“Chegou a hora. É meu dever estar com o meu povo. Precisamos de estar juntos para nos abraçarmos, chorarmos, lamentarmos juntos, mas também para nos fortalecermos mutuamente neste momento tão difícil”, disse a venezuelana vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2025, no exílio, em entrevista ao canal televisivo norte-americano Fox News este domingo.
Na quarta-feira, a Venezuela sofreu dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter que causaram 1.450 mortos e 3.150 feridos, tendo afetado 12.721 famílias, segundo o último balanço oficial.
Exilada desde o final de 2015, depois de ter estado escondida na Venezuela desde as eleições de 2014 para evitar a prisão por parte do governo de Nicolás Maduro, Maria Corina Machado pediu força e união ao povo venezuelano, numa mensagem nas redes sociais, assim que ocorreu o terramoto.
No domingo, a líder da oposição venezuelana disse à Fox News que a prioridade absoluta neste momento é salvar vidas e “confortar e ajudar os afetados”.
“Voltarei à Venezuela muito em breve para estar com o povo venezuelano“, afirmou, citada pela agência noticiosa espanhola EFE.
No entanto, a sua vontade de regressar à Venezuela não é bem vista em Washington, de acordo com dois responsáveis do governo do Presidente Donald Trump, que falaram ao diário The New York Times, sem serem identificados.
Segundo o jornal, Maria Corina Machado pediu ajuda a Washington para regressar ao país, o que foi considerado “inoportuno” pelos dois responsáveis, um dos quais se refere ao mesmo como uma “manobra política”.
A líder da oposição da Venezuela, que doou o seu Prémio Nobel ao Presidente Trump, deseja regressar à Venezuela há meses.
O New York Times refere que, numa reunião na Casa Branca em março passado, vários responsáveis norte-americanos manifestaram preocupação com a segurança da opositora, considerando que o governo de Trump deu prioridade ao trabalho com o governo da Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.