Trabalhando na área da Medicina da Reprodução, estamos frequentemente embrenhados nas últimas evidências científicas e inovações nesta área: sobre tratamentos de fertilização in vitro, diagnóstico genético pré-implantatório, time lapse da evolução embrionária… IA na seleção embrionária.
E, se, no mundo real, os conhecimentos de quem está a tentar engravidar são muito mais limitados?
Temos tanto acesso a tanta informação…, mas, será que quem precisa a encontra?
Será que falamos sobre fertilidade? Sobre o ciclo menstrual? Sobre a saúde da mulher?
Sobre o impacto no trabalho? Da forma como as mulheres idealizam o acontecimento da gravidez?
O Estudo da Wells, coordenado pela Prof.ª Teresa Almeida Santos, demonstra que temos de ouvir, informar, e apoiar mais as mulheres portuguesas!
Os resultados mostram que ainda existe um vasto trabalho que precisa de ser feito, no aumento da literacia sobre a medicina de reprodução junto dos mais jovens.
Neste estudo, é admitido um desconhecimento do período fértil em 70% do total da população e em 50% das mulheres que estão a tentar engravidar!
Temos de refletir, com base nestes dados, e tomarmos medidas de literacia da saúde sexual e reprodutiva. Não podemos limitar-nos a tratar infertilidade.
Temos de educar para comportamentos que possam ameaçar a fertilidade, como o consumo de cannabis, por exemplo, e, falar de fertilidade quando se fala de contraceção.
Temos de explicar que, a idade da mulher tem um peso na fertilidade e que o limite não é a menopausa.
Portugal e a Europa vivem, neste momento, uma crise demográfica com impacto social. A fertilidade é um assunto de que temos de tornar prioritário. É o momento de atuar. Temos de intervir em 3 pilares fundamentais: a Educação; o acesso à Saúde e nas condições sociais, habitação e laborais que promovam a fertilidade.
Esta missão toca-nos a todos: profissionais de saúde, professores, empresários, políticos e toda a sociedade.
O Movimento + Fertilidade promove esta ideia e é uma aliança entre a Associação Portuguesa de Fertilidade, a Sociedade de Medicina da Reprodução e Colégio da Subespecialidade de Medicina da Reprodução da Ordem dos Médicos.
Porque falar sobre a saúde das mulheres, fica bem.