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(A) :: Um trio recuado a acordar a equipa que cedo ficou descafeinada na frente: as notas do empate de Portugal, um a um

Um trio recuado a acordar a equipa que cedo ficou descafeinada na frente: as notas do empate de Portugal, um a um

Diogo Costa foi o MVP, Rúben Dias e Renato Veiga tiveram a exibição mais segura deste Mundial e Dalot entrou bem ao intervalo mas a fisicalidade colombiana e o contexto do jogo "secaram" tudo o resto.

Bruno Roseiro
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O calor e a humidade podiam causar mossa frente a uma Colômbia que a vários níveis jogava em casa (com os portugueses, que também eram muitos, a fazerem-se ouvir e bem no Hard Rock Stadium, em Miami), a forma como a Colômbia gosta de jogar em transições rápidas com o jogo partido também iria ser um ponto mais problemático. Portugal tentou lutar contra uma e outra realidade mas, frente a uns cafeteros que só precisavam de empatar para ficar em primeiro lugar do grupo K mas que nunca deixaram de procurar a vitória, limitou-se apenas a resistir. Não ganhou, não esteve perto de ganhar, conseguiu “aguentar-se”.

https://observador.pt/2026/06/28/diogo-segurou-tudo-e-mais-alguma-coisa-mas-para-que-a-cronica-do-colombia-portugal/

Para isso, muito contribuiu o trio mais recuado. Diogo Costa defendeu tudo o que havia para defender, houve ainda a melhor exibição deste Mundial por Renato Veiga mesmo que, em algumas ocasiões, jogue tudo menos bonito, Rúben Dias destacou-se pela liderança do setor e por um corte fantástico a tirar um golo feito a Luis Suárez ao segundo poste. No entanto, esse “acordar” que veio de trás teve pouco eco do meio-campo para a frente, entre várias exibições descafeinadas que não foram suficientes para responder da mesma forma ao que a Colômbia tentava fazer. O contexto traz justificações mas não explica tudo o que se passou.

Diogo Costa, 8. Sempre pronto para segurar com as mãos e os pés uma equipa sem cabeça

Não teve propriamente muito trabalho nas duas primeiras partidas do Mundial, guardou-se para mostrar a melhor versão logo na primeira parte do encontro com a Colômbia, tendo uma intervenção fantástica a uma mão a um remate na área de Jhon Córdoba que ficou como melhor momento de uma noite em que foi uma muralha na baliza nacional (17′) entre várias defesas. Na segunda parte, mais do mesmo: das paradas para a frente, que ficaram nas mãos e até em cruzamentos que teve de cortar com as pernas por ser o melhor e mais prático para resolver, o número 1 nacional foi o grande destaque da Seleção a segurar o nulo.

  • Clube: FC Porto (Portugal)
  • Internacionalizações: 46 jogos, 0 golos
  • O que fez em 2025/26: 59 jogos, 5.246 minutos, 0 golos, 0 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2071047389356441620

João Cancelo, 5. Perdeu a primeira batalha mas aguentou-se bem na guerra com Díaz

Não se pode dizer que tenha feito um jogo mau, também não se pode considerar que fez um jogo bom – mas a saída logo ao intervalo terá entroncado mais numa perspetiva física do que propriamente pelo que andou a fazer em campo. Depois de ter perdido (e bem) o primeiro duelo com Luis Díaz, acertou o passo, conseguiu não só encaixar bem no jogador do Bayern como fez duas dobras importantes no meio em situação de saídas rápidas e só não somou mais uma assistência porque Vargas tirou o golo a Bruno Fernandes, na única ocasião em que conseguiu subir com sucesso pelo lado direito a fazer depois o cruzamento (rasteiro).

  • Clube: Barcelona (Espanha) depois de Al Hilal (Arábia Saudita)
  • Internacionalizações: 71 jogos, 12 golos
  • O que fez em 2025/26: 40 jogos, 2.593 minutos, 5 golos, 9 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos

Rúben Dias, 7. Um líder que fechou o jogo com um corte que valeu por um golo

A Colômbia foi apostando sempre em criar pelo ataque descaído sobre a direita do que pela esquerda, o que foi evitando que o central do Manchester City tivesse tanto trabalho como o parceiro de eixo central. Tentou manter a defesa estável com o habitual espírito de liderança, teve cortes importantes que foram escondendo erros que partiam ainda antes da bola chegar ao último terço dos cafeteros e acabou com um lance que foi capaz de marcar a exibição, cortando em cima da linha ao segundo poste um golo feito a Suárez.

  • Clube: Manchester City (Inglaterra)
  • Internacionalizações: 78 jogos, 3 golos
  • O que fez em 2025/26: 43 jogos, 3.480 minutos, 2 golos, 0 assistências, 4 amarelos e 0 vermelhos

https://twitter.com/BayuAdjaa/status/2071044581777695054

Renato Veiga, 8. Estabilizou, ganhou confiança, “limpou tudo” (mais ou menos bonito)

A primeira imagem que ficou do jogo não foi a melhor, deixando novamente passar por cima uma bola que caiu nas costas para um lance de perigo da Colômbia que não teve depois resultados práticos. Depois, e com o passar dos minutos, foi estabilizando, ganhou mais confiança, teve vários cortes decisivos e, após o intervalo, ainda teve duas subidas para tentar ganhar superioridade na primeira fase de construção. Às vezes tem intervenções meio atabalhoadas, outras limita-se a cortar para onde está virado mas mostrou que não há nada para um central como a eficácia – e aí mostrou que não tem problemas em trabalhar para a equipa.

  • Clube: Villarreal (Espanha)
  • Internacionalizações: 16 jogos, 1 golo
  • O que fez em 2025/26: 54 jogos, 4.091 minutos, 2 golos, 1 assistência, 8 amarelos e 1 vermelho

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2071028335413502304

Nuno Mendes, 5. O problema do ir é o voltar. E sem grande ajuda, ainda mais

A atacar, não há melhor. Avança, cavalga, ganha metros com uma facilidade complicada de encontrar alguém a fazer o mesmo, cria desequilíbrios. No entanto, e ao contrário do que aconteceu com o Uzbequistão, sofreu com o outro lado da moeda: mesmo não defrontando Muñoz, que ficou a descansar por troca com Santiago Arias, sentiu dificuldades com os movimentos para dentro de James Rodríguez e para fora de Jhon Arias. A segunda parte não melhorou em nada esses problemas, tornando-os ainda mais visíveis perante a falta de subidas no segundo tempo também com o desgaste físico a fazer-se sentir com o passar dos minutos.

  • Clube: PSG (França)
  • Internacionalizações: 47 jogos, 2 golos
  • O que fez em 2025/26: 50 jogos, 3.621 minutos, 7 golos, 8 assistências, 5 amarelos e 0 vermelhos

Vitinha, 5. A fisicalidade dos médios cafeteros tirou cafeína ao cérebro nacional

Na parte do passe, não há como ele. Em tudo o resto, não parecia ele. Não se pode dizer que Vitinha tenha feito um mau jogo, sobretudo em comparação com o menor rendimento que Bruno Fernandes e Rúben Neves foram apresentando, mas também não foi aquele jogador que consegue fazer toda a diferença como pêndulo da equipa a organizar todas as bolas na primeira fase de construção. A substituição teve muito de parte física e não tanto de oferecer algo mais ao jogo mas a fisicalidade dos cafeteros conseguiu secar-lhe a técnica.

  • Clube: PSG (França)
  • Internacionalizações: 40 jogos, 0 golos
  • O que fez em 2025/26: 62 jogos, 4.958 minutos, 7 golos, 10 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos

https://twitter.com/SofascoreBR/status/2071050953248452806

Rúben Neves, 4. A surpresa que podia fazer sentido na teoria mas que se perdeu na prática

“Acho que é um bom momento para utilizar a sua experiência e a sua frescura durante o jogo, também dar equilíbrio na zona de médios que acho ser importante”, explicava Roberto Martínez da partida, antecipando aquilo que pretendia da única alteração no onze inicial em detrimento de João Neves. Na teoria, percebia-se aquilo que o selecionador pretendia; na prática, não correu bem. Não correu mesmo bem. Teve um remate a rasar o poste (39′), um corte providencial na área (22′), mas andou demasiadas vezes perdido sem bola no meio-campo. Ou seja, aquilo que motivara a aposta não funcionou – e saiu ao intervalo.

  • Clube: Al Hilal (Arábia Saudita)
  • Internacionalizações: 68 jogos, 1 golo
  • O que fez em 2025/26: 53 jogos, 4.292 minutos, 13 golos, 11 assistências, 6 amarelos e 0 vermelhos

https://twitter.com/TheNassrZone/status/2071019780664922468

Bruno Fernandes, 5. Mais refém do que o jogo deu do que culpado pela noite que correu mal

Não teve uma primeira parte famosa, beneficiando da oportunidade mais flagrante de todo o jogo para uma intervenção fantástica de Camilo Vargas após assistência de João Cancelo (39′), também não melhorou muito na segunda parte mas acabou por ser mais refém do encontro que se foi desenhando do que culpado por ter uma noite menos conseguida. Sem espaços entrelinhas, sem margem de manobra para fazer o penúltimo ou o último passe, com obrigações defensivas que lhe criaram um desgaste maior do que é habitual, Bruno Fernandes foi-se perdendo no encontro e teve a exibição mais apagada em todo este Mundial.

  • Clube: Manchester United (Inglaterra)
  • Internacionalizações: 92 jogos, 29 golos
  • O que fez em 2025/26: 49 jogos, 4.197 minutos, 13 golos, 25 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos

https://twitter.com/StatPadFootball/status/2071189698320507390

Pedro Neto, 5. Nunca recusa ajudar o próximo, também não conseguiu superar o próximo

Ainda foi tentando algumas incursões pela direita, acabou por destacar-se pelas ajudas que dava ao lateral direito do que propriamente pelos desequilíbrios que conseguia na frente – e provavelmente foi por isso que cumpriu pela primeira vez neste Mundial os 90 minutos. Não conseguiu passar ao lado de uma noite que não traz propriamente grandes recordações a todos os elementos ofensivos mas acabou tendo apenas esse sentido de dever cumprido por dar à equipa o que era pedido nos momentos sem bola.

  • Clube: Chelsea (Inglaterra)
  • Internacionalizações: 28 jogos, 3 golos
  • O que fez em 2025/26: 63 jogos, 4.400 minutos, 11 golos, 12 assistências, 8 amarelos e 1 vermelho

João Félix, 6. Saiu quando estava a ser o melhor elemento de Portugal no ataque

Saiu quando estava a dar mais à equipa, ficou quando as coisas não lhe estavam a correr propriamente bem. Colocado novamente na esquerda com movimentos para dentro, João Félix teve como principal senão a forma como foi deixando muitas vezes Nuno Mendes sozinho em situações de 2×1 mas acabou a primeira parte com um grande trabalho individual que acabou com um remate perto da trave (42′). Melhorou no segundo tempo, conseguindo ganhar duas vezes em velocidade a Santiago Arias e tendo um desvio de cabeça na área após cruzamento de Diogo Dalot que saiu ao lado, mas saiu sendo o melhor dos avançados.

  • Clube: Al Nassr (Arábia Saudita)
  • Internacionalizações: 55 jogos, 12 golos
  • O que fez em 2025/26: 58 jogos, 4.256 minutos, 29 golos, 19 assistências, 8 amarelos e 0 vermelhos

https://twitter.com/sporttvportugal/status/2071025577436303860

Cristiano Ronaldo, 4. Um livre direto, dois foras de jogo e pouco mais na frente

Depois dos dois golos frente ao Uzbequistão, voltou a jogar os 90 minutos, com Roberto Martínez a dizer no final que Cristiano Ronaldo dá coisas à equipa em termos de movimentos que mais ninguém consegue dar mesmo que tenha outra desenvoltura em termos físicos. Teve um remate à figura de livre direto, dois bons passes de João Félix onde foi apanhado em fora de jogo (mas onde não marcaria porque os remates não saíram bem) e pouco mais, numa partida que não estava propenso para o que consegue oferecer de melhor.

  • Clube: Al Nassr (Arábia Saudita)
  • Internacionalizações: 231 jogos, 145 golos
  • O que fez em 2025/26: 48 jogos, 3.916 minutos, 37 golos, 4 assistências, 2 amarelos e 1 vermelho

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2071071393865752992

Diogo Dalot, 6. Entrou ao intervalo, fez um jogo por 90 minutos e foi um dos melhores

Apesar de só ter entrado ao intervalo para o lugar de João Cancelo, Diogo Dalot acabou por tornar-se um dos melhores jogadores de Portugal: boas subidas pela direita com cruzamentos que levaram perigo, vários duelos ganhos com adversários diretos, muita entrega também em terrenos que não os seus para fazer compensações. Jogou para lutar por uma vaga como titular no primeiro encontro do Mundial.

  • Clube: Manchester United (Inglaterra)
  • Internacionalizações: 36 jogos, 3 golos
  • O que fez em 2025/26: 42 jogos, 3.157 minutos, 1 golo, 4 assistências, 5 amarelos e 0 vermelhos

João Neves, 5. Ajudou a circular mais e melhor, perdeu-se na fisicalidade colombiana

Um pouco como Bruno Fernandes, e apesar de ter entrado apenas ao intervalo, João Neves acabou por ficar “preso” entre a fisicalidade colombiana e a falta de espaço para as habituais desmarcações de rutura. Teve o papel importante de pautar os momentos de maior posse e circulação de Portugal sobretudo no arranque da segunda parte mas não conseguiu evitar na parte final que o jogo partisse em momentos de transição.

  • Clube: PSG (França)
  • Internacionalizações: 25 jogos, 4 golos
  • O que fez em 2025/26: 46 jogos, 3.295 minutos, 11 golos, 4 assistências, 2 amarelos e 0 vermelhos

Samu Costa, 5. Fez a estreia para tentar segurar as pontas de uma equipa a partir-se

Os primeiros minutos num Campeonato do Mundo são sempre um motivo de orgulho para qualquer jogador mas o contexto em que se é lançado na partida também pode fazer diferença. Para o bem, para o mal. Samu Costa teve esse problema, entrando num momento em que a Colômbia estava a crescer na partida e tentava partir o encontro em transições. Não teve nada de relevante para apontar, com ou sem bola.

  • Clube: Maiorca (Espanha)
  • Internacionalizações: 7 jogos, 0 golos
  • O que fez em 2025/26: 41 jogos, 3.010 minutos, 7 golos, 2 assistências, 12 amarelos e 0 vermelhos

Rafael Leão, 5. Mais uma entrada com a vontade que importa mas não é tudo

Voltou a sair do banco na segunda parte para cumprir os últimos 20 minutos no lugar de João Félix mas, ao contrário da partida com o Uzbequistão, não teve um efeito prático na exibição de Portugal. Acabou o jogo com uma grande arrancada pela esquerda onde passou o adversário, arriscou o remate mas a bola saiu ao lado, foi tentando antes lances em que explorava a velocidade para ganhar no 1×1 mas nada resultou.

  • Clube: AC Milan (Itália)
  • Internacionalizações: 47 jogos, 6 golos
  • O que fez em 2025/26: 38 jogos, 2.171 minutos, 11 golos, 3 assistências, 5 amarelos e 1 vermelho

Matheus Nunes, -. Uns minutos para se estrear no Mundial e pouco mais do que isso

Teve a oportunidade de fazer a estreia no Mundial com um par de minutos no lugar de Nuno Mendes, jogou seis minutos de desconto depois do golo anulado a Davinson Sánchez mas mal tocou na bola.

  • Clube: Manchester City (Inglaterra)
  • Internacionalizações: 21 jogos, 2 golos
  • O que fez em 2025/26: 54 jogos, 4.134 minutos, 1 golo, 7 assistências, 8 amarelos e 0 vermelhos