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(A) :: "Enquanto ele estivesse vivo, eu estaria viva". O relato da mulher resgatada com o seu bebé de 18 dias na Venezuela

"Enquanto ele estivesse vivo, eu estaria viva". O relato da mulher resgatada com o seu bebé de 18 dias na Venezuela

Quando viu uma lanterna que confundiu com a lua, Dayana gritou com toda a força que tinha. Debaixo dos escombros, segurava o seu recém-nascido que não deixou cair nem quando o chão lhe fugiu dos pés.

Marina Ferreira
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Juan David tinha pouco mais de duas semanas de vida no dia 24 de junho, quando dois sismos destruíram o apartamento em que estava com a mãe, Dayana Patino. No momento dos terramotos, aquele oitavo andar cedeu à força do abalo, juntamente com o restante prédio e os dois acabaram debaixo dos escombros. “Senti como se estivesse a voar. Não sei como não soltei o meu bebé, porque estava a voar. Fui esmagada contra os móveis”, contou a mulher esta segunda-feira à BBC.

No momento do relato, mãe e filho já estavam internados e em segurança numa clínica em Caracas, na Venezuela. O bebé tem apenas ferimentos ligeiros e a mãe ficou ferida nas duas pernas. Foram resgatados na sexta-feira passada, depois de 32 horas presos nos destroços do próprio apartamento. “Enquanto ele estivesse vivo, eu estaria viva. De vez em quando, eu tocava no nariz dele para ter a certeza de que ele ainda estava a respirar”, contou a mulher.

https://twitter.com/KailashVashi/status/2071500927304159712

O vídeo do momento do salvamento mostra a equipa de resgate a passar o recém-nascido de 18 dias de mão em mão, até chegar às mãos do pai, que aguardava no local o salvamento da mulher e do filho. Pouco depois, foi possível retirar a mulher dos escombros. Dayana Patino garante que foi a presença do bebé que lhe deu “motivação para ficar acordada e alerta” durante as horas que precederam o salvamento.

“Disse para mim mesma: não vou desperdiçar a minha energia. Vou gritar quando for necessário, quando ouvir vozes ou passos por perto“, relatou ainda na cama de hospital a mulher que diz não saber agora como conseguiu manter a calma. “A minha perna esquerda estava presa sob o cimento. Eu não me conseguia mexer e a minha têmpora estava pressionada contra uma pedra”, descreveu ainda, garantindo ainda que sentiu uma Bíblia debaixo dela.

Dayana Patino manteve a promessa e foi quando viu o que lhe pareceu a lua, mas era na verdade uma lanterna que gritou com toda a força que tinha. Ouviu depois o irmão a chamar por si e pouco depois conseguiu entregar o filho aos técnicos de salvamento, para logo depois ela própria ser resgatada.

O marido de Dayana não estava em casa no momento do terramoto, tinha acabado de estacionar o carro quando o abalo se fez sentir. Viu o prédio a desmoronar e achou que tinha perdido a família. “Foi indescritível. Pensei que eles estivessem mortos. E quando vi o meu filho, senti como se tivesse nascido de novo. Eu não conseguia acreditar… Senti a vida voltar para mim”, disse à BBC.