José Luís Carneiro encerrou as Jornadas Parlamentares do PS com acusações e uma exigência a Luís Montenegro. Numa altura em que a relação entre PSD e PS serenou, depois do acordo na Prestação Social Única, o líder socialista volta à carga, agora diretamente sobre o primeiro-ministro — ainda que com conta, peso e medida –ao exigir-lhe explicações sobre as falhas nos exames nacionais de acesso ao Ensino Superior: “É um imperativo ético.”
Do palco das Jornadas, que terminaram na Amadora (sem o presidente da Câmara que foi constituido arguido na Operação Imergente), Carneiro leu uma longa lista de queixas que lhe têm chegado sobretudo de professores, com exames distribuídos para correção de disciplinas que não leccionam. E no final dramatizou, ao dizer que esta época mobiliza muitas forças e energia das famílias” para exigir a “explicação do primeiro-ministro às famílias”.
“Tem o dever, é um imperativo ético. É a sua maior responsabilidade explicar às famílias portuguesas o que está a falhar”, sublinhou o líder socialista que já tinha pedido explicações ao Governo sobre o assunto nos últimos dias. O ministro da Educação já veio garantir que os prazos para a correção estão a ser cumpridos e que fará uma nova auditoria, mas Carneiro quer ouvir o próprio Montenegro explicar o assunto — ainda que, ao mesmo tempo, admita que o primeiro-ministro pode ter uma explicação suficiente.
O líder socialista fez uma intervenção curta com vários ataques ao Executivo, sobretudo na área da Saúde, ao dizer que o SNS tem falhas não pela “pressão dos imigrantes”, mas sim pela “incompetência e incapacidade do Governo”. Além disso, acusa o Governo de não estar a distribuir casas prontas para serem habitadas por estar “à espera de um ciclo eleitoral”.
Também diz que Montenegro não distribuiu casas prontas para serem habitadas por estar “à espera de um ciclo eleitoral”. Falou mesmo de “dez casas em Grândola, concluídas com verbas do PRR, fechadas há mais de um ano e meio” e de “apartamentos em Vila Velha de Ródão concluídos há meses e igualmente encerrados”. “De que está à espera o Governo? Vai guardar as chaves até haver eleições? Vai transformar casas de famílias em cenários para inaugurações?”, questionou para a seguir dizer que “os portugueses não precisam de fotografia, precisam de entrar em casa.”
Nesta Jornadas, Carneiro mostrou várias vezes preocupação com a possibilidade de as pessoas não ligarem os governos socialistas à obra que vai aparecer feita, no âmbito do PRR. E nesta intervenção final voltou a falar das “obras de habitação que existem porque houve planeamento, investimento e visão dos governos do PS.”
“Depois disso… o vazio”, disse sobre o Governo que, aseegura, nesta matéria “não tem uma única marca”. “Não há obra. Não há execução. Não há resultados”, aponta o socialista em mais um ataque ao Executivo liderado por Montenegro.
O socialista ainda dirigiu um ataque ao Chega, para dizer que parece “um saltimbanco” e que o PS é que é “a alternativa credível, de confiança e sólida”. Ao mesmo tempo garante que a sua proposta política “é construída com sentido de responsabilidade orçamental”. E que “os custos” das medidas que o PS volta a apresentar no Parlamento para “mitigar o aumento do custo de vida” dos portugueses “cabem no perímetro orçamental”.
Entre ataques ao Governo acaba por posicionar-se como o parceiro confiável, por oposição ao partidop de André Ventura que deixou o Executivo apeado na reforma laboral e que foi afastado do acordo para a nova Prestação Social Única — que o PS se disponbilizou para viabilizar no Parlamento.
Carneiro voltou a revelar cautela no desencadear de uma crise política, pedindo paciência ao partido através de uma frase de José Saramado: “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”. O socialista garante que na oposição o PS está a procurar construir “uma alternativa sólida e de confiança” para apresentar aos portugueses quando houver eleições.