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Fact Check. Procissão do Corpo de Deus não passou pelo Martim Moniz devido a "cristofobia"?

Publicações virais no Facebook alegam que a procissão evitou o Martim Moniz por causa da comunidade islâmica. O Patriarcado de Lisboa desmente a informação veiculada nas redes sociais.

Marina Ferreira
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A frase

Cristofobia. A procissão do Corpo de Deus não passou no Martim Moniz

— Utilizador de Facebook, 13 de junho de 2026

Várias publicações no Facebook, datadas de 12 e 13 de junho, dão conta da mesma informação: “A procissão do Corpo de Deus não passou no Martim Moniz” este ano.

Alega-se que na base da decisão que definiu a rota do ritual cristão esteve a “cristofobia”, associando esta mudança à presença de comunidade islâmica naquela zona do centro de Lisboa.

No dia 5 de maio, o Patriarcado de Lisboa emitiu uma nota no seu site oficial a informar que a tradicional Procissão do Corpo de Deus na cidade de Lisboa, marcada para 4 de junho, iria “mudar de percurso”. “Iniciando e terminando na Sé Patriarcal, o novo trajeto inclui agora a Praça do Município, a Rua do Arsenal e a Praça do Comércio (Terreiro do Paço)”, lia-se no comunicado em que era partilhado um mapa da nova rota.

Já depois de a procissão ter tido lugar, a 12 de junho, num comunicado enviado ao Observador, o Patriarcado de Lisboa reagiu às “notícias e comentários que têm vindo a ser veiculados nas últimas horas acerca do percurso da Procissão do Corpo de Deus deste ano”. Devido à partilha de desinformação, entendia ser importante “prestar alguns esclarecimentos”.

Recebemos com surpresa algumas das interpretações públicas que têm sido apresentadas, uma vez que a alteração do percurso já havia sido previamente comunicada e divulgada, sendo do conhecimento público que a procissão seguiria um trajeto diferente daquele que tem sido realizado nos últimos anos”, lê-se na nota partilhada no site oficial do patriarcado lisboeta e enviada às redações.

A mudança de percurso foi justificada com o único objetivo de “permitir que outras zonas da cidade de Lisboa, que habitualmente não recebiam a passagem da Procissão, pudessem também acolher este momento de fé e beneficiar da presença de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento”.

A representação da Igreja Católica na capital considera “natural” que ao longo dos anos a rota da procissão “possa conhecer ajustamentos e adaptações, permitindo que diferentes lugares de Lisboa sejam sucessivamente abrangidos por esta presença e por este testemunho público de fé”. E alerta: “Não deve causar estranheza que, também no futuro, possam ocorrer novas alterações de itinerário, precisamente para possibilitar que diversas zonas da cidade recebam a passagem da procissão, reforçando o seu caráter de celebração de toda a diocese e de toda a cidade de Lisboa”.

Conclusão

As publicações nas redes sociais que relacionam a alteração do percurso de uma procissão católica em Lisboa — deixando de percorrer a zona do Martim Moniz — com alegada “cristofobia”, não têm fundamento. Foi o próprio Patriarcado de Lisboa a vir a público para esclarecer que a mudança foi circunstancial e pensada para abranger zonas da capital que normalmente não recebem o desfile religioso.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.