A Câmara Municipal de Braga quer acabar com o uso de trotinetes elétricas partilhadas na cidade e vai “avaliar, repensar e regulamentar” o uso daqueles aparelhos, disse à Lusa o presidente daquela autarquia.
Em declarações à Lusa, João Rodrigues (PSD/CDS-PP/PPM) adiantou que na reunião do executivo marcada para segunda-feira vai propor a rescisão unilateral dos contratos com as empresas operadoras de trotinetes partilhadas e que na origem da decisão está a “clara noção de que está em causa a segurança” de quem circula na cidade.
“Não podemos ignorar os inúmeros casos de acidentes com trotinetes. Todos os dias há relato de mais um acidente, mais alguém que se magoa, de trotinetes mal utilizadas, deixadas em passeios, zonas pedonais, junto a passadeiras, a dificultar a vida de quem anda a pé, de quem empurra um carrinho de bebé, de quem tem mobilidade reduzida, de quem simplesmente quer circular em segurança”, disse.
E continuou: “Vamos, por isso, propor amanhã a rescisão unilateral dos contratos com as empresas operadoras de trotinetes partilhadas na cidade”, salientou.
Segundo o autarca, “esta não é uma decisão definitiva”, mas, disse, “é preciso avaliar, repensar e regulamentar o uso das trotinetes na cidade”.
“Quanto ao uso particular de trotinetes, o município pouco pode fazer, a não ser apostar na fiscalização. Mas podemos regulamentar o uso das trotinetes dentro daquilo que é permitido, no caso das [trotinetes] partilhadas podemos ir ainda mais longe nessa regulamentação”, disse.
João Rodrigues, que esteve, enquanto vereador, envolvido na implementação de trotinetes partilhadas na cidade, referiu que a suspensão do uso daquele serviço “não quer dizer que não volte a existir”.
“Mas terá que ser noutros moldes”, disse.
A 14 de junho foi criada uma petição pública, que conta com mais de mil assinaturas, a apelar à autarquia “para que tome medidas que conduzam à eliminação da possibilidade de aluguer e circulação de trotinetes elétricas partilhadas no concelho, devolvendo os passeios e espaços pedonais à sua função principal: servir as pessoas em segurança e com dignidade”.
Segundo os autores da petição, “a proliferação de trotinetes elétricas de aluguer tem vindo a criar problemas que afetam a segurança, a mobilidade e a qualidade de vida de muitos cidadãos”.
“É cada vez mais frequente encontrar trotinetes abandonadas em passeios, junto a passadeiras, entradas de edifícios e zonas de circulação pedonal (…). Além disso, a circulação destes veículos em passeios e zonas pedonais tem gerado situações de risco e insegurança para quem se desloca a pé. A utilização indevida e a falta de responsabilização efetiva dos utilizadores contribuem para um problema que se tem agravado ao longo do tempo”, alerta o texto.