O Tagesspiel declarou: “A sequência desastrosa da seleção nacional — a Alemanha já não é a Alemanha”. A sentença decretada pelo jornal alemão foi replicada por toda a imprensa do país ao longo desta terça-feira, depois de a Alemanha ter sido eliminada do Mundial de futebol, numa partida com o Paraguai que foi a penáltis. A derrota contra uma equipa considerada inferior feriu os alemães, que já exigem a saída do treinador, Julian Nagelsmann, por toda a imprensa nacional.
A radiodifusora Deutsche Welle fez o ponto de situação, destacando que o problema não foi apenas desta partida: “Pela primeira vez na sua História, a Alemanha perdeu um jogo do Mundial nos penáltis. Pela segunda vez numa semana, a Alemanha jogou o jogo que os seus adversários queriam, em vez de ela própria assumir o controlo. E, pelo terceiro Mundial consecutivo, a Alemanha ficou aquém das expectativas.”
As críticas à partida foram unânimes. “A equipa alemã falhou em criar chances suficientes contra a incansável defesa dos sul-americanos, o que tornou inevitável que a bola mais cedo ou mais tarde encontrassem o fundo da rede”, declarou o Die Zeit. “Em vez disso, o jogo caracterizou-se por uma profunda falta de imaginação.”
O Frankfurter Allgemeine foi ainda mais longe, classificando o jogo como “um final desastroso do torneio”. E destacou um erro concreto, a que chamou de “negligente”: “O facto de que ninguém no centro se sentiu responsável por marcar Enciso.” O Süddeutsche Zeitung recorreu a outra imagem: “Durante a pausa para hidratação, a FIFA mostrou a chamada curva de ímpeto, a nova geringonça que mostra o domínio de uma equipa numa única linha. A curva da Alemanha parecia os Himalaias, a do Paraguai a planície do norte da Alemanha.”
A imprensa também apontou o dedo a alguns jogadores, em particular Deniz Undav, que pela primeira vez neste torneio fez parte do 11 inicial. “Contra o Paraguai, ele esteve virtualmente ausente do jogo; a Alemanha jogou na prática com 10 homens”, sentenciou o Die Zeit num artigo. Noutro, insistiu na tecla: “Mal tocou na bola e, quando o fez, ela desaparecia imediatamente outra vez. Desperdiçou uma oportunidade com um remate em arco patético, apesar de Nmecha e Sané estarem desmarcados no meio.” O Frankfurter Allgemeine atacou toda a equipa, que disse ter “talento complementar”, em vez de “talento de classe mundial”: “Jogadores que conseguem entregar performances de classe mundial esporadicamente, mas apenas quando têm o ambiente certo.”
O antigo jogador histórico Lothar Matthäus destacou num programa do Bild que a equipa teve problemas internos, com discussões sobre “detalhes de viagens” e “reservas de hotel”, com jogadores a discutirem por alguns membros de famílias terem autorização para se juntar à equipa e outros não. “Houve muitos problemas nos bastidores que não viram a luz do dia”, resumiu.
Mas as principais críticas são reservadas para o selecionador Julian Nagelsmann — e a imprensa é unânime na ideia de que deve abandonar os comandos da equipa. “É tempo de uma mudança, de recomeço. E isso significa um novo treinador nacional”, decreta o Die Welt. “Se ele não percebe isto, alguém tem de assumir a desagradável tarefa de o fazer perceber”, reforça o Süddeutsche Zeitung.
Alguns já têm o substituto definido: “É tempo de Jürgen Klopp”, pede o Die Welt, que reforça a ideia em vários artigos. O alemão, porém, não se quer comprometer para já, dizendo à MagentaTV: “Ainda não pensei nisso”. Mas, no entanto, Klopp aproveita para comentar a situação da seleção alemã, que considera que tem de mudar: “Nós somos a Alemanha do futebol. Para voltar a ser a Alemanha do futebol, precisamos de resolver este assunto agora e de fazê-lo como deve ser.”