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(A) :: A banalização das instituições em Angola

A banalização das instituições em Angola

Os riscos da instrumentalização da justiça e das instituições do Estado.

Edgar Kapapelo
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Ao banalizarem o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, banalizaram também a instituição Presidência da República e toda a pouca credibilidade que ainda lhe restava.

Ao banalizarem os generais, banalizam igualmente toda a instituição das FAA (Forças Armadas Angolanas). E essas eram as instituições mais fortes do país, porque os ministros são auxiliares do Presidente, os governadores são fantasmas lunares que aparecem consoante as fases, e os empresários são prisioneiros do Estado. Mais não digo.

A única instituição que aumenta o seu poder a cada dia é a segurança. Com isso refiro-me aos serviços de inteligência e à polícia que, embora devesse ser republicana, é constantemente acusada de partidarismo. Contudo, pouco se percebe, mesmo que muito se diga, sobre a segurança, os seus agentes e a sua atuação. Uns dizem que é ela quem sustenta o governo de João Lourenço; outros afirmam que é ela quem está por detrás da destruição do MPLA. A verdade é que não se sabe.

Os conflitos internos do MPLA têm vários antecedentes. Claro que o mais grave e mais recente foi a morte do Presidente José Eduardo dos Santos. Mas hoje ouvimos a Procuradoria-Geral da República iniciar uma ação contra o General Higino Carneiro, um quadro histórico do MPLA e, inclusive, fundador das FAA (Forças Armadas Angolanas).

Compreendemos todos que, depois de tantos anos e perante uma cultura política marcada por roubos e saques ao erário público, possam existir razões para escrutínio. Mas o que mancha e descredibiliza as instituições é a pergunta inevitável: por que agora e não antes? Por que agora, depois de confirmada a sua condição de pré-candidato à liderança do MPLA?

Os tribunais e a Procuradoria são instituições de todos nós. Elas representam a nossa seriedade e o nosso prestígio enquanto Estado. Os problemas de um partido não podem, nem devem, manchar todo o povo angolano.

A prática de instrumentalização das instituições não é nova, mas penso que até um leão carnívoro não comeria a sua própria cria. Esta atitude é grave e representa um sinal muito perigoso.

“Eles serão capazes de tudo pelo poder.” E farão tudo pelo poder.

Assim, eu, Edgar Kapapelo, peço a todos os nossos amigos espalhados pelo mundo que pensem em nós e que, quando for necessário e lhes for possível, nos ajudem.