
A frase
Soldados israelenses gravam a si próprios profanando e destruindo uma igreja católica no Líbano. Esses amaldiçoados não nos respeitam! É obrigação de todo Cristão repudiar o sionismo que representa na atualidade uma espécie de “nazismo piorado”.
— Utilizador de Facebook, 03 de junho de 2026
Um dos efeitos da guerra com o Irão desencadeada a 28 de fevereiro pelos EUA e Israel foi o retomar do conflito entre a milícia islâmica pró-iraniana Hezbollah e as forças israelitas, motivando Telavive a proceder à ocupação do sul do Líbano sob o pretexto de criar uma zona tampão para proteger as suas populações a norte.
Na sequência destes combates, foram reveladas várias instâncias de soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) a desrespeitar ou até mesmo vandalizar estátuas de índole cristã no Líbano, país que, a seguir ao Chipre, é o que tem a maior percentagem de população que segue o Cristianismo no Médio Oriente.
https://observador.pt/2026/04/20/exercito-israelita-confirma-que-soldado-destruiu-uma-estatua-de-jesus-no-libano/
Em meados de abril começou a circular a imagem de um militar israelita a atacar uma estátua de Jesus Cristo virada ao contrário com uma marreta na aldeia de Debel, no sul do Líbano, provocando escândalo e pedidos de responsabilização a nível internacional. O ato foi dado como verídico pelas próprias IDF, que condenaram o responsável e o soldado que o fotografou a 30 dias de prisão. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reagiu à imagem, dizendo-se “chocado e triste”.
No mês seguinte, outro caso idêntico foi revelado quando um soldado das IDF foi fotografado a profanar uma estátua da Virgem Maria ao colocar-lhe um cigarro na boca. Esta ação foi tomada na mesma aldeia libanesa e teve um desfecho semelhante: o exército israelita comprovou a veracidade do incidente e condenou os dois oficiais envolvidos a algumas semanas de prisão.
https://observador.pt/2026/05/12/soldados-israelitas-presos-por-profanacao-de-estatua-da-virgem-maria-com-cigarro/
Dada esta sucessão de casos, não tardou a que começassem a circular imagens de outras instâncias de soldados israelitas a atacar símbolos ou locais religiosos que não o seu. Um desses exemplos — partilhado por várias contas e frequentemente com a mesma legenda — trata-se de um vídeo onde dois oficiais das IDF aparentam ter vandalizado uma igreja no Líbano, com algumas das partilhas a frisar que o incidente também ocorreu em Debel.

O vídeo é editado num estilo “antes e depois”: se, no início, os soldados encontram-se num local aparentemente incólume, as imagens mudam para os dois a dar pontapés a objetos e detritos numa igreja já bastante danificada, sendo possível ouvi-los a falar em hebraico. No entanto, se os dois exemplos acima relatados ocorreram de facto e mereceram uma resposta da IDF, uma verificação mais cuidada aponta-nos que este vídeo é falso e muito provavelmente gerado com recurso a inteligência artificial.
Um dos sinais mais evidentes de que estas imagens foram manipuladas prende-se com as incongruências visuais no “antes” e no “depois”. Apesar do vídeo ser aparentemente gravado a partir do mesmo ângulo, a parede que se encontra ao fundo apresenta características arquitetónicas diferentes, passando a ter uma arcada no “depois” que antes era inexistente. Além disso, os quadros pendurados também mudam ne um momento para o outro.


Outra incongruência grave ocorre aos 11 segundos do vídeo, quando, apesar da má resolução das imagens, é possível ver que a perna de um dos soldados desaparece quando este dá um pontapé. E aos 17 segundos, esse mesmo soldado bate com o pé no chão, resultando num ruído forte. No entanto, aos 18 segundos, a mesma ação repete-se duas vezes sem qualquer som correspondente.
Conclusão
Apesar da existência de casos anteriores comprovados de soldados israelitas a atacar símbolos cristãos no Líbano, estas imagens são falsas, tendo sido geradas com recurso a inteligência artificial. Não só é possível encontrar várias incongruências visuais e sonoras típicas de vídeos gerados por estes modelos, com mais do que um detetor aponta nesse sentido também.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
