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Tudo ou nada. Na teoria, Paraguai e Austrália partiam para esta última jornada em disputa direta pelo segundo lugar do grupo D, dado que ambas perderam para os EUA e, por conta disso, já não podiam chegar à liderança. Se estivéssemos a falar de uma competição com 32 equipas, apenas uma das duas seleções podia almejar o apuramento para a fase a eliminar. Contudo, com o aumento do Campeonato do Mundo para 48 seleções, sul-americanos e oceânicos podiam passar em simultâneo, independentemente do que acontecesse no Levi’s Stadium. Ainda assim, era certo que quem ganhasse ia carimbar o segundo lugar, mas a derrota podia ser suficiente para passar em terceiro lugar, dependendo daquilo que vai acontecer até ao final desta primeira fase do Mundial.
https://observador.pt/2026/06/20/os-11-que-jogam-por-sete-milhoes-perderam-o-respeito-e-resistiram-a-uma-estrela-decrescente-presa-no-caos-a-cronica-do-turquia-paraguai/
“Para nós é uma final. Os meus jogadores ensinaram-me que dão o seu melhor em tudo o que fazem. Digo aos meus jogadores que temos de viver este jogo como se fosse o último que disputamos. Esperemos que amanhã [sexta-feira] tenhamos a oportunidade de disputar mais um jogo… temos vindo a trabalhar e a planear este jogo com esses objetivos em mente, é isso que queremos alcançar e é esse o nosso objetivo. O adversário tem características diferentes, mas isso traz-nos outra complexidade. Haverá poucos espaços durante o jogo, será complicado encontrar espaço para avançar, com uma elevada densidade de jogadores em certas zonas. Vai ser difícil avançar em certos espaços. É preciso paciência e mais paciência. Vai ser um jogo em que, mesmo com 14 avançados, não teremos muitas oportunidades de marcar. Quando escolhi os avançados, tive em conta a defesa que teremos de enfrentar”, assumiu Gustavo Alfaro.
“As pessoas ficam contentes se um jogador entra em campo e ficam descontentes se virem um jogador de que gostam que não entra. Quem quer que jogue amanhã, sei que pode construir uma base sólida e quem quer que entre pode entrar e concluir o que começámos. Por isso, estou satisfeito com todos os jogadores. Cada circunstância ou situação é muito diferente. Vamos estar melhores contra o Paraguai. Se Deus quiser, passamos à fase seguinte e vamos estar ainda melhores para a próxima experiência. Estamos satisfeitos com todos os jogadores. Tem sido uma experiência maravilhosa para nós. Estamos a evoluir dia após dia, ainda mais depressa do que eu esperava. Estou muito confiante de que os rapazes estão bem preparados e entusiasmados com esta oportunidade. Estamos nesta posição porque merecemos estar aqui. Sei que os rapazes vão adorar este desafio e que estão prontos para ele”, garantiu Tony Popovic.
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Sem Miguel Almirón, Alfaro assentou a sua equipa numa linha defensiva de cinco elementos, lançando Gustavo Velázquez e Alexandro Maidana no setor mais recuado, de onde saiu Junior Alonso. No ataque, Gabriel Ávalos foi a referência, em detrimento de Isidro Pitta. Já Popovic foi bem menos conservador e mudou mais de metade do seu onze inicial, lançando Connor Metcalfe, Aziz Behich, Nestory Irankunda, Cristian Volpato, Jackson Irvine e Lucas Herrington. Saíram Jacob Italiano e Mathew Leckie por lesão, Mohamed Touré, Cameron Burgess, Nishan Velupillay e Paul Okon-Engstler. Com o apuramento na mira das duas equipas, o jogo acabou por ser bastante aborrecido durante o primeiro tempo, sem ninguém a querer arriscar. Destaque para o remate logo a abrir de Irvine para defesa de Orlando Gill (3′) e para o tiro colocado de Volpato para nova intervenção do guarda-redes (45+2′), naqueles que foram os únicos remates enquadrados.
Ao intervalo, o Paraguai desfez a linha defensiva de cinco e mostrou-se mais afoito, mas a segunda parte arrancou novamente sem ocasiões de perigo e com o jogo muito quebrado, fosse pelas faltas ou pelas substituições forçadas. Com o amarelo por falta sobre Bos, Diego Gómez viu o segundo amarelo no Mundial e vai falhar a partida dos 16 avos de final. Já na compensação, o Paraguai recuperou a bola em boa posição, Maurício recebe à entrada da área, mas rematou fraco para as mãos de Patrick Beach (90+3′). Na resposta, Tete Yengi não fez melhor, desferindo um remate frouxo para defesa de Orlando Gill (90+3′).
A estrela
- Num jogo com muito pouco para contar, Matías Galarza foi o elemento mais diferenciado no relvado do Levi’s Stadium. Nascido numa família de guarda-redes — o avô Arturo foi uma lenda do Paraguai e da Bolívia, sendo que o pai e o irmão Lucas também seguiram o seu caminho nas balizas —, Galarza destacou-se no futebol sul-americano, antes de rumar ao Atlanta United em março. A jogar naquele que é, desde então, o seu país, o camisola 23 fez uma exibição segura, mantendo-se como o maior elemento de ligação entre o meio-campo e o ataque. No total falhou apenas três passes e ainda tentou marcar
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O joker
- É certo que não teve muito trabalho, mas acabou por ajudar ao nulo que se registou na madrugada desta sexta-feira. Orlando Gill tem quase dois metros de altura e, há oito anos, encontrava-se no futebol amador. Chegou ao San Lorenzo porque o clube não tinha dinheiro para contratar Keylor Navas, tornou-se titular na seleção do seu país e está agora a cumprir o sonho de jogar um Mundial. Frente à Austrália, fez duas boas defesas e um golo do adversário (0,51).
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A sentença
- Acabou como começou. Este resultado acaba por fazer mais a Austrália, que carimbou o segundo lugar e vai agora medir forças com o segundo classificado do grupo G nos 16 avos de final (neste momento seria o Irão). Esta é a primeira vez que os australianos chegam à fase a eliminar em edições consecutivas da competição. Por outro lado, os quatro pontos deverão ser suficientes para o Paraguai assegurar a passagem à próxima fase, tendo agora de esperar uns dias para conhecer o desfecho e o seu adversário. Caso terminasse agora a fase de grupos, os sul-americanos iriam enfrentar a Alemanha na próxima segunda-feira. O que é certo é que só Egito, Espanha, Arábia Saudita, Argélia, Portugal e RD Congo podem terminar em terceiro com os mesmos quatro pontos.
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A mentira
- Eis aquele que é, muito provavelmente, o pior jogo deste Campeonato do Mundo, em praticamente todos os aspetos. Com o empate a servir às duas equipas, ninguém quis arriscar em busca de um golo que podia ser traiçoeiro, contentando-se com o nulo, os quatro pontos e a vantagem da Austrália face ao Paraguai, que acaba por não trazer nenhuma vantagem. Em abono da verdade, o grupo D estava praticamente resolvido antes desta terceira jornada, em parte por conta da mudança nos critérios de desempate promovida pela FIFA.
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