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(A) :: Um escreveu o guião mas o outro não foi só ator secundário: Russell regressa aos triunfos na festa laranja por Max Verstappen

Um escreveu o guião mas o outro não foi só ator secundário: Russell regressa aos triunfos na festa laranja por Max Verstappen

Ferrari não mostrou em corrida o que prometera na qualificação, Mercedes voltou a ser mais forte mas houve uma surpresa chamada Max Verstappen a impedir nova dobradinha dos ingleses em Spielberg.

Bruno Roseiro
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Antigos campeões, atuais pilotos, vários responsáveis de equipas. A Fórmula 1 é um mundo capaz de gerar tudo menos unanimidade mas o triunfo de Lewis Hamilton quase dois anos depois (686 dias, para ser mais exato) na Catalunha teve o condão de juntar tudo e todos em torno do britânico. Pela vitória, pela estratégia de risco que assumiu com sucesso, pela forma como foi gerindo da melhor forma os momentos da corrida em Barcelona. A par disso, esse primeiro lugar funcionou também como confirmação para o crescimento (ou, neste caso, rejuvenescimento) da Ferrari como equipa num ano em que a Mercedes dominava a todos os níveis. Agora, no circuito da Áustria, essa voltava a ser a grande luta com cenários em aberto para a prova.

https://observador.pt/2026/06/14/686-dias-depois-lewis-voltou-a-ser-lewis-e-ganhou-hamilton-bate-mercedes-em-barcelona-com-triunfo-assente-em-tres-paragens/

Depois de uma primeira sessão de treinos livres com a Mercedes a dominar por completo e a Ferrari a não entrar sequer no “jogo” (Dino Beganovic ocupou a vaga de Charles Leclerc), foi a McLaren que conseguiu ter o ritmo para desafiar o melhor carro dos britânicos, neste caso de Kimi Antonelli, sempre com a escuderia italiana muito discreta dentro do top 10. Na qualificação, tudo mudou. George Russell voltou a obter a pole position para o Grande Prémio da Áustria mas foi a Ferrari que alcançou os lugares seguintes, tendo Kimi Antonelli na quarta posição, um frustrado Max Verstappen em quinto e só depois os dois McLaren. Mais uma vez, a luta parecia desenhada para ser a quatro pela vitória e a dois nos construtores.

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Tudo voltaria a passar muito pela estratégia dos pilotos e das equipas em Spielberg para escrever um filme que tinha o fator extra do calor a mexer com as possíveis paragens das equipas, entre duas a três, perante um asfalto a escaldar que deveria aumentar a degradação dos pneus. “Em conformidade com o Artigo B1.5.10 do Regulamento da F1 da FIA, tendo recebido uma previsão do Serviço Meteorológico Oficial indicando que o Índice de Calor será superior a 31 °C em algum momento durante a corrida desta competição, declara-se uma situação de risco por calor”, tinha comunicado a direção de corridas sobre o tema. Era por isso que, entre outras alterações, as equipas teriam de instalar um sistema de refrigeração de pilotos nos carros, com a exceção de equipamentos pessoais, com a possibilidade de uso de coletes refrigeradores.

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Percebendo esse contexto, George Russell não deu hipóteses na saída, escolhendo a trajetória certa para não dar margem para ataques à liderança e tentando a partir daí começar a ganhar vantagem que, à décima volta, ainda estava na casa dos três segundos. Atrás dele voltava a aparecer Lewis Hamilton, que depois de ter em cima de si Kimi Antonelli aproveitou os problemas de tração do companheiro de equipa, Charles Leclerc, para tentar seguir na roda do Mercedes. Mais atrás, não havia nem o monegasco nem o italiano mas sim Max Verstappen, que se “vingou” do erro na qualificação superando Leclerc e Antonelli e chegando ao terceiro posto para uma explosão das bancadas. Mais: pouco depois da décima volta, a equipa avisava Russell que o problema poderia estar mais no neerlandês do que no britânico pelo grande ritmo do Red Bull.

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Mais atrás, a Cadillac confirmava mais um fim de semana para esquecer, com Valtteri Bottas a durar apenas uma volta e Sergio Pérez a fechar a corrida pouco depois. Começava a parte da estratégia, com Hamilton a abrir hostilidades com uma paragem logo na 13.ª volta numa estratégia que podia apontar para as três paragens e que foi seguida também por Leclerc. Funcionou uma vez em Barcelona, podia ou não funcionar na Áustria, com Verstappen a ficar com terreno livre para desafiar os cinco segundos e meio de avanço que Russell levava depois de um ataque sem sucesso do neerlandês ao britânico antes de passar pelas boxes. Max Verstappen seguiria pouco depois para uma paragem para colocar médios, reentrando atrás de Hamilton. Na 19.ª volta, os Mercedes resistiam e estavam isolados na frente com 6,4 segundos de diferença entre ambos.

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Kimi Antonelli era nesta altura o “problema” da Mercedes, ficando percetível que podia ser o piloto a tentar fazer apenas uma paragem ou esperar que surgisse um safety car, como aconteceu na versão virtual com a primeira desistência do ano de Carlo Sainz… mas quando o italiano já tinha parado. Antes, e após mais um duelo de titãs, Verstappen passou finalmente Hamilton, subindo a segundo quando Antonelli aproveitou a janela para ir às boxes. Com o safety car virtual a acabar, o neerlandês rodava a menos de cinco segundos do líder Russell, numa diferença que continuou a ser reduzida nas voltas seguintes quando os holofotes já estavam na luta pela quarta posição, com Oscar Piastri a conseguir finalmente superar Leclerc antes de Hamilton aproveitar a boleia para subir também ao quinto posto. Hadjar era sexto, à frente de Lando Norris.

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Os fantasmas começavam a bater à porta de Russell, que não só tinha Verstappen a menos de dois segundos na 40.ª volta como via Kimi Antonelli cada vez a rodar mais rápido e a aproximar-se da dupla. Quase que a passar a “pressão” para os outros, Russell foi às boxes e regressou na terceira posição, puxando pelo ritmo para ficar mais próximo dos dois da frente quando parassem para trocar de pneus. O primeiro foi o piloto neerlandês, que mudou na 50.ª volta e regressou a cerca de 11 segundos de George Russell. Já Antonelli, agora na frente, tinha menos de oito segundos de avanço em relação ao companheiro de equipa. Havia dúvidas sobre aquela que tinha sido a estratégia da Red Bull, havia ainda mais sobre o plano para Antonelli.

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Após trocar de pneus, Antonelli saiu a menos de cinco segundos de Verstappen e estavam desenhados os dois grandes focos de atenção até ao final da corrida: a luta pelo segundo lugar, entre o neerlandês e o italiano, e a batalha pelo quarto lugar, com Lewis Hamilton a tentar pressionar ao máximo Oscar Piastri que estava bem melhor do que o outro McLaren de Lando Norris. No entanto, nada acabaria por mudar. Russell conseguiu escrever da melhor forma o guião que, ao contrário do que se pensava, não teve propriamente a Ferrari na história, e espantou os maus espíritos que pareciam rondá-lo desde aquela primeira vitória logo no início da temporada, ao passo que Max Verstappen marcou uma posição e não quis ser apenas um ator secundário até ao segundo lugar. Kimi Antonelli, líder do Mundial, fechou o pódio à frente de Piastri e Hamilton, com Hadjar, Leclerc e Lando Norris a fecharem o top 8 ainda com os dois Racing Bull no pódio.

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