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Fundo soberano na EDP? "Todos os acionistas são bem-vindos", diz presidente

A EDP faz 50 anos. Ao longo da vida passou de 100% pública para ser 100% privada. Sem querer comentar o fundo soberano. Miguel Stiwell dá as boas-vindas a todos os acionistas.

Alexandra Machado
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Todos os acionistas “são bem-vindos”, “o mercado é livre e podem decidir investir consoante seja uma boa oportunidade”. É assim que Miguel Stilwell, presidente executivo da EDP, comenta uma eventual reentrada do Estado no capital da elétrica no âmbito da criação de um fundo soberano.

Luís Montenegro, primeiro-ministro, anunciou a intenção de o Governo criar um fundo soberano para ativos que sejam considerados estratégicos. Se neste momento o Estado, através da Parpública, já tem 8% da Galp, na EDP deixou de ter qualquer posição. O Governo oficialmente nada disse ainda sobre este fundo soberano, além da declaração do primeiro-ministro no congresso do PSD. O Ministério das Finanças não respondeu às questões colocadas pelo Observador.

Confrontado, num encontro com jornalistas, para assinalar os 50 anos da empresa (que faz a 30 de junho), com a possibilidade de o fundo soberano entrar na elétrica, voltando a ter o Estado português como acionista, Miguel Stilwell não quis comentar, dizendo não haver detalhe suficiente.

“De qualquer forma, todos os acionistas são bem-vindos”, apontou.

O principal acionista da EDP é a China Three Gorges, empresa pública chinesa, com 22,20% do capital. Já na EDP Renováveis a elétrica tem como acionista o fundo soberano de Singapura, GIC, com 4,4%. Também o fundo soberano norueguês detinha, no final de 2025, 0,55% da EDP Renováveis e 1,81% da EDP.

Sobre a participação chinesa, numa altura em que a própria União Europeia tem vindo a avaliar a participação de países terceiros, Miguel Stilwell recordou que até nos Estados Unidos da América a empresa tem crescido, mesmo tendo o Estado chinês no seu capital, o que significa, no seu entendimento, que a elétrica tem conseguido “encontrar os equilíbrios necessários”. Além disso, acrescentou, o acionista chinês está representado no Conselho Geral e de Supervisão (mas não tem maioria), sendo a comissão executiva uma estrutura independente. “Não há interferência na gestão executiva”, garantiu.

No encontro com a comunicação social, o presidente da elétrica salientou por outro lado que a EDP “tem uma base acionista muito forte”, recordando que ao longo dos 50 anos de vida passou de uma empresa 100% pública para uma companhia 100% privada. E sempre conseguiu que os acionistas injetassem dinheiro, quando a isso eram chamados. Financiou-se no mercado, nos últimos seis anos, em 4.500 milhões de euros de capital. “O capital dos acionistas foi fundamental para conseguir crescer e para aguentar o balanço” que diz ser sólido.

Ainda que tenha havido anos de muitas críticas feitas ao balanço, demasiado alavancado. Mas agora disse que o balanço “é sólido” e que “permite crescer e pagar dividendos e dar conforto para ultrapassar ciclos macroeconómicos”.

No futuro, não antecipa mais chamadas de capital — como diz Stilwell também não se pré-anunciam, embora admita que o mercado pede que a EDP faça aumentos de capital para crescer “ainda mais” –, mas assumiu que está sempre a analisar eventuais aquisições. Para já o projeto de investimento nas redes para os próximos cinco anos é de 3 mil milhões, ao ritmo de 600 milhões por ano, o que compara com os 350 milhões dos últimos anos. São mais 60% de investimento nas redes, salientou o responsável.

Este reforço do investimento, segundo o presidente da elétrica, é possível porque a remuneração se tornou mais adequada, com a decisão de retirar a contribuição extraordinária da remuneração das redes. “Investimos mais porque há menos impostos e maior rentabilidade”, realça.

Miguel Stilwell realçou ainda que Portugal tem de aumentar a geração elétrica, sob pena de ter um problema de rutura com o aumento da procura que está a acontecer e se prevê que venha a aumentar. “Portugal é dos países em que mais cresce [a procura de energia] e deve continuar a crescer, quer pelo aumento da população, quer pela eletrificação, quer pela necessidade de data centers”, resumiu.

“O ritmo do aumento de geração é muito inferior ao aumento da procura”, indicou, apontando problemas e demoras nos licenciamentos e burocracias. “Há imensos projetos completamente parados”.

A opção da EDP é para o reforço das renováveis, nomeadamente eólica, solar e baterias. Miguel Stilwell diz não ter nada contra o nuclear, enquanto engenheiro, mas enquanto gestor não lhe peçam para investir numa tecnologia que é cara e que tem problemas de licenciamento. São também as dificuldades de licenciamento e de rentabilidade que não colocam a hídrica no rol das apostas futuras mais salientes. Analisará eventuais concursos para hídricas, mas “não consigo construir um modelo em cima das hídricas”, salientou, dizendo que neste tipo de energia a bombagem faz imenso sentido. Por isso para concursos futuros as contas terão de ser feitas. “As mais óbvias estão feitas”.

Os investimentos serão financiados por capitais próprios, dívida e rotação de ativos, indica.