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(A) :: Amarram o(s) burro(s) ao Soberano. Porquê?

Amarram o(s) burro(s) ao Soberano. Porquê?

No arrazoado que disparates que ouvi e li sobre o Fundo Soberano não retive nada sobre aquilo que mais me preocupa (para já): Quem vai gerir o dito?

Pedro Barros Ferreira
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Deve ser muito difícil governar Portugal. Porquê? Porque são aqueles que se dizem próximos, ideologicamente, de quem está aos comandos, os primeiros a atacar toda e qualquer medida. Pode o leitor pensar que estou a tentar coarctar a capacidade crítica, que é tão salutar – e necessária – numa democracia. Mas não estou. E não estou porque basta estar atento aos CV dos comentadores para se perceber que, na esmagadora maioria das situações, o que existe é um ódio pessoal – criado e nascido logo nas juventudes partidárias, coisas de facção. Além disso, estes comentadores querem fazer esquecer que, se são comentadores na tv, devem-no ao facto de terem andado metade das suas vidas na política, como assessores, deputados, etc. Alguns até já tentaram ganhar o partido cujo líder agora criticam pelo simples facto de existir. Exigia-se um pouco mais de pudor, de solidariedade e de espírito patriótico.

Ainda fazendo parte deste intróito, cumpre dizer que não sou, nem nunca fui, do PSD.

Falemos então do Fundo Soberano (e dos burros que amarraram). Existem bastantes fundos soberanos (assim se denominam porque são propriedade do Estado). A Noruega tem, assim como a Irlanda (esta última até com o título a referir que é para intervir nos sectores estratégicos).  Ora, não tenho estes países como socialistas (até são muitas vezes referidos – positivamente – por parte dos comentadores que, agora, tal a burra, se amarraram ao Soberano). Porquê então, dizer que a medida é socialista? Porque, aqui há atrasado, existiu um líder socialista que falou sobre o assunto? E? A questão não é existir um fundo, mas sim como vai o mesmo funcionar.

Desde Keynes que as democracias liberais, por esse mundo fora e incluindo os EUA (sim esses) que se entende que o Estado pode, e deve, intervir na economia, não se colocando numa posição totalmente passiva. Aliás, são estes mesmos comentadores que, à cause do problema da habitação, entendem que o Estado devia intervir…, no entanto, a mesma gente, agora vocifera contra o Fundo. Porquê?

Importa igualmente, dizer que o Fundo foi anunciado, em ambiente partidário e que não foram especificados pormenores (nem ali tinham de o ser). Uma página – quase – em branco, portanto. Ou seja, amarram-se os burros a algo que não têm a menor ideia de como vai funcionar. Querem matar, à nascença (aliás antes das 11 semanas) este embrião. Porquê?

Começam por afirmar que não há dinheiro para o Fundo, a menos que exista petróleo no Beato. Mas como sabem se há, ou não? De seguida alarmam a populaça com o perigo da estatização da economia (quase como se voltássemos a 11/3/1975). Mas já sabem como vai o Fundo operar?

Especular, negativamente, sobre uma folha em branco é uma das possibilidades. A outra, igualmente legítima, é trabalhar construtivamente, ajudando o poder a ir de encontro ao que julgo ser o melhor para o País. São posturas. A minha, está visto, é a segunda. E é porque não sou do PSD (nem socialista), não tenho ódios de estimação a Montenegro e não fiz carreira na política (permitindo-me agora, devido a esse facto, opinar na tv). Além destes factores, gosto da ideia do Fundo! Porquê? Porque não amarrei nada ao Soberano. Prefiro, pois, dar sugestões. Assim;

  1. Das poucas coisas que foram alvitradas, relativamente ao Fundo, era a de que serviria para investir em sectores estratégicos. Por mim, perfeito (como está escrito no fundo irlandês, de resto). Claro está que quem amarrou o burro, veio logo dizer (porquê?) que era para investir na REN, na TAP, na EDP, sei lá. Um chorrilho de disparates, digo eu. Então não é, p.ex., o sector dos drones (onde temos tecnologia de ponta) um sector estratégico? Ou o das baterias? Parece-me que têm uma visão afunilada, ou seja, tal qual certos animais aos quais se colocam palas. Então e como não sei – nem ninguém – como vai ser, sugiro que o Governo transforme este fundo num género de venture capitalist (que em Portugal derivado da nossa aversão ao risco não tem expressão) para investir em start-ups de áreas que tenham futuro e para as quais, as necessidades de capital não sejam gigantescas. Porquê? Porque são um potencial bom investimento, porque têm risco associado (o que afasta a banca, que tem de cumprir ratios apertados – mesmo o banco do Estado – subindo a fasquia dos juros bancários e asfixiando a tesouraria da empresa) e porque podem ser uma forma de reter saber no País.
  2. Outro ponto muito mencionado foi o do financiamento do Fundo (assunto sobre o qual, nada foi falado no seu anúncio). Claro está que, para amedrontar o zé vieram logo dizer que tinha (tinha?) de ser através dos impostos. Porquê? A quem interessa esta, destrutiva, forma de comentar? Assim e como não sei – nem ninguém – sugiro que o Fundo seja financiado através dos resultados da CGD, dos excedentes orçamentais e das privatizações. Não pode ser desta forma? Arranjam-se mais uma dúzia de ideias, facilmente. No entanto, a postura é sempre a da negativa. Porquê? Porque se quer correr com o líder de um partido, com um governo?

Concluindo: No arrazoado que disparates que ouvi e li, sobre este tema, não retive nada, sobre aquilo que mais me preocupa (para já): Quem vai gerir o dito? Sugiro que seja aberto um concurso internacional e que os quadros do Fundo, sejam seleccionados portugueses que, de momento, trabalham no estrangeiro, a fim de regressarem ao seu país, trazendo o know-how adquirido. Pode ser que, por cá se amarrem.