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Congresso do PSD - Balanços da Bairrada

Fazendo jus ao reformismo da sua essência, Luis Montenegro marcou o Congresso com o anúncio de relevantes reformas (bem urgentes e necessárias) em áreas como a Justiça Administrativa e Fiscal

André Pardal
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No passado fim-de-semana o PSD reuniu-se no Velódromo de Sangalhos, em Anadia, para o seu 43º Congresso Nacional.

Conhecido como o “mais português de Portugal” e nascido sem estar umbilicalmente ligado a uma qualquer grande família política internacional esteve (nas palavras dos seus detratores) sempre destinado a desaparecer. Mas, a verdade é que, cinquenta e dois anos após a sua fundação – por Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota – lidera o Governo da República, as duas Regiões Autónomas e a maioria das Autarquias Locais, o que não é – manifestamente – coisa pouca.

O ADN do partido veio bem ao de cima, na Bairrada, aquando do (inesperado!?) regresso de um seu ex-Presidente – qual filho pródigo – bem ao jeito de antigos fundadores e anteriores líderes.

O PSD (tão sentimental como o comum do português) tudo perdoa.

Esta reunião magna aconteceu perante um cenário, nacional e internacional, de forte instabilidade.

Dado, por um lado, a circunstância de liderar um governo de coligação com apoio minoritário na Assembleia da República, e, por outro, os conflitos internacionais latentes bem perto das nossas fronteiras e esferas de influência, a exigência para os próximos tempos será bastante elevada.

Não havendo eleições nacionais previstas para os próximos três anos, deveria ter servido não só para um balanço dos últimos dois anos, mas, acima de tudo, para projetar o futuro.

E, se o Partido Social Democrata obteve um grande êxito autárquico, no que diz respeito a eleições presidenciais, teimosamente refém de um candidato que nunca preencheu os mínimos, a derrota foi estrondosa.

Contudo, a verdade é que, no dia em que (em condições normais) o Congresso deveria começar, o Governo e o seu partido liderante foram surpreendidos pelo “chumbo” do errático e irresponsável Chega ao pacote laboral, o que levou a um “cerrar de fileiras” durante todo o fim-de-semana em torno de um projeto governativo.

A estratégia, seja da renovação na continuidade nos órgãos nacionais – com pouco sangue novo – seja na manutenção do equilíbrio periclitante (e com os riscos bem reais que todos sentimos) entre PS e Chega, mostrando um perigoso ziguezague político que poderá confundir o eleitorado entre um partido fundador da democracia e um outro que apenas quer canibalizar o eleitorado do PSD revela-se bastante arriscada.

Por fim, fazendo jus ao reformismo da sua essência, Luis Montenegro marcou o Congresso com o anúncio de relevantes reformas (bem urgentes e necessárias) em áreas como a Justiça Administrativa e Fiscal ou a Habitação.

Haja capacidade, resiliência e pessoas capazes para as executar, porque o País espera muito do PSD e está cansado de ser – consecutivamente – adiado.