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A convulsão de Ronaldo, a redenção de Zidane e a mascote inspirada em Astérix: as histórias do Mundial de 1998

Mundial de 1998 marcou o primeiro título da seleção francesa e ficou para a história pela final dominada por Zinedine Zidane, mas também pelo drama de Ronaldo vivido horas antes do apito inicial.

Manuel Conceição Carvalho
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Foi a edição em que a França venceu pela primeira vez. O Mundial de 1998 marcou a maior expansão estrutural da história até então: pela primeira vez, 32 seleções disputaram a fase final da competição, distribuídas em oito grupos de quatro equipas. O icónico Stade de France foi erguido para a ocasião, que introduziu o sistema de “Golo de Ouro” nos prolongamentos da fase a eliminar, em que o primeiro golo encerraria imediatamente o jogo. No total, foram disputados 64 jogos com 171 golos marcados – uma média de 2,67 golos por partida.

A fase de grupos trouxe estreias e regressos significativos. Croácia, Jamaica, Japão e a recém-independente África do Sul fizeram a sua primeira aparição num Mundial. O Brasil, então tetracampeão, liderado por Ronaldo, foi eliminando todos os adversários até chegar à final, mas não sem sobressaltos: a Noruega chegou a surpreender os brasileiros na fase de grupos, vencendo por 2-1.

A segunda fase trouxe dramas sucessivos para a equipa anfitriã. Nos oitavos de final, a França venceu o Paraguai com um golo de morte súbita – a primeira vez na história dos Mundiais que um jogo terminava dessa forma. Nos quartos de final, frente à Itália, o jogo terminou 0-0 ao fim dos 120 minutos e teve de ser decidido nas grandes penalidades, com a França a vencer por 4-3. Nas meias-finais, os franceses bateram a Croácia por 2-1, com ambos os golos marcados na segunda parte – uma vitória importante, já que os croatas chegavam ao jogo com a moral em alta, depois de terem goleado a Alemanha por 3-0 nos quartos.

https://twitter.com/FIFAWorldCup/status/1277224731305885699

A final, a 12 de julho, ficou marcada por uma das maiores polémicas da história dos Mundiais. Horas antes do jogo, Ronaldo sofreu uma convulsão no hotel onde se hospedava o escrete. O nome do avançado chegou a sair da equipa inicial divulgada à imprensa, antes de ser reposto minutos antes do apito inicial. Zinédine Zidane marcou dois golos de cabeça ainda na primeira parte, e Emmanuel Petit fechou o resultado nos descontos do segundo tempo. A França venceu por 3-0 e levantou o troféu pela primeira vez.

https://twitter.com/FIFAWorldCup/status/1890053315595026827

Uma história. A convulsão de Ronaldo

Horas antes da final, no quarto de hotel que partilhava com Roberto Carlos, Ronaldo sofreu uma convulsão. O lateral foi quem primeiro pediu socorro, ao vê-lo “com o corpo tenso, a espumar da boca”. Quando recuperou a consciência, Ronaldo não se lembrava do que tinha acontecido. A ficha distribuída no Stade de France trazia Edmundo no lugar do avançado – mas, minutos antes do apito inicial, uma nova folha foi entregue à imprensa, com o nome de Ronaldo de volta à equipa titular. O avançado decidiu jogar por sua conta e risco, depois de garantir ao selecionador Mário Zagallo que estava recuperado. Jogou os 90 minutos, mas pareceu ausente do jogo. O Brasil perdeu por 3-0 e o episódio tornou-se um dos grandes mistérios da história dos Mundiais – entre teorias de envenenamento, pressão de patrocinadores e rumores nunca confirmados. Ronaldo viria a atribuir o sucedido ao stress: “A única coisa que posso atribuir a uma convulsão no dia da final do Mundial é realmente esse stress, um stress muito alto, em que estava sob muita pressão”.

https://twitter.com/SantosFC/status/2073164888470626584

Um herói. A redenção de Zidane, que começou mal e acabou bem

Foi Zinedine Zidane quem assumiu o protagonismo que a noite da final do Mundial-1998 exigia. Um dos jogadores mais técnicos da sua geração decidiu o jogo com dois cabeceamentos certeiros – característica pouco associada ao seu futebol. Em 1998, Zidane tinha começado o torneio mal: viu vermelho logo no segundo jogo da fase de grupos, frente à Arábia Saudita, e cumpriu dois jogos de castigo. Regressou a tempo dos quartos de final, onde bateu um dos penáltis no desempate com a Itália. Na final, fez os dois primeiros golos da vitória por 3-0 sobre o Brasil, consagrando-se como o rosto de uma seleção multicultural que, dois anos depois, juntaria o título europeu ao mundial.

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Uma curiosidade. O futebol cruzou-se com Astérix

  • O Mundial de 1998 foi o primeiro a contar com 32 seleções, formato que se manteve até 2022. A música oficial do torneio, “La Copa de la Vida”, foi gravada por Ricky Martin. A mascote, um galo chamado Footix, resultou de uma mistura entre “futebol” e o sufixo “-ix” da popular banda desenhada de Astérix.

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Como foram os resultados no Mundial de 1998

  • 10 de junho (fase de grupos): Brasil-Escócia, 2-1 e Marrocos-Noruega, 2-2
  • 11 de junho (fase de grupos): Itália-Chile, 2-2 e Camarões-Áustria, 1-1
  • 12 de junho (fase de grupos): Paraguai-Bulgária, 0-0, Arábia Saudita-Dinamarca, 0-1 e França-África do Sul, 3-0
  • 13 de junho (fase de grupos): Espanha-Nigéria, 2-3, Coreia do Sul-México, 1-3 e Países Baixos-Bélgica, 0-0
  • 14 de junho (fase de grupos): Argentina-Japão, 1-0, Jugoslávia-Irão, 1-0 e Jamaica-Croácia, 1-3
  • 15 de junho (fase de grupos): Inglaterra-Tunísia, 2-0, Roménia-Colômbia, 1-0 e Alemanha-EUA, 2-0
  • 16 de junho (fase de grupos): Escócia-Noruega, 1-1 e Brasil-Marrocos, 3-0
  • 17 de junho (fase de grupos): Chile-Áustria, 1-1 e Itália-Camarões, 3-0
  • 18 de junho (fase de grupos): África do Sul-Dinamarca, 1-1 e França-Arábia Saudita, 4-0
  • 19 de junho (fase de grupos): Nigéria-Bulgária, 1-0 e Espanha-Paraguai, 0-0
  • 20 de junho (fase de grupos): Japão-Croácia, 0-1, Bélgica-México, 2-2 e Países Baixos-Coreia do Sul, 5-0
  • 21 de junho (fase de grupos): Alemanha-Jugoslávia, 2-2, Argentina-Jamaica, 5-0 e EUA-Irão, 1-2
  • 22 de junho (fase de grupos): Colômbia-Tunísia, 1-0 e Roménia-Inglaterra, 2-1
  • 23 de junho (fase de grupos): Itália-Áustria, 2-1, Chile-Camarões, 1-1, Escócia-Marrocos, 0-3 e Brasil-Noruega, 1-2
  • 24 de junho (fase de grupos): França-Dinamarca, 2-1, África do Sul-Arábia Saudita, 2-2, Espanha-Bulgária, 6-1 e Nigéria-Paraguai, 1-3
  • 25 de junho (fase de grupos): Bélgica-Coreia do Sul, 1-1, Países Baixos-México, 2-2, Alemanha-Irão, 2-0 e EUA-Jugoslávia, 0-1
  • 26 de junho (fase de grupos): Japão-Jamaica, 1-2, Argentina-Croácia, 1-0, Roménia-Tunísia, 1-1 e Colômbia-Inglaterra, 0-2
  • 27 de junho (oitavos de final): Itália-Noruega, 1-0 e Brasil-Chile, 4-1
  • 28 de junho (oitavos de final): França-Paraguai, 1-0 (após prolongamento) e Nigéria-Dinamarca, 1-4
  • 29 de junho (oitavos de final): Alemanha-México, 2-1 e Países Baixos-Jugoslávia, 2-1
  • 30 de junho (oitavos de final): Roménia-Croácia, 0-1 e Argentina-Inglaterra, 2-2 (4-3 nos penáltis)
  • 3 de julho (quartos de final): Itália-França, 0-0 (3-4 nos penáltis) e Brasil-Dinamarca, 3-2
  • 4 de julho (quartos de final): Países Baixos-Argentina, 2-1 e Alemanha-Croácia, 0-3
  • 7 de julho (meias-finais): Brasil-Países Baixos, 1-1 (4-2 nos penáltis)
  • 8 de julho (meias-finais): França-Croácia, 2-1
  • 11 de julho (3.º e 4.º lugar): Países Baixos-Croácia, 1-2
  • 12 de julho (final): Brasil-França, 0-3