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Edifício de dois andares colapsa no Porto. "Quando eu disse para fugir, foi quando o prédio caiu"

Edifício de dois andares ruiu no centro do Porto. Lojista alertou trabalhadores de obras em terreno contíguo quando reparou em fissuras fora do normal. Escaparam "por segundos" ao colapso.

Miguel Pinheiro Correia
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Um prédio de dois andares ruiu na manhã desta quinta-feira na Rua Antero de Quental, no Porto, quando decorriam trabalhos de construção num terreno contíguo. O dono do edifício, e da papelaria que explora no rés-do-chão, alertou os trabalhadores das obras quando se apercebeu do risco de colapso. “Quando eu disse ao indivíduo da máquina [das obras] para fugir, foi quando o prédio caiu”, contou Manuel Lopes ao Observador.

O homem de 72 anos, dono do prédio no cruzamento entre a Rua Antero de Quental e a Rua da Constituição há oito anos, apercebeu-se assim que chegou à loja de um tremor fora do normal. “Estava sozinho dentro da loja, enquanto estava uma máquina [das obras] a trabalhar, e comecei a sentir umas pedrinhas a cair”, relatou em frente à fachada do edifício ainda de pé, a única parte que resistiu ao colapso.

https://observador.pt/2026/06/25/predio-ruiu-no-porto-lojista-e-trabalhador-da-construcao-civil-sairam-a-tempo/

Manuel dirigiu-se à “parte de trás” do edifício e verificou que a “abertura da porta para o quintal já não estava na mesma posição que costumava estar”. O lojista falou com o encarregado de obras e contou-lhe que o prédio já tinha várias rachas.

“Olhei para a parede e vi a rachadela. A rachadela cada vez era maior e o indivíduo que estava a operar a máquina verificou que o prédio ia cair”, acrescentou Manuel. Ao Observador, um dos trabalhadores confirmou a proatividade do dono do edifício e explicou que foi graças a ele que saíram a correr do edifício. “Já vi demolições com os prédios a caírem em ruínas na televisão. Mas nunca tinha vivido isto”, disse, preferindo manter o anonimato, horas depois de ter escapado “por segundos” ao colapso.

“Fomos acionados para uma estrutura colapsada. À chegada, identificámos que os trabalhadores das obras e o proprietário da papelaria, no prédio que acabou por colapsar, já se encontravam no exterior. Por precaução, fizemos um varrimento com duas equipas cinotécnicas — uma dos sapadores e outra da Polícia Municipal — no sentido de verificar se havia vítimas soterradas, o que não se confirmou”, explicou ao Observador Ricardo Pereira, comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros do Porto, que envolveu 12 operacionais e três carros nesta operação.

“A informação que [o dono do edifício] nos transmitiu é que à chegada ao estabelecimento, pelas 8h, estava a preparar a loja para abrir e notou alguns ruídos e algumas fissuras. Foi nesse instante que ele veio ao exterior e de forma muito proativa acabou por falar com os senhores das obras para suspenderem os trabalhos. Foi nessa altura que ocorreu o colapso da estrutura”.

O comandante adiantou que ainda é cedo para avançar com precisão as causas do colapso, que serão determinadas pelas perícias habituais. Para já, os esforços estão concentrados nos trabalhos de demolição, “para garantir as condições de segurança” necessárias para a reabertura do troço da rua Antero de Quental, que está cortada desde o início da manhã.

“Iniciaram os trabalhos preparativos de demolição de forma a que possa ser feita, de forma controlada, a demolição da fachada que ficou em pé. Durante a parte da tarde, assim que chegarem os meios pesados, será feita a demolição da estrutura que ainda se encontra na vertical”, resumiu. Só depois de ser demolida a fachada, a única parte do edifício que resistiu ao colapso, é que será possível retomar a circulação numa rua central da cidade e que concentra muito movimento nas horas de ponta.

Apesar de o morador adiantar que já se tinha queixado anteriormente do impacto das obras no seu edifício, o presidente da União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória explicou que nunca foi feita uma denúncia formal. “Já estive ali a falar com o proprietário do prédio, que sentiu algumas fragilidades, mas que nunca as comunicou a quem de direito, à Câmara Municipal ou à Junta de Freguesia”, disse Nuno Cruz ao Observador.

Os funcionários das obras garantiram que os trabalhos já decorrem há vários meses e que nunca foram sinalizados problemas, quer pelos responsáveis quer pela autarquia. O presidente da Junta de Freguesia reiterou que a obra tinha as devidas licenças.

Ao Observador, o dono do edifício assumiu que não irá voltar a explorar a papelaria.