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Cerca de 150 milhões de europeus enfrentam nesta sexta-feira altas temperaturas

Esta sexta-feira, é possível que as temperaturas máximas ultrapassem os 30ºC para mais de 400 milhões de pessoas em território europeu. A Turquia, na ponta leste da Europa, é a única exceção.

Agência Lusa
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Cerca de 150 milhões de europeus, incluindo França, Alemanha, Holanda e Hungria, vão enfrentar esta sexta-feira um dia escaldante, com temperaturas acima dos 35 graus Celsius, devido à onda de calor que atinge a Europa.

Segundo informações levantadas pela agência de notícias AFP, mais de 50 milhões de pessoas na Alemanha e mais de 30 milhões em França sofrerão com temperaturas acima dos 35°C.

No total, prevê-se que as temperaturas máximas ultrapassem os 30°C para mais de 420 milhões de pessoas na Europa [excluindo a Turquia], ou cerca de sete em cada dez.

Para o grupo de cientistas World Weather Attribution (WWA), as alterações climáticas são responsáveis pela intensidade desta onda de calor, que teria sido praticamente impossível há 50 anos.

As temperaturas recorde foram quebradas no Reino Unido, Espanha, França e Suíça, e desde a meia-noite que está em vigor um alerta vermelho para o calor extremo em grande parte dos Países Baixos, onde as autoridades desaconselham as viagens e a maioria das escolas está encerrada.

“Nos últimos 30 ou 40 anos, a prática era prestar assistência às pessoas para as proteger do frio (…), mas a situação mudou drasticamente”, explica Barbara Breuer, porta-voz de uma instituição de solidariedade de Berlim que distribui ‘kits’ de emergência a pessoas em situação de sem-abrigo.

“O mapa da Alemanha está quase inteiramente violeta escuro, indicando o alerta de calor extremo”, indicou o serviço meteorológico alemão (DWD), que prevê que “o calor intenso se espalhará por toda a Alemanha hoje e durante todo o fim de semana”.

Em países já afetados há vários dias, como a França e o Reino Unido, os hospitais começam a atingir a capacidade máxima, os centros de crise foram ativados e as mortes estão a ser contabilizadas: idosos, doentes crónicos, crianças, adolescentes e sem-abrigo. O calor mata por afogamento, hipertermia e ataques cardíacos.

Segundo uma nova contagem, 55 pessoas morreram afogadas em França quando tentavam escapar ao calor sufocante, anunciou o Ministério dos Desportos, que teme que este número possa “aumentar ainda mais”.

O Hospital Europeu Georges Pompidou, um dos principais hospitais de Paris, está a viver uma situação “extremamente grave”, alertou hoje o chefe do departamento de emergência, Philippe Juvin.

“Os corredores estão cheios” de doentes, “sobretudo idosos”, mas também de doentes “na casa dos 50 e 60 anos”, apresentando “febres muito elevadas”, indicou, mencionando também “os sem-abrigo que chegam com uma temperatura de 42º C.

A Marcha do Orgulho LGBT de Paris foi cancelada, e a de Lyon (leste de França), marcada para sábado, foi adiada para setembro.

O mesmo aconteceu com o festival de música Solydays, em Paris, que costuma atrair mais de 250 mil pessoas. Estão também a ser implementadas restrições ao consumo de álcool para evitar colocar o público em risco.

Do outro lado do Canal da Mancha, o sistema hospitalar britânico (NHS) está “à beira do colapso”, observou a médica Hilary Williams, vice-presidente do Royal College of Surgeons.

Dois terços da França permanecem hoje afetados pela onda de calor, prevendo-se que as temperaturas atinjam entre os 39ºC e os 41°C na metade oriental do país e na região de Paris, segundo a Météo-France. Uma melhoria gradual, no entanto, começou ao longo da costa atlântica.

A onda de calor está também a ter consequências negativas para a economia europeia, com a consequente desaceleração da produtividade, aumento dos preços e crescimento lento.