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(A) :: Fenprof acusa Governo de financiar "depósito de crianças" nas creches

Fenprof acusa Governo de financiar "depósito de crianças" nas creches

Em causa está o anúncio, pelo Governo, do financiamento complementar das creches dos setores social, solidário e privado, quando pratiquem horários alargados superiores a 11 horas.

Agência Lusa
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A Fenprof acusou este sábado o Governo de promover o “depósito de crianças”, ao incentivar financeiramente o funcionamento de creches em horários superiores a 11 horas, quando deveria dar condições às famílias para conciliarem a vida profissional com a pessoal.

Em causa está o anúncio, pelo Governo, do financiamento complementar das creches dos setores social, solidário e privado, quando pratiquem horários alargados superiores a 11 horas, justificando a medida com a necessidade de reforçar o apoio às famílias, destacou a Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Num comunicado, a Federação considerou que a medida vai levar ao “depósito de crianças durante mais de 11 horas” nas creches, apartando os elementos do agregado familiar “durante cada vez mais horas”, em vez de “promover condições dignas para o exercício dos direitos de parentalidade”.

“Ao contrário do que é apregoado, esta medida, ao promover a desregulação dos horários de trabalho das famílias, constitui um ataque aos direitos das crianças e dos pais”, considerou a Federação, acrescentando que “esta opção contribui para perpetuar a precariedade laboral, os baixos salários e o agravamento da conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar”.

A Fenprof considerou que o financiamento desta prática ignora “as necessidades de um desenvolvimento global e harmonioso dos mais novos”, que “afeta o desenvolvimento emocional e a vinculação afetiva das crianças”.

Os professores consideram que mais tempo das crianças na creche compromete “a qualidade educativa” e ignora “a especificidade da educação dos 0 aos 3 anos, as necessidades das famílias e o superior interesse das crianças”, uma vez que, “para além de alterar ritmos de sono e alimentação, dificulta a construção de relações seguras e de confiança”.

Na nota, a Fenprof exige ao Governo “a criação de uma rede pública de creches, que assegure uma resposta universal, gratuita e de qualidade, mas também políticas que promovam os direitos de parentalidade”.

A Federação de sindicatos de professores defende que as famílias devem “dispor de tempo de qualidade com os seus filhos, especialmente em idades tão precoces, contribuindo assim para o bem-estar das crianças e para combater o défice demográfico”.

“O país, as famílias e as crianças continuam confrontados com a falta de vagas na creche, ou com o aumento do número de crianças por sala, transformando as creches em verdadeiros depósitos, com rácios adulto/crianças manifestamente insuficientes”, destacou.