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44 anos depois do jogo da vergonha, eis aquela que podia ser a versão 2.0 ou o jogo da… verdade. Foi a 25 de junho de 1982 que Argélia e Áustria entraram para a história do futebol, mas pelos piores motivos. Naquele dia, os austríacos e a Alemanha Ocidental entraram em campo a saber que, em caso de triunfo alemão, ambos iam avançar para a segunda fase do Campeonato do Mundo, eliminando os argelinos. E assim foi. A Alemanha Ocidental venceu pela margem mínima (1-0), num jogo que ficou marcado pela vergonha que aconteceu em campo: depois do golo aos 10 minutos, a partida não teve história e os adeptos espanhóis presentes nas bancadas chegaram até a insurgir-se com o que estava a acontecer. Há inclusivamente relatos de um argelino que terá tentado invadir o campo. O que é certo é que, mais de quatro décadas depois, a Argélia tinha a tão esperada oportunidade de desforra.
https://observador.pt/2026/06/23/al-rashdan-trivelou-a-realidade-antes-de-gouiri-a-instaurar-a-cronica-do-jordania-argelia/
“Não vamos disputar o jogo apenas com o objetivo de empatar, pelo contrário, vamos entrar em campo com um único objetivo: conquistar a vitória e garantir a qualificação. Evitar Espanha? Não se pode pensar nisso no futebol. É preciso enfrentar o rival com muita vontade de ganhar. Depois do jogo veremos, mas primeiro temos que merecer a qualificação e ganhar o jogo é a coisa mais importante. Este Campeonato do Mundo é diferente. Todos os que não tinham que ganhar, ganharam. É o futebol. Precisamos de ser os donos do nosso destino e não pensar em não perder. Acho que temos o nosso próprio estilo de jogo. Vamos tentar impô-lo frente à Áustria. Queremos fazer uma boa exibição. Queremos jogar o nosso jogo sem pensar no resto. Vamos dar tudo para vencer a Áustria”, assumiu Vladimir Petkovic.
“Em 1982 nenhum dos jogadores que aqui estão era vivo. Eu estava a começar como jogador. Foi há muito tempo e não tem absolutamente nada a ver com o jogo de amanhã [sábado] e o resultado de amanhã. Nos últimos meses lemos sobre isso e não acho que terá influência no jogo. Se amanhã empatarmos, podemos passar à fase seguinte, mas não podemos entrar num jogo e dizer que vamos jogar apenas para o empate. É o mesmo para nós e para a Argélia. Veremos como estará a situação quando faltarem apenas cinco ou dez minutos para o fim do jogo, mas não vamos mandar a equipa para o campo a dizer que vamos jogar para o empate. A Argélia é uma equipa com a qual nos podemos equiparar tecnicamente. A maioria dos jogadores integra equipas de topo na Europa e vamos ter de enfrentar uma equipa com um conjunto de qualidades muito completo, além de termos de jogar a um nível muito elevado do ponto de vista tático”, revelou Ralf Rangnick.
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Com Houssem Aouar, Jaouen Hadjam, Oussama Benbot e Nabil Bentaleb, Marko Arnautovic, Philipp Lienhart e Phillip Mwene a saltarem para os respetivos onzes, a primeira parte foi equilibrada, chegando ao fim exatamente como começou: empatada, mas com golos. O primeiro nasceu num grande passe de David Alaba, vertical, pelo ar, a isolar Arnautovic, que aproveitou a passividade de Benbot para inaugurar o marcador (28′). Contudo, em cima do intervalo, Riyad Mahrez recuperou a bola junto e com o contributo da bandeirola de canto, Rafik Belghali recolheu, driblou os defesas e desferiu um remate forte, cruzado, para o empate (45′).
Depois do intervalo o jogo continuou aberto e ligado à corrente, os austríacos a voltarem à mó de cima através de uma arrancada de Konrad Laimer pela direita, servindo depois, na altura certa, Marcel Sabitzer, que fez o 1-2 com um remate cruzado, na passada, de pé direito, já dentro da área (55′). Logo a seguir, Houssem Aouar arrancou em velocidade pelo flanco esquerdo, entrou na área e cruzou rasteiro para a zona do segundo poste, onde Mahrez apareceu a completar para o empate (60′). Apesar da discussão, as equipas deixaram de arriscar com o passar do tempo e contentaram-se com o importante e decisivo empate. Depois de largos minutos a trocarem a bola sem sair do meio-campo, os argelinos encontraram uma nesga para carimbar o apuramento, com Aouar a receber entrelinhas e a isolar Mahrez, que não desperdiçou de pé direito (90+4′). Contudo, já para lá da hora, os austríacos resgataram o segundo lugar com um golo de Sasa Kalajdzic, que foi assistido pela cabeça de Michael Gregoritsch (90+6′).
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A estrela
- A experiência acabou por fazer a diferença. Longe dos holofotes da Premier League que outrora caíram sobre si, Riyad Mahrez continua a espalhar qualidade com o seu pé esquerdo. Diante da Áustria, o avançado do Al Ahli foi a grande figura da Argélia, conseguindo manter a sua seleção no torneio depois de estar duas vezes fora.
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O joker
- Não mudou o jogo, mas mudou a vida de um país. Sasa Kalajdzic saiu do banco para recolocar os austríacos na competição num final épico, em que o Irão voltou a sonhar, mas o avançado do LASK Linz apareceu na altura certa para garantir o apuramento para os 16 avos.
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A sentença
- As contas são simples e colocam Áustria e Argélia na fase a eliminar do Mundial. Os austríacos acabaram por ter o caminho mais “fácil”, já que se apuraram diretamente através do segundo lugar do grupo J. Os argelinos, por sua vez, chegam aos 16 avos como o sexto melhor terceiro classificado, eliminando o Irão dessa condição.
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A mentira
- Foi graças à Áustria e ao Mundial de 1982 que a FIFA mudou as regras e passou a colocar os jogos da última jornada da fase de grupos ao mesmo tempo. Contudo, 44 anos depois, os austríacos, agora com o contributo dos argelinos, voltaram a trazer à tona uma das piores coisas que há no futebol. A precisarem de apenas um ponto para seguirem em frente, as duas equipas pouco arriscaram ao longo da partida, apesar de os quatro golos evidenciarem um jogo discutido e equilibrado. Acabou por ser renhido, mas o peso do erro e do apuramento fez-se sentir em demasia.
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