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O estado de La Guaira foi uma das zonas mais afetadas pelos sismos que atingiram a Venezuela na noite desta quarta-feira. Hélder Teixeira, um luso-venezuelano residente em Caracas, descreveu à Rádio Observador um cenário de destruição. “Foi muito forte“, afirmou.
O luso-venezuelano contou que estava em casa com a família quando recebeu um alerta sísmico no telemóvel segundos antes do abalo. “Começámos a sair de casa e aquilo começou a abanar tudo, a tremer com bastante força. Eu tenho um menino de cinco meses, ia com ele ao colo e, graças a Deus, todos os que estavam em casa conseguiram descer”, relatou. Apesar de o edifício onde vive ter sofrido danos nas paredes, todos saíram em segurança.
“A estrutura tem de ser avaliada, porque sofreu alguns danos nas paredes, mas ainda não sabemos ao certo o estado”, explicou, acrescentando que se encontra alojado em casa de familiares. Na zona de Terrazas de La Villa, nos arredores de Caracas, onde reside, não há registo de colapsos estruturais graves, embora vários edifícios apresentem danos. “Houve um prédio à nossa frente [que ficou] com fissuras nas paredes, mas a estrutura parece relativamente estável”, disse.
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Hélder Teixeira relatou também à Rádio Observador casos de pessoas ainda desaparecidas, incluindo familiares de conhecidos seus que estavam em La Guaira no momento do sismo. “Foram resgatadas a mulher e os filhos, mas continuam à procura da irmã, da mãe e do pai”, contou, descrevendo a situação como “bastante complicada e grave”.
Depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, ter confirmado a morte de um português, Hélder Teixeira acrescenta que continuam a existir pessoas por localizar. “Há alguns portugueses que ainda moram ou moravam em La Guaira e parece que há desaparecidos”, referiu.
De acordo com o luso-venezuelano, várias associações e grupos da comunidade têm mantido contactos permanentes desde a noite do sismo para tentar localizar os portugueses. Muitos encontravam-se em La Guaira devido às celebrações de São João, assinaladas na quarta-feira.
Nascido na Venezuela e filho de pais portugueses, Hélder Teixeira descreveu a comunidade portuguesa no país como “vasta” e explicou que tem estado “desde ontem à noite em contacto com todos para ver como estão”.
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Apesar dos danos registados, os serviços essenciais continuam a funcionar em várias zonas do país. Segundo Hélder Teixeira, farmácias e supermercados continuam abertos e muitas pessoas procuram água e bens essenciais. “Há muitas pessoas na rua a comprar água e comida para ajudar as comunidades mais afetadas”, disse o luso-venezuelano.
As autoridades venezuelanas abriram, também, centros de acolhimento e apoio a desalojados. Em Altamira, uma das zonas afetadas da capital, foi instalado um centro de operações de emergência logo após o sismo. “Há ambulâncias, bombeiros e equipas de emergência no terreno, com apoio às populações”, relatou, por fim, Hélder Teixeira.