Em lágrimas, Dayana Delgado, residente em La Guaira, na Venezuela, acompanha os trabalhos de busca. “Que desespero. Só quero saber onde está o meu filho, se está preso ou num abrigo. Estou desesperada. Ainda não sei nada”, disse à Associated Press a mulher, mãe de três crianças, e que na manhã desta quinta-feira ainda não sabia o paradeiro de um deles, um menino de oito anos. A região foi a mais afetada pelos dois sismos que atingiram a Venezuela na noite da passada quarta-feira, e que provocaram o desabamento de mais de 100 edifícios.
De acordo com Delgado, durante a manhã ainda eram os vizinhos a tentarem resgatar as pessoas presas debaixo de vários metros de escombros — um trabalho que exige o uso de maquinaria pesada, mas que o Governo até aquele momento ainda não havia conseguido disponibilizar. “Não sei explicar mas isto foi… Meu Deus. Chegámos à noite, a escutar gritos, e não pudemos fazer nada. Esperámos amanhecer e aqui estamos. Já chegou o familiar de uma rapariga que está presa nos escombros, e Deus queira que seja resgatada logo”, desabafa também Juan Alberto Mendaño, um dos residentes que ajudava nos trabalhos de busca, e que para já seguem os sons que vêm do meio dos escombros.
A comunidade internacional está mobilizada a enviar reforços à Venezuela — incluindo Portugal, que já anunciou o deslocamento de uma equipa de proteção civil de emergência com 50 elementos para ajudar nas operações de socorro no país. “Estamos presos nesta situação até que as ajudas internacionais cheguem“, disse Angie Reyes, numa entrevista ao New York Times, ao tentar encontrar o colega, Daniel Vivas, de 43 anos, pai de um rapaz de oito anos, e que vivia no sexto andar de um edifício em La Guaira que ficou danificado. Em Los Palos Grandes, no leste de Caracas, onde três edifícios desabaram, a médica Dianka Aguilar procurava por três familiares, que viviam no último andar de um dos prédios, publicou o jornal independente venezuelano Efecto Cocuyo.
Familiares dentro e fora da Venezuela têm usado as redes sociais, em especial o X, que se encontrava banido no país desde agosto de 2024 por decisão do Governo mas foi desbloqueada na sequência dos sismos desta quarta-feira, para divulgar fotografias de pessoas desaparecidas, na esperança de conseguir informações numa altura em que não há meios oficiais suficientes para atender à tragédia. Até ao momento há mais de 30 mil pessoas desaparecidas em várias regiões da Venezuela, aponta o site Desaparecidos Terremoto Venezuela, criado com o objetivo de registar denúncias de pessoas que continuam incontactáveis.
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