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(A) :: A Grande Permuta Migratória do PS

A Grande Permuta Migratória do PS

Disseram-nos que não estávamos a ver aquilo que víamos. Que as ruas não tinham mudado assim tanto. Que fazer perguntas era apenas outra forma de proclamar "Grande Substituição".

Francisco Camacho
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Esta Segunda-feira, o Instituto Nacional de Estatística revelou os números actuais da população portuguesa. E não se tem falado de outra coisa. É natural: há onze milhões e quatrocentos mil a viver em Portugal. Somos mais do que alguma vez fomos.

O primeiro a sinalizar a gravidade do momento foi Miguel Morgado, no espaço de comentário que mantém na SIC Notícias. Com o seu habitual desassombro, recordou os comentadores que negaram estes números, e chegou mesmo a dizer que Marcelo Rebelo de Sousa, ao pô-los também em dúvida, tinha sido um “perfeito irresponsável”.

É evidente que para quem vive num condomínio confortável, e se desloca entre estúdios de televisão e salas de conferências, a imigração é a mais gratificante das abstracções auto-indulgentes. Já para quem vive nos bairros pressionados, anda em transportes sobrelotados ou vê a insegurança a aumentar, é uma realidade concreta e assustadora.

Portugal tem hoje cerca de 1,6 milhões de residentes estrangeiros. Representam 14% da população. Entre 2021 e 2025, entraram, em média, 581 novos imigrantes por dia. O problema, neste momento, é de escala e de velocidade. E, face a isso, de descontrolo e ausência de preparação.

Disseram-nos que não estávamos a ver aquilo que víamos. Que as ruas não tinham mudado assim tanto. Que fazer perguntas era apenas outra forma de proclamar “Grande Substituição”. Agora que os números chegaram, ficamos a saber o que sempre desconfiámos: o país real tinha razão contra o país comentado e contra aquele que agora se senta no Conselho Europeu. Pior: ficamos a saber que nos andam a mentir desde, pelo menos, antes da pandemia.

Isto não aconteceu por acidente. Não foi uma fatalidade da globalização. Foi a política de portas escancaradas do Partido Socialista, homologada pela estultícia humanitária dos comentadores, pela cobardia de boa parte da direita e pelo entusiasmo muito prático de quem descobriu na imigração uma forma simpática de manter sectores inteiros da economia dependentes de mão-de-obra barata.

Estava escrito. Literalmente. Nas Grandes Opções do Plano 2020-2023, o Governo de então defendia uma política migratória que assegurasse a “atractividade do país para novos imigrantes” e previa medidas como acabar com os limites que condicionavam a contratação de trabalhadores estrangeiros de fora da União Europeia e criar um título temporário para entrada em Portugal com objectivo de procura de emprego.

Ou seja: foi uma estratégia económica. Pensada, ponderada. Talvez a única verdadeira estratégia económica dos oito anos de António Costa: “crescimento por enchimento”, ou como manter de pé uma economia pobre através de um aumento bruto de populações estrangeiras.

Não houve uma estratégia liberalizante, porque isso desagradava aos parceiros da geringonça e, em boa verdade, ao próprio PS. Não houve uma estratégia forte de atracção de capital, porque desconfiavam da iniciativa privada. Não houve sequer uma estratégia robusta de investimento público, porque Mário Centeno transformou o défice baixo numa espécie de virtude teologal e as cativações no seu evangelho.

Restava o caminho mais fácil.

O país que não conseguiu fixar os seus jovens, que os empurrou para fora com casas impossíveis e carreiras bloqueadas, decidiu compensar esse fracasso importando população. Em vez de tornar Portugal habitável para os portugueses, tornou Portugal disponível para uma permuta funcional.

Agora, tarde e a más horas, começa-se finalmente a desfazer o nó. Antes ainda de conhecidos os números, o actual Governo soube ler os sinais e percebeu que a primeira tarefa era devolver consequência à lei: acelerar o afastamento de quem está ilegalmente em Portugal, reduzir expedientes dilatórios, assegurar que uma decisão administrativa produz efeito.

O que está na lei tem de ser cumprido. O que é decidido tem de acontecer. Sem isso, a política migratória passa a ser uma porta empenada, que toda a gente percebe que devia fechar, mas que, por medo ou tacticismo, ninguém se dá ao trabalho de mandar arranjar. “Abertura”, “diversidade”, “dinamismo”, “necessidade económica”, chamem-lhe o que quiserem, mas saibam que nós sabemos. E não esquecemos.