ser uma equipa francesa, a equipa de Bas Tietema, que foi criada apenas em 2023 e nasceu de um projeto no YouTube, é por esta altura a quarta melhor equipa do segundo escalão, à frente de TotalEnergies e Caja Rural. Iúri Leitão ainda chegou a ser cogitado à estreia na Grande Boucle, mas a queda na Volta à Hungria, em que fraturou o cóccix, atirou-o para fora da bicicleta.
Seguimos o mesmo princípio dos anos anteriores, ou seja, considerámos a classificação ProTour. A Caja Rural está em 25.º lugar, mas com o desaparecimento da Arkéa-B&B Hotels e a fusão entre a Lotto e a Intermarché, agora está em 23.º. Unibet? Eles não afirmam ser franceses, têm mais ciclistas neerlandeses. É verdade que fizeram boas contratações, como Wout Poels, Dylan Groenewegen e Victor Lafay, três ex-vencedores de etapas do Tour. É uma equipa que sonha com o Tour a longo prazo. Estaremos atentos a tudo isso nos próximos anos.
[A Caja Rural] terminou em quarto lugar na classificação por equipas da Vuelta no ano passado, com o seu líder, Abel Balderstone, em 13.º lugar na classificação geral. Ele é espanhol, claro, mas também é catalão”, explicou em janeiro Christian Prudhomme, diretor da Volta a França.
Olhando aos 184 ciclistas inscritos, é difícil imaginar uma Volta a França que não tenha como vencedor Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) ou Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), os dois dominadores da prova desde 2020. O campeão do mundo é o grande alvo a abater, não só por ter vencido as últimas duas edições, mas também por tudo aquilo que representa no ciclismo, sendo aos 27 anos um dos maiores nomes da história da modalidade. Olhando à temporada atual, Tamau tem sido supersónico, alcançando 13 vitórias em 16 dias de competição, tendo conquistado as Voltas à Romandia e Suíça, já depois de ter ganhado Strade-Bianche, Milão-Sanremo, Volta à Flandres e Liège-Bastogne-Liège, e de ter perdido para Wout van Aert (Visma) na Paris-Roubaix.
Em 2026, Pogacar parece mais refinado em relação aos anos anteriores, mesmo depois de ter começado a época com dois quilos a mais, por conta da massa muscular que teve de ganhar para ter rendido nas clássicas do pavê. Já com o peso próximo do ideal, o esloveno arrumou com toda a concorrência, tanto na Romandia como na Suíça, que terminou com mais de 6.30 minutos de vantagem para Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), naquela que é a maior diferença entre os dois primeiros dos últimos 67 anos, e onde venceu Van der Poel no contrarrelógio.
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Tadej Pogacar chega à Volta a França como o ciclista que mais venceu em 2026, com um triunfo a mais que Vingegaard. Na retina fica o histórico triunfo na Milão-Sanremo, quarto Monumento da sua carreira – só falta a Paris-Roubaix –, numa corrida em que caiu, perseguiu, atacou e venceu Tom Pidcock (Pinarello Q36.5) ao sprint. A Emirates chega a França com o bloco de montanha previsto desde a pré-temporada, com Isaac del Toro a substituir João Almeida no papel de principal escudeiro. Torito tem estado intratável esta época, tendo vencido Dauphiné, Tirreno-Adriático e UAE Tour. Adam Yates, que iniciou a Volta a Itália como líder mas acabou por abandonar cedo por queda, focou-se na preparação do Tour, ao passo que Brandon McNulty vem de um sexto lugar na Suíça. Tim Wellens, Florian Vermeersch e Nils Politt completam a equipa que, nos últimos dias, ganhou o nome de Felix Grossschartner, que “superou” Jhonatan Narváez e Marc Soler na corrida pelo Tour.
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Na teoria, a Emirates não tem melhor bloco da prova, algo que tem sido evidente na prática nos últimos anos. Apesar de ter feito o esforço para apetrechar Pogacar nas etapas de alta montanha, a formação do Médio Oriente continua abaixo de Visma e Red Bull, algo que deverá voltar a acontecer em 2026. Esse fator continua a ser o ponto mais fraco de Pogacar, que está no seio de uma equipa onde o talento abunda, mas onde nem todos os ciclistas estão dispostos a sacrificar as suas próprias ambições em prol do coletivo. Um desses exemplos era o de Juan Ayuso que, em diversos momentos, se mostrou relutante em trabalhar no apoio ao líder. Para além disso, o nível tático tende a falhar nas alturas decisivas, algo que as vitórias do esloveno tendem a menorizar. Ainda assim, espera-se que este bloco esteja comprometido no trabalho para Pogacar, que está bem encaminhado para vencer o Tour pela quinta vez e colocar o seu nome junto do de Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain. Mas há outro canibal que se pode intrometer na luta entre o esloveno e a história.
Mudou o calendário e não podia ter feito melhor. Jonas Vingegaard arrancou o ano a vencer Paris-Nice, Volta à Catalunha e a Volta a Itália, num triunfo que lhe permitiu fechar o lote de triunfos nas três Grandes Voltas. Registam-se ainda nove vitórias em etapas e recordes em subidas míticas como o Blockhaus, o Corno alle Sclae, Pila, Carì e Piancavallo. Em Carì, o dinamarquês andou a um ritmo semelhante ao de Pogacar, algo que é elucidativo se tivermos em conta que é um esforço superior a meia-hora. As 12 vitórias antes do Tour igualam o registo que só conseguiu em 2023, naquele que foi o ano em que venceu a prova francesa pela última vez. No seu bloco não está o lesionado Wout van Aert nem o retirado Simon Yates, mas conta com Matteo Jorgenson, Sepp Kuss, Bruno Armirail, Edoardo Affini, Victor Campenaerts, Per Strand Hagenes e Davide Piganzoli para o apoiar. A regra é simples e diz que, nos últimos anos, Jonas Vingegaard venceu todas as corridas em que participou, à exceção daquelas em que esteve… Pogacar.

É o novato e o grande ponto de interrogação desta Volta a França. Aos 19 anos, Paul Seixas (Decathlon CMA CGM) vai estrear-se em Grandes Voltas em casa, no culminar de temporada e meia em que surpreendeu tudo e todos. Esta época, o francês com ascendência portuguesa foi segundo na Volta ao Algarve, primeiro na clássica Faun-Ardèche e segundo na Strade-Bianche, tendo sido o único a conseguir acompanhar Pogacar até à fase decisiva. Na Volta ao País Basco dominou a prova com números semelhantes ao do esloveno, vencendo todas as classificações e três das seis etapas. Seguiu-se a vitória na Flèche Wallone e o segundo lugar na Liège-Bastogne-Liège, de novo atrás de Pogacar, que atacou, como habitual, em La Redoute, mas desta vez encontrou um rival à altura: Seixas. Ainda assim, o francês acabou por quebrar. No Dauphiné abandonou devido a queda, algo que não condicionou a sua participação. Mais de 40 anos depois, França procura o sucessor de Bernard Hinault, esperando-se que seja Paul Seixas a tapar esse vazio. O impacto do ciclista foi de tal ordem que até o Presidente Emmanuel Macron está intrometido no negócio da sua renovação – está em fim de contrato –, semelhante ao que aconteceu com Kylian Mbappé. Aurélien Paret-Peintre e Nicolas Prodhomme são os fiés gregários de um bloco coeso.
Em termos coletivos, a equipa que estará, ao que tudo indica, mais próxima de derrotar Tadej Pogacar é a Red Bull. A equipa alemã vai partir de Barcelona com dois teóricos líderes: Remco Evenepoel e Florian Lipowitz. Caberá à estrada decidir quem assumirá o papel na íntegra, mas as dúvidas não deverão demorar muito a ser desfeitas, dado que o alemão tem dado bem melhores indicações na montanha que o belga que, ainda assim, aspira a liderar logo no primeiro dia. De recordar que, no País Basco, Lipowitz foi o único que conseguiu dar luta a Seixas e, na Romandia, só perdeu para Pogacar. Evenepoel é um ciclista de classe mundial, é o candidato destacado a vencer os dois contrarrelógios, mas não deu boas indicações nas provas por etapas mais recentes, depois de ter batido João Almeida na Volta à Comunidade Valeciana, no início da época. Esta vai ser a sua primeira Grande Volta na Red Bull, pelo que a sua prestação é uma incógnita. O que é certo é que apoiar os dois haverá Jai Hindley, Nico Denz, Tim van Dijke, Mattia Cattaneo, Jan Tratnik e Maxim van Gils. As estratégias tendem a ser quase perfeitas, mas a norma diz que não são suficientes para parar um daqueles ataques de Pogacar.
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Apesar de estar, na teoria, num patamar inferior, Juan Ayuso (Lidl-Trek) integra o lote de ciclistas que vai lutar pela geral e, quiçá, pelo pódio. Esta também vai ser a primeira Grande Volta do espanhol na nova equipa, que está a desenvolver um projeto de longo prazo para conquistar o Tour, eventualmente com Ayuso. É a primeira vez que o ciclista de 23 anos vai começar uma corrida de três semanas como líder absoluto e, apesar de todas as dúvidas, a partida de casa, em Barcelona, deverá dar-lhe um boost inicial. Esta época venceu a Volta Algarve e vem de um terceiro lugar no Dauphiné. Na mesma toada está Tobias Halland Johannessen (Uno-X Mobility), que foi sexto classificado na edição do ano passado e manteve a regularidade na presente temporada: nono na Volta aos EAU, quarto no Tirreno-Adriático, terceiro no País Basco e quinto no Dauphiné. O estilo ofensivo é a principal característica do norueguês.
Não começou bem a época, mas decidiu saltar o principal objetivo da temporada, a Volta a Itália, para ser operado e estar como nunca na Volta a França. E à luz do que fez na Suíça – segundo –, a preparação não podia ter corrido melhor. Richard Carapaz (EF Education) parte como um dos melhores treparadores do Tour, podendo lutar pela geral ou por uma etapa se as coisas não correrem bem. Neste lote inclui-se ainda Tom Pidcock, que está pela quarta vez na Volta a França depois de ter falhado a última edição. É a primeira vez que a Pinarello está na corrida e logo com um líder de alto gabarito, que tem vindo a provar que também é um voltista. Prova disso foi o terceiro lugar na última Volta a Espanha, atrás de Vingegaard e Almeida.
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Quanto à mítica camisola verde, Tim Merlier (Soudal Quick-Step) parte, incontestavelmente, na pole position. Sem Paul Magnier, que deu a vitória à Soudal no Giro, e Jonathan Milan (Lidl), Merlier tem uma equipa totalmente focada em si, como se o estatuto de melhor sprinter do mundo não fosse suficiente. O mesmo não pode dizer Mads Pedersen (Lidl), que apesar de também ser uma aposta para a média montanha, tem de partilhar a liderança com Ayuso. Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech), que conta com o importante apoio do agora futuro pai Mathieu van der Poel, tem o bloco que pode dar dores de cabeça a Merlier. Destaque ainda para Olav Kooij (Decathlon), Arnaud de Lie (Lotto Intermarché), Pavel Bittner (Picnic PostNL), Dorian Godon (Netcompany Ineos) e Biniam Girmay (NSN).
Depois dos brilharetes de Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) e João Almeida nas últimas Grandes Voltas, Portugal conta com apenas um representante nesta Volta a França: Nélson Oliveira. Este é do números mais baixos dos últimos anos do contigente nacional em França, igualando 2020 – curiosamente só com Oliveira – e superando 2018, onde não houve nenhum ciclista português. Aos 37 anos, Nélson vai fazer a 24.ª Grande Volta da sua carreira, tendo terminado todas as 23 anteriores, num registo que pode ser histórico: o ciclista de Anadia pode ser o primeiro a fazer 24 Grandes Voltas sem desistências, superando as 23 do polaco Sylwester Szmyd. Este é o seu décimo Tour, igualando o registo que tem na Vuelta. Apelidado de “grande capitão”, o “português mais espanhol de sempre” promete ser ajuda nos momentos decisivos e um dos grandes pilares de uma Movistar que tem como líder Cian Uijtdebroeks. Há ainda Raúl García Pierna, Pablo Castrillo, Einer Rubio, Javier Romo, Jefferson Cepeda e Michel Hessmann.
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